Teoria do Futebol

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Reflexões acerca força no futebol

A força é, ainda, vista por muitos como uma base sólida para o futebolista de sucesso. É uma componente física, muitas vezes associada ao tamanho dos jogadores, sendo o Cristiano Ronaldo como um exemplo de um jogador alto e forte. Porém, o futebol não se trata de levantamento de peso. Mesmo no UFC, os lutadores, apesar de fortes, praticam alguma arte marcial como uma forma de tornar a sua luta mais hábil e poderem vencer mais vezes.

Se a força fosse a componente principal do jogador de sucesso, então Adebayo Akinfenwa, atacante inglês e nigeriano, que consegue levantar 180kg e é considerado o jogador mais forte do mundo, seria o melhor do mundo por anos seguidos. 


Se partirmos da natureza do jogo em que a equipa que marcar mais golo, vence o jogo, então precisamos marcar mais do que o adversário nos marca a nós para vencer essa partida. Basta ir por esse caminho para sabermos que precisamos saber defender e atacar, surgindo assim a organização defensiva e organização ofensiva. Porém, defender na nossa área ou atacar na área adversária, sendo duas áreas tão longe uma da outra, obrigam a equipa a determinados comportamentos, como organizar-se para defender ou atacar, obrigando assim à transição defensiva e ofensiva. Estes quatro momentos ou organizações da equipa só podem ser bem-sucedidas quando são bem treinadas, criando uma linguagem comum a todos os jogadores, que é a organização coletiva. 


Essa organização tem por base o modelo de jogo definido pelo treinador onde, durante o treino, deve criar exercícios específicos, em que os jogadores treinam a organização que se pretende. Então, a qualidade dessa organização aproxima a equipa de marcar mais golos e sofrer menos, ou seja, aproxima a equipa da vitória. Então, fica a questão: se a organização coletiva aproxima a equipa da vitória, será a força uma condição primária para vencer, ou será apenas uma condição necessária, assim como condição técnica, física e psicológica?


Vamos considerar que a forma desportiva é o sucesso que determinado jogador tem nas várias ações que realiza no campo. Assim, se o jogador consegue fazer mais desarmes, remates, passes, desmarcações, e outras ações que impedem a equipa adversária de se aproximar da baliza da equipa ou que ajudam a levar a equipa até zonas próximas da do alvo/fazer golo, o jogador tem assim uma forma desportiva superior. No que diz respeito à condição física no futebol, sabemos que é composta pela força, pela velocidade e pela resistência. Existem assim, outras condicionantes físicas à forma desportiva do jogador. Por exemplo, um defesa num contra-ataque em princípio não conseguirá recuperar para a sua posição aos 80 minutos como se fosse a mesma situação aos 20 minutos, principalmente se tiver pouca resistência. 


Em outra exemplo, a organização coletiva demonstra claramente em como pode levar a equipa ao sucesso. Através de um jogo recente, fomos procurar os golos marcados por ambas as equipas, onde se nota claramente qual é o peso da organização das equipas nesses golos. 


Na primeira situação Quaresma recebe a bola isolado. Após um erro individual que leva a uma perca de bola, a organização da equipa que defende deixou o caminho livre a Quaresma quando este recebe e progrediu com a bola. Sem oposição e com o caminho livre para seguir para perto da baliza, a chance do portador da bola cruzar ou rematar é claramente maior.

Em outra situação, Slimani, que até nem é muito habilidoso com os pés, recebe isolado e faz golo na cara do guarda-redes. Com espaço para receber a bola porque o seu opositor estava de costas para ele. Não terá sido a sua altura que o levou a fazer este golo, mas a falha na marcação e o espaço para receber, a habilidade e visão de jogo do seu colega de equipa que o viu em condições para receber a bola e lhe passou a bola e o facto ficar sozinho com o guarda-redes adversário, em que existe uma grande probabilidade de golo para o atacante. 


Mais uma situação, onde Bryan Ruiz recebe a bola numa disputa de bola. O facto dele estar isolado quando recebe permite-lhe conduzir para mais perto da baliza e rematar. O defesa poderia até ser muito rápido e recuperar a tempo, mas se a organização da sua equipa fosse melhor que uma linha curva, Ruiz não receberia a boal isolado, ou nem receberia a bola.

Por fim, na última situação, o defesa brasileiro Rhodolfo está indefinido na sua decisão, muito por culpa do seu colega na defesa que deixou o portador sozinho. Em situação 3 atacantes para dois defesas, deixa o caminho livre o caminho para a baliza para tentar disputar uma bola pelo ar. Em desvantagem numérica, escolhe a pior decisão possível: abrir o caminho par a baliza. Transformou uma situação 3x2 numa 2x1, aumentando drasticamente as hipóteses do adversário fazer golo. 

Após esta curta análise, sabemos que força não é uma condição necessária, mas um suporte condicional ao futebolista, onde o jogador faz uso da sua força para realizar determinadas ações. Porém, numa uma organização coletiva, com muitas linhas de passe, com movimentações de ruptura, com espaços bem ocupados a defender, etc, a força física será apenas uma condição do jogador, como a velocidade, a resistência, a habilidade técnica, a tomada de decisão. Deixa assim de ser a base do futebol (que muitos ainda acreditam) e torna-se assim numa fatia de um bolo, que é o jogador. Nada mais simples.

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