Teoria do Futebol

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os processos e toda a organização tatica do futebol!

Usar o futebol como um exemplo da sociedade

Todos nós tivemos a nossa forma de começar no futebol. Uns, através do Football Manager. Outros jogaram desde crianças. Ou porque o pai foi jogador ou até mesmo a curiosidade. E claro, o meio social também levou muita gente para o futebol. O futebol hoje não se traduz apenas em paixão ou magia. Ganhar dinheiro está envolvido no futebol, de uma maneira ou de outra. Não só os grandes clubes e os melhores jogadores podem ganhar dinheiro, como os mais pequenos também podem. 

Mas um facto é que muitos de nós, tivemos a primeira vez com o futebol, mas nem todos continuam essa primeira vez. O futebol está em constante evolução, e muito do que acontece dentro do futebol é o resultado das causas cá fora. Se há quem não concorde, eu não estou preocupado com isso. Unicamente acredito que o futebol é um espelho da sociedade, e até uma forma mais fácil de a compreender, porque é um exemplo prático daquilo que acontece cá fora. Sem falar em corrupções ou em negócios, aquilo que mais me importa é o treino e o coletivo. São os dois pontos essenciais para alcançar o sucesso. 

O treino envolve conhecer o ser humano. Na sua condicionante física, técnica, tática e psicológica. Todos nós temos as nossas condicionantes físicas. Se me faltasse um dedo, seria mais complicado para eu escrever. Se um jogador corre menos do que outro (e se esse fosse o único fator), provavelmente chegará mais tarde à bola que o segundo. A técnica acaba igualmente por ser uma condicionante. Um jogador pode ser até inteligente a jogar, mas pode não ter muito jeito com a bola. Pegar numa caneta e escrever acaba por ser uma condicionante técnica. Muita gente tem boas ideias, mas uma caligrafia feia. Outros têm ideias horríveis, mas uma caligrafia bonita. E a série continua. Porém...

Como pode um chefe fazer o seu liderado evoluir, se ele não souber como? Recordo-me de alguém que teve um chefe, que teve a boa vontade de o querer fazer subir na vida. Porém, no trabalho do dia-a-dia, não lhe foi colocando tarefas que fossem desafiantes o suficiente para o obrigar a buscar ideias. Com o tempo, o chefe foi mantendo o seu posto, mas o liderado não foi evoluindo, e logo não mostrou capacidades para o cargo a que foi proposto. No futebol acontece exatamente a mesma coisa. Muitos treinadores não usam o treino como forma de criar um coletivo poderoso como o futebol assim o pede. Se o treino for uma pirâmide, o coletivo deverá ser sempre a base da pirâmide. Porém, muitos treinadores continuam a concentrar o tempo de treino em "jogo corrido" invés de uma ideia coletiva. O resultado? Equipas pouco competitivas, pouco corajosas e até com pouca liberdade e criatividade para pensar o jogo. 


Mas, se há algo que eu valorizo imenso é o erro e a sua exploração. Aprendi que no treino, os jogadores são expostos a estímulos e a diferentes níveis de dificuldade. Como consequência, ao explorarem o exercício, cometem erros com naturalidade. Porém, os estímulos guiam os jogadores numa direção que lhes permitem corrigir esses erros. Não será por acaso que quando um novo treinador de qualidade é apresentado a uma equipa, pouco tempo depois vemos um jogar diferente, que é estabilizado com o tempo. Desta forma, o treinador cria exercícios para aquilo que deseja implementar na equipa, e com o tempo aumenta a dificuldade dos exercícios conforme os jogadores se vão habituando a níveis de exigência cada vez maiores.


Infelizmente na vida não podemos valorizar o erro, porque o meio social não permite que tenhamos tempo para o fazer. Vejo muita e boa gente, que demonstra uma capacidade ou potencial imenso, mas que nunca passaram daí pelo simples facto que todos os meses tem que ganhar um ordenado para sustentar a família, e não tem tempo para arriscar ganhar mais e errar até que sejam capacitados em ganhar mais. Experimentar e errar devia ser um direito de todos. Se os jogadores podem experimentar e evoluir (isto quando o treinador compreende isso e tem capacidades para o fazer), porque nós, cá fora, não podemos ter essa liberdade para experimentar e evoluir? Milton Friedman, um conceituado economista, defende que o mercado deve ser livre, mas o ser humano enquanto ser social não pensa da mesma forma. 


Já que podemos usar o futebol como um exemplo daquilo que é a natureza humana, porque não podemos tirar do futebol cá para fora, as ideias que são exploradas lá dentro?

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campayn