Teoria do Futebol

Tudo sobre Futebol, os metodos, os conceitos, os princípios, 
os processos e toda a organização tatica do futebol!

Desdobrar a perfeição em sucesso

Sempre gostei de modelos de jogo equilibrados entre os vários momentos de jogo, com liberdade para os seus executantes o realizar, conforme aquilo que o jogo lhes pede. Mas nunca fui fã de modelos de jogo rígidos, com tudo pormenorizado, muito menos de filosofias que colocam pressão em cima dos jogadores. O treinador, perante os jogadores, a única coisa que deve fazer é colocar em cima deles, o gosto por jogar futebol, seja nas camadas jovens, onde se lhes ensina a técnica, ou nas camadas séniores, onde se organiza os jogadores como um só para vencer. Organização, simplicidade, atitude, são alguns dos valores que quase ninguém fala. Só pensam em organização tática, e depois vemos até algumas camadas de futebol jovem, miúdos de 10 anos a jogar futebol de 7, com um sistema tático sem sequer saber tocar na bola

As quatro dimensões do jogador


Na nossa comunidade, temos vindo a defender que existem demasiados fatores que o treinador não controla, e por isso este não pode nunca escolher o rumo dos acontecimentos. Por isso mesmo, no que diz respeito às quatro grandes dimensões do jogador (técnica, tática, física e psicológica), nenhuma destas pode ser alguma vez, trabalhada ao lado, ou deixada de lado. Quando estiver sentado à mesa para jantar, use apenas a faca e deixe o garfo de fora. A sua refeição não será a mesma como jantar com dois talheres. Então, porque colocar uma destas quatro dimensões de lado, se não será a mesma coisa como consequência?

O jogador, é uma pessoa. Precisa desenvolver a sua técnica, como ferramenta para a organização tática, através das ações técnico-táticas. Precisa ter o organismo em condições para realizar as ações técnico-táticas, e motivação suficiente para as realizar com energia. Se uma destas quebrar, as outras quebram também. Não há volta a dar, e isto não tem nada que saber.


Um treinador tem esse nome, porque treina jogadores, não máquinas. Se treinasse máquinas, seria mecânico


A frase acima é de um excerto que escrevi em outro artigo, em Março de 2014. Muitos treinadores esquecem-se que trabalham com pessoas, e não compreendem porque não obtém sucesso. Pior que isso, muitos adeptos, esquecem-se que os jogadores são pessoas, que falham, e que nem tudo vai sair ao pormenor, mesmo que por vezes, os números assim o aparentem. Eis mais uma razão porque o treinador não controla todos os fatores, porque treinar é diferente de assistir.

Ligar a Playstation, abrir o Fifa 2014 e fazer o que nos bem apetece, controlando os jogadores e com uma vista panorâmica, onde vemos as imensas opções de passe, os adversários que se aproximam, deixa tudo muito fácil. Mas, no jogo, o portador da bola não sabe quem tem nas costas. Só vê para que lado está virado. Precisa decidir, por vezes em meio segundo, para não perder a bola. E perder a bola uma vez, por vezes custa títulos. É a responsabilidade, é o risco, e quem está por fora, e não tem a mínima curiosidade em conhecer o que tem dentro, não vai nunca compreender. E esse tipo de pessoas, é mais um risco para quem está no futebol, mas que não me vou alongar com isso neste momento.


O modelo de jogo ousado


Sempre ouvi dizer que um modelo de jogo deve ser trabalhado nos quatro momentos de jogo, sem exceção, que cada momento tem as suas caraterísticas, e que depende de todos os outros momentos e da forma como a equipa relaciona cada um dos momentos de jogo.

Mas, existem diferentes tipos de modelos de jogo, uns mais ofensivos, outros menos ofensivos, equilibrados, rígidos, e ainda aqueles que se assemelham a modelos de jogo. Seja qual for o modelo de jogo adotado pelo treinador, uma coisa importante é conseguir que os jogadores tenham atitude para o cumprir da melhor forma que lhes for ensinado. Atitude a defender, ousadia a atacar. Homens nos bons momentos, homens nos maus momentos. Mais do que modelo de jogo, importa é a forma como este se traduz no campo. De pouco serve ao treinador, ter um modelo de jogo moderno, se não é capaz de o operacionalizar. E mesmo sendo capaz de o operacionalizar com toda a naturalidade do mundo, de pouco serve se o modelo tem falhas que comprometem o alto rendimento.


Avançados não servem só para atacar, defesas não servem só para defender


Muitos não vão nunca compreender este título. Ainda que os pontas de lança existam para marcar golos, hoje pedimos outras funções aos jogadores dessa posição. Os pontas de lança são os primeiros a defender. E os defesas não servem apenas para se colocarem em frente à baliza. São os primeiros a atacar. Este tipo de relação entre defesas e atacantes tem imensas vantagens para toda a equipa. Além do desgaste que se torna bastante inferior, toda a equipa consegue jogar com muita mais estabilidade, e com isso controlar o jogo.


A criação de zonas com superioridade numérica, quando os atacantes ajudam a defender, ou colocar a bola no ataque com mais segurança, quando os defesas saem a jogar com a bola no pé, são apenas algumas vantagens deste tipo de relação entre jogadores de diferentes setores. Isto é apenas organização com os recursos disponíveis.

Incentivar os jogadores à coragem


Quem não conhece a história de Ayrton Senna? Ayrton Senna é considerado por muitos, como o maior piloto de Fórmula 1 de sempre. E a única coisa que ele queria, era ganhar. Entrava na pista para ganhar, mesmo colocando a sua vida em risco em determinados momentos da sua vida. E não faltava ao respeito aos seus adversários, chegando mesmo a parar e sair do seu carro para ajudar um colega que teve um acidente, no meio da pista, correndo um risco enorme.


Muitos não conhecem a quantidade de oportunidades que existem em seu redor. Às vezes, basta dar mais um passo para estar no sítio certo para fazer golo. Outras vezes, apenas uma pequena movimentação e apoiar o colega de equipa que está em contenção, impedindo-o de ser ultrapassado.

O jogo de futebol é simples, mas muitos complicam-no imenso. Buscam a perfeição, invés de procurar a organização. Querem ter a melhor equipa do mundo em todos os momentos e em todas as situações, embora isso seja impossível. A complexidade tende a falhar, porque faz os jogadores pensar em muitos mais pormenores do que apenas aqueles que enfrentam na situação do momento.

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