Teoria do Futebol

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Princípio das propensões

Porque tudo tem uma razão de ser no futebol. Por vezes, confiamos fielmente naquilo que sabemos e aprendemos, e desconfiamos de novos métodos até que alguém nos prove o contrário. Ainda hoje há quem acredite que o físico é a única ferramenta do jogador. Existem até vários comentadores desportivos que semanalmente alimentam essa ideia, e que em nada acrescentam ao público em geral. Porém, a dimensão física não faz o jogador. É uma ferramenta ao serviço do jogador, tal como é a a dimensão técnica, tática ou psicológica. Então, o treino não deve estar centrado apenas na capacidade atlética dos vários jogadores, mas sim nestas quatro dimensões. Não importa ter um jogador que salta ou corre mais do que todos, se ele nem sabe passar uma bola, não sabe correr ou nem sabe quando saltar.

Se pesquisarmos o significado de propensão, sabemos que estar propenso a algo significa ter uma tendência a algo, como ser empurrado para uma determinada dimensão. Então, o treinador pode servir-se deste conceito no treino, procurando levar os jogadores numa determinada direção.


  1. Para Tamarit (2007), o princípio das propensões consiste em fazer acontecer o que queremos que os jogadores trabalhem um grande número de vezes, provocando uma repetição sistemática.
  2. Para Oliveira (2009), este princípio é definido pela densidade de princípios, subprincípios e sub dos subprincípios que pretendemos treinar.
  3. Para Frade (2006), este considera que se um determinado comportamento acontece "n" vezes no treino, é mais fácil assimilar esse comportamento.
  4. Para Oliveira (2003), a repetição sistemática proporciona aos atletas, a compreensão de determinados princípios e padrões de jogo implementados pelo jogar da equipa

O objetivo do treino é criar comportamentos nos jogadores, comportamentos esses que possam servir de base para a prática do jogador na realidade. No entanto, isso não se faz de uma forma qualquer, precisa haver uma forma de trabalhar, e o princípio das propensões indica o caminho que deve ser seguido.


       Vamos supor que queremos treinar a nossa saída de jogo. Como será mais fácil treinar esta fase do jogo? Num jogo formal de 11x11? Será que um exercício com tantos jogadores e com tantos fatores fará os jogadores repetirem o suficiente para assimilarem aquilo que queremos que eles façam no jogo? Porque não um 6x6, com muitas menos ações a realizar, levando a que os jogadores realizem a saída de jogo mais vezes, realizando assim uma repetição sistemática do objetivo que queremos treinar?


       Treinar só uma vez, de nada serve. É necessário repetir, bater na mesma tecla várias vezes. Se na primeira tentativa, os jogadores não perceberem bem aquilo que devem fazer, a segunda tentativa vai ajudá-los a perceber isso. Quantas mais situações estes passarem, melhor vão perceber. Se queremos treinar melhor a finalização, então fazemos os jogadores finalizar mais vezes (desde que finalizem num contexto idêntico ao contexto do jogo).


        Tareias físicas como jogos de 90 minutos durante o treino deixa os jogadores bastante longe daquilo que se pretende treinar. Não existe uma repetição sistemática daquilo que pretendemos treinar, para que os jogadores “descubram” como resolver a situação momentânea. Eles precisam jogar, e voltar a jogar, para corrigir os erros cometidos na primeira vez, e voltar a jogar para corrigir os erros cometidos da segunda vez. Não basta pedir para eles fazerem. Eles precisam repetir para assimilar, para aprender.

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