Teoria do Futebol

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Para se jogar futebol não se deve sofrer. O que se faz com sacrifício não pode sair bem – Carles Rexach

Dar tudo no campo não é sinónimo de se jogar bem. Quando damos tudo, mas o nosso tudo não é o que o jogo pede, então, não demos tudo pelo jogo. Ter corpo para jogar 90 minutos e correr os 90 minutos até não poder correr mais não é sinónimo de jogar bem.

Carles Rexach, atual assessor da presidência no FC Barcelona, foi adjunto de Cruyff durante uma era de ouro do clube e foi o responsável por levar Messi para a Catalunha. De uma entrevista de 2011:

Como o senhor descobriu o Messi há dez anos?


Rexach - Tenho um grupo de observadores em muitos lugares, Brasil, Argentina, por toda América do Sul e Europa, e me falaram de um jogador muito bom. Eu achava que me falavam de um jogador de 18 ou 19 anos, mas era uma criança de 12 anos. Estou em um nível profissional e não vou viajar 2 mil ou 3 mil quilômetros para ver um jogador de 12 anos, e mandei um convite para ele vir para Barcelona na Semana Santa, ou algo assim, e teríamos 15 dias para analisá-lo. Diziam que ele era muito, muito bom. Era um menino muito pequeno, e poderia se assustar um pouco. Era tímido, mas chegou aqui e dentro do campo de futebol ele se transforma. Um garoto com personalidade, sempre queria a bola, driblava muito, era habilidoso, rápido, resistente porque dava muitos piques seguidos. Em cinco minutos eu disse ‘vamos contratar esse jogador, ele é diferente’. Um jogador que para contratá-lo é necessário entender de futebol, porque faz coisas diferentes.


Muitos dos nossos trabalhos e profissões, como construção civil, mecânica, na fábrica, num supermercado até, exigem um determinado nível de força para exercer a atividade. Ainda, a força é, ao mesmo tempo, uma condicionante e um suporte, o que limita as atividades que podemos fazer como permite que as façamos. Aos jogadores, a força permite-lhes saltar, mudar de direção, etc, como os impede de atingir limites mais elevados quando não tem força para mais.


Essas serão as razões para que muita gente acredite que o futebol é feito de força, e que os jogadores devem ser o mais fortes possível para aguentar o jogo. Eu não sou do tempo da corrida nas praias. Quando comecei a estudar futebol, as ideias que fui assimilando já vinham de José Mourinho. Mas ainda hoje ouço histórias de ex jogadores, com idade para serem meus pais ou avôs, que a crença na força era tanta, que o treino era só força. O engraçado, é que quando alguém vinha de lesão, aguentava mais o jogo do que os seus colegas. Isso não era suficiente para fazer alguém refletir?


A força não é a caraterística que mais nos pode ajudar a vencer. Porque quem nasceu pequeno e franzinho, não pode depender da força para chegar mais longe na vida. E com o futebol, é igual.

Existem diferentes competências que compõem o jogador (físico, técnico, tático e psicológico). O treinador, por sua vez, deve distinguir as competências de todos os jogadores e fazê-los jogar em ideias comuns, que melhor escondam os defeitos dos jogadores e que melhor façam sobressair os seus pontos fortes. Assim, o foco do treinador não pode ser treinar a força, mas sim, treinar a equipa. 

Reside, ainda, na mente de muita gente que não se atualizou, que não estudou futebol ou que as circunstâncias da vida assim lhe ensinaram, que é primeiro preciso ganhar força para a competição e depois a manter durante a competição. Assim dizia o modelo de treino de Matveiev, entretanto ultrapassado. 


Aquilo que hoje se busca é o coletivo, onde uma equipa consegue fazer mais do que 11 jogadores dispersos pelo campo. Hoje, o futebol é mais completo, porque não se conta apenas com o físico dos jogadores, mas com a velocidade que tomam decisões e a velocidade com que executam essas decisões.


Ocupação de espaços, movimentações, habilidades técnicas treinadas desde que os jogadores são jovens, tudo isso torna o jogo de futebol muito mais completo. E para isso, é necessário que o jogador saiba interpretar o jogo e decidir bem e rápido, não apenas ser forte e alto. 


Devido a um ritmo tão elevado que o futebol apresenta hoje, o treino, tem que fazer os jogadores responderem às necessidades do jogo. Assim, o treino, tem que ser específico ao jogo, tem que mostrar aos jogadores qual é o caminho. Hoje, a bola circula muito mais, e a única forma de a impedir de entrar pela nossa baliza é fechar espaços. Como um jogador não consegue fechar espaços sozinho, e como a bola corre mais depressa que o jogador, a definição de equipa torna-se cada vez mais importante. 


A importância do conhecimento do treinador a nível tático e de treino é, portanto, extremamente elevada. Um treinador que não sabe treinar, nunca poderá desenvolver o seu modelo de jogo para a equipa. E um treinador que não desenvolver um modelo de jogo para a equipa, não vai, nunca, treinar em especificidade, porque não tem nada específico para treinar. 


O futebol é como a vida. Eu não vejo pessoas cheias de músculo como as mais ricas do mundo, mas sim, as que sabem pensar e se adaptar ao meio. Eu não vejo um sacrifíco desnecessário, mas a um “saber aproveitar as oportunidades” que só os melhores sabem fazer. E, ao estudar futebol, percebo que o foco deve ser criar oportunidades e transformá-las, e não dar tudo hoje para não conseguir mais amanhã. 

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