Teoria do Futebol

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Importância da coordenação motora no atleta

Sempre falamos em organização tática, treino e psicologia, procurando sempre novas respostas para melhorar o futebol que impomos nos nossos atletas. No entanto, apesar de muitos treinadores terem uma noção melhor do que a que eu tenho, muitos outros treinadores nem sequer usam a coordenação no treino. O nosso cérebro trabalha em conjunto com os nossos músculos, funcionando como um sistema completo. Essa combinação, a que chamamos coordenação motora, permite que os atletas sejam capazes de realizar as várias ações técnico-táticas, e quanto mais evoluída for a coordenação motora, os atletas podem realizar as várias ações com mais velocidade e eficácia. Vale lembrar que mesmo nós, nas atividades diárias, utilizamos a coordenação motora para realizar as várias tarefas.
Por exemplo, enquanto escrevo este artigo, o meu corpo está a trabalhar a coordenação motora fina, ou seja, estou a utilizar grupos pequenos de músculos, como as mãos no teclado. Escrever no computador exige coordenação motora fina. Por outro lado, andar, saltar, correr, são ações que necessitam de coordenação motora grossa, ou seja, necessitamos de coordenação correta para grandes grupos de músculos. Para os jogadores de futebol, desenvolver a coordenação motora, é extremamente importante. Na coordenação motora grossa, o jogador desenvolve a sua velocidade de movimentação e mudanças de direção por exemplo, enquanto que na coordenação motora fina, o jogador desenvolve o reu relacionamento com a bola. Fintas por exemplo, ou passes, exigem coordenação fina ao atleta.
Devemos evoluir a coordenação motora das camadas jovens, sempre

 O meu avô sempre disse que de pequenino se torce o pepino. Certamente que nem todos conhecem a expressão, que significa que é desde que somos jovens que devemos aprender e evoluir, em vez de esperar por ser adultos para o fazer. E então? Os grandes atletas começaram cedo, alguns deles a treinar com 4 ou 5 anos. Devemos começar a treinar a coordenação motora desde tenra idade, principalmente porque o seu organismo está em desenvolvimento. Se um organismo está em desenvolvimento, mais facilmente pode desenvolver também a coordenação motora, de forma a que o atleta consiga mover os músculos para o levar a fazer movimentos com mais precisão.

Uma finta por exemplo, envolve movimentação dos músculos das penas, entre outros. Para o jogador conseguir fazer uma finta, primeiro avalia as condições para a fazer, reúne emoções que o ajudem a fazer a finta, como exibição, coragem ou como opção para a situação de jogo. Depois, o cérebro do atleta vai enviar comandos aos músculos para realizar a finta. Qualquer movimento necessita da correta interação entre sistema nervoso e músculos, e quanto mais evoluída for essa interação, mais rápidos e precisos podem sair os movimentos.

Nas fintas por exemplo, se um pé está levantado um centímetro a mais, o jogador pode deixar fugir a bola para o adversário. Por outro lado, num remate, se o jogador não é capaz de colocar o pé na bola de forma correta, o remate pode sair torto e a equipa perder uma oportunidade para pontuar.

Coordenação motora está presente em tudo

Os músculos têm limites de velocidade, resistência e força. Isto quer dizer que precisámos estender esses limites, treinando os músculos. Mas, por muito fortes e resistentes que sejam os músculos, isso não chega, porque estes, para realizarem movimentos, precisam de trabalhar todos de forma organizada. O cérebro precisa aprender a trabalhar com os vários músculos para fazer determinado movimento, e é aí que entra a coordenação motora.

Num remate por exemplo, uns músculos trabalham mais do que outros, e num passe, já não são exatamente os mesmos músculos que trabalham, nem com a mesma intensidade. O cérebro precisa aprender a distinguir quais são os músculos que devem trabalhar em função da situação, fazendo-os trabalhar como um conjunto, de forma precisa. Se o cérebro não consegue fazer os músculos de movimentarem de forma precisa, as coisas não vão sair bem para os atletas, por muito que estes queiram que saia bem. Vontade e coordenação são coisas diferentes.


Coordenação motora eficaz equivale a gosto pelo desporto nos jovens atletas

Os miúdos, como todos sabemos, tem aquela vontade de fazer muitos golos e muitas fintas. Mas, se as coisas nunca saem bem, mais tarde ou mais cedo, acabam por se cansar e não querem jogar futebol. É preciso ancorar o gosto pelo futebol desde cedo, para que o jogador goste de estar em campo e queira realmente evoluir. Ancorar o gosto pelo futebol equivale o mesmo que encaixar na cabeça do atleta, que é de futebol que ele gosta. Trata-se de gerir as emoções do atleta, de forma que este se habitue a gostar de futebol. Depois, deixar de gostar torna-se difícil, porque a ancoragem ajuda a enraizar hábitos na nossa mente. É assim que o nosso cérebro funciona: habituando a gostar de algo, deixar de gostar é depois muito difícil. Por isso ficamos apaixonados por muito tempo por determinada pessoa, sabia disso? Pura psicologia!

O papel do treinador, principalmente para miúdos de 3, 4, 5 anos, é ensinar-lhes a controlar a bola, a passa e a fintar, para que, quando estes têm 8, 9 ou 10 anos, estejam prontos para evoluir aquilo que aprenderam. Aquilo que quero dizer aqui é que o treinador deve desenvolver a capacidade do atleta enquanto ele é novo, para que, passado algum tempo, este seja capaz de fazer um pouco mais difícil e evoluir como atleta. Primeiro, devemos ensinar e depois evoluir. Até mesmo nos seniores, não acredito que lhes devemos pedir para fazer determinadas coisas e culpá-los de falta de vontade quando eles não têm gosto nem sabem fazer as coisas. Devemos, enquanto eles são novos, evoluir a capacidade deles, de forma a que quando chegarem aos seniores, saibam realizar as várias ações técnico-táticas, saibam porquê as realizam e tenham gosto e vontade de as fazer. Só desta forma se constroem equipas campeãs, e ainda bem que começamos a abrir os olhos para a formação desportiva.


Coordenação motora não deve ser treinada em separado. Há outras mil e uma habilidades para desenvolver no atleta

       Não acredito que, no desenvolvimento do atleta ou da equipa, se possam esquecer algumas partes por completo e evoluir outras partes. Acredito sim, que todas as partes devem trabalhar em conjunto, num sistema funcional e organizado. Acredito também que as partes possam ser trabalhadas em separado, através de treino específico. O atleta, segundo as condições que a atividade desportiva exige, deve ser capaz de realizar a correta leitura de jogo, deve ser capaz de realizar ações técnico-táticas, deve ser capaz de se aventurar sem medo em determinadas situações de jogo, além de companheirismo. Estas partes levam tempo a treinar e/ou evoluir, sendo necessário imenso treino.

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