Teoria do Futebol

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Correr atrás da bola ou dominar o jogo?

Não consigo imaginar como podemos montar uma equipa vencedora sem organização alguma. A organização liga os vários elementos da equipa, fazendo cada jogador ter mais oportunidades e consequente mostrar mais vezes o seu valor. Mesmo assim, ainda há quem acredite que o futebol é correr com a bola, criar 50 oportunidades de golo ao chuveirinho ou vai à linha e cruza. E como podemos conseguir essa organização? Ficam algumas sugestões:

1- Use o treino a favor da organização e criatividade


Sabendo que os jogadores não são máquinas, precisam ser ensinados a pensar o jogo. Para isso, precisamos perceber como funciona o cérebro humano e como o podemos trabalhar de forma a ensinar o jogador. Há pessoas mais capazes de aprender do que outras. Há pessoas que se desenvolvem mais rapidamente e são mais inteligentes que outras. Muitas vezes até há problemas por trás, como stress, medo, ansiedade, dúvida, nervosismo e outras emoções que impedem determinado jogador de aprender mais. Com o tempo, o treinador precisa perceber essas caraterísticas e treinar conforme os jogadores são capazes de aprender. Quando participamos em grandes campeonatos, com jogadores inteligentíssimos e super motivados, essa tarefa é mais fácil. Já em clubes amadores, quando muitos não tem a mínima noção do que são momentos de jogo ou princípios, que não entendem que a técnica é apenas uma ferramenta do portador da bola, seja para a segurar ou passar a outro jogador, quando isso tudo são hábitos já enraizados nos jogadores desde que são crianças, tudo isso se torna mais difícil.


Não acredito que uma equipa não possa ter sucesso sem criatividade nem organização. A criação de várias linhas de passe por exemplo, oferece mais opções ao portador da bola. Isso é organização. E o portador terá que escolher uma delas escolhendo preferencialmente a que dá mais oportunidades de criar situações de finalização em primeiro lugar, e a que permite manter a posse de bola como segunda escolha. Isso é criatividade. E como podemos criar esses hábitos nos jogadores? Criando situações onde estes precisem pensar o jogo, onde sejam forçados a tomar decisões. Eu poderia ter uns pés iguaizinhos aos do Ronaldinho Gaúcho, mas de pouco me serviriam se eu pensar como uma ervilha. 


2- Marcação à zona, linha defensiva em linha, criação de linhas de passe, linha defensiva de marcação, linhas próximas, cobertura ao portador da bola, descansar com bola, gerir o ritmo de jogo e imprevisibilidade


São algumas das ideias que eu acredito para o jogo. Aquela coisa de jogar mecanizado, como bola no trinco, bola no lateral, tabela e cruza, para mim é algo que não faz sentido, principalmente se for para repetir durante um jogo inteiro. É importante criar algo em que a equipa seja realmente boa em campo, mas não sinto que seja muito vantajoso fazer a equipa mais capaz em algumas rotinas mais que repetidas. Se é para criar algo realmente bom na equipa, então porque não o fazemos em tudo o que diz respeito na relação com a bola e com o espaço?

Se a nossa equipa está a defender, então precisamos fechar o caminho da baliza e só depois recuperar a posse de bola. Para isso, importa uma linha defensiva em linha, que não coloque nada em jogo invés do tradicional defesa de sobra. Esse defesa de sobra abre muito espaço a jogar, como está representado na figura. Se queremos fechar um caminho para baliza, então é o espaço que queremos fechar. Pela marcação à zona, com a bola como referência, a equipa mantém o caminho da baliza fechado em função da posição da bola. 



Para depois recuperar a bola, acredito que as linhas devem estar próximas, como forma de garantir coberturas defensivas para que se possa proceder à tentativa de desarme sem abrir o caminho para a baliza. Haverá necessidade de um defesa se submeter ao desarme do portador e abrir um espaço em frente à baliza? Se o portador e os seus colegas forem suficientemente inteligentes e rápidos, podem criar uma oportunidade de golo do nada. 


Quando a nossa equipa está a atacar, como já escrevi, não há necessidade de ser previsível a repetir sempre a mesma jogada estudada, quando o jogo nem sempre pede essa opção para atacar. Se não dá para ir por um caminho, vamos por outro. Atacar ferozmente e entregar sempre a bola ao adversário, não quer dizer que seja golo, mas o desgaste é garantido. E com desgaste e sem bola é mais fácil para o adversário fazer golo. Se não dá para criar, apenas se mantém a posse de bola e procura-se outro caminho para chegar ao golo. Ou se a equipa está demasiado cansada e precisa repousar, então que mantenha a bola no pé, que descanse um pouco, recupere o fôlego e ataca de seguida. Se os jogadores estão cansados, como podem ser rápidos a atacar e como podem ser rápidos a recuperar para defender se perderem a posse?


3- Esforço, competência e risco


Sem organização num conjunto não há qualidade. Mas essa organização precisa proteger dos riscos que há em atacar o adversário, como perder a bola e sofrer contra-ataque. Como tal, ao criar essa organização, acredito que o esforço mais importante não é o físico, em correr durante 90 minutos, mas psicológico, em procurar as melhores decisões, em procurar fechar os espaços, em fazer a leitura do jogo, em procurar soluções. O desgaste não é apenas físico, mas também psicológico. 


No modelo de jogo, não importa ter ideias de só atacar ou só defender, porque não é isso que o jogo pede. O jogo pede que a nossa equipa marque mais que a equipa adversária para ganhar o jogo, então devemos equilibrar entre atacar e defender. Os momentos do jogo corrido são 4 (organização defensiva e ofensiva, e respetivas transições), logo precisamos criar um modelo de jogo competente nesses quatro momentos de jogo e não apenas em alguns deles. Se eu não for capaz de recuperar a bola, não posso fazer golos. Se tenho a bola mas não sei atacar, então posso perder a bola facilmente e perder o domínio do jogo.


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