Teoria do Futebol

Tudo sobre Futebol, os metodos, os conceitos, os princípios, 
os processos e toda a organização tatica do futebol!

Compreendendo melhor os princípios gerais de futebol

Alguma vez o leitor decidiu parar por uns minutos e observar o mundo, talvez duma forma diferente como o vê? Quer queiramos quer não, a nossa forma de ser e a nossa forma de reagir, quando em sintonia com as regras da realidade universal (tudo o que existe), é que vai definir a nossa sorte ou azar, decidir o sucesso que conseguimos obter e os patamares que conseguimos atingir. Geralmente, definimos padrões em nossas vidas, padrões em que acreditamos estar corretos, padrões que julgamos como é a realidade, padrões esses segundo as nossas próprias regras de sobrevivência.
Por exemplo, hoje, o dinheiro é um dos maiores fatores de peso nas nossas vidas, e por isso procurámos uma forma de ganhar dinheiro. No futebol, passa-se exatamente a mesma coisa. Existem regras e conceitos a que não podemos fugir, para, no mínimo, querermos ser bem-sucedidos. Mas o que está em causa aqui? Já vamos ao artigo, apenas quero deixar uma pequena e rápida entrada.

Porque um treinador bem-sucedido deve saber muito mais além de futebol para que tenha sucesso no futebol?

O futebol, não depende apenas de técnica, tática, treino e psicologia. Construir uma equipa bem-sucedida não depende apenas de escolher as melhores táticas e os melhores jogadores disponíveis. Construir uma equipa depende da capacidade do treinador em construir os melhores elos possíveis entre os jogadores, cujos elos permitem os jogadores explorar a realidade desportiva da melhor forma. A competição e a pressão do sucesso a curto prazo são os dois maiores obstáculos para o sucesso a curto prazo, e a economia desportiva é um obstáculo a médio prazo. Por isso, os bons treinadores não escolhem apenas os melhores jogadores disponíveis para jogar num modelo de jogo qualquer, mas escolhem os jogadores que melhor se adaptam ao seu modelo de jogo e à competição em simultâneo. Já os melhores treinadores sabem escolher e preparar um modelo de jogo e uma equipa em sintonia com a competição, usando a mesma não como obstáculo, mas como plataforma para valorizar toda a equipa, permitindo que esta se renove ano após ano. Assim, os melhores treinadores do mundo não têm apenas a capacidade de escolher os melhores jogadores, mas também a capacidade de conciliar as limitações do atleta com as limitações da competição, e vencer a partir daí. Isto não se constrói com táticas, mas com treino, trabalho e diretrizes fundamentadas!


       Seguindo a ordem de pensamento deste excerto, será bom procurar entendermos as raízes que alimentam a competição futebolística a que nenhum treinador ou modelo de jogo pode fugir. Essas raízes chamam-se princípios, e sempre que um treinador foge a esses princípios, como não construir um modelo de jogo equilibrado, diminui drasticamente as hipóteses de ser bem-sucedido. Qualquer modelo de jogo bem-sucedido foi sempre pensado a partir dos princípios adaptados ao futebol. Os princípios gerais estão sempre presentes em qualquer modelo de jogo bem definido. Vamos perceber porquê.

A função dos princípios gerais no futebol

Existem vários princípios aplicados ao futebol, desde gerais, operacionais e específicos mas vamos rapidamente virar as nossas atenções para os princípios gerais. Por referência, Castelo (1994), afirma que os princípios gerais visam assegurar as linhas básicas que orientam e coordenam as atitudes e os comportamentos técnico-táticos durante o jogo. Comecemos por um desses princípios


- Os detalhes dentro do campo

Durante uma partida de futebol, vários acontecimentos se sucedem, como a movimentação da bola, dos colegas de equipa e dos adversários. Todos estes acontecimentos tem uma razão para acontecer. Logicamente que qualquer jogador precisa estar com a máxima atenção nesses pormenores, e saber quando se movimentar e agir. A isso nós chamamos de concentração psicológica, onde o jogador se encontra totalmente concentrado no jogo.Para atingir excelentes níveis de concentração, o treinador não deve nunca dar demasiada liberdade ao jogador para que este desvie a atenção para fora dos treinos, mas deve dar sempre liberdade suficiente para o jogador explorar o treino. Enquanto isto, deve variar os exercícios e a dinâmica dos exercícios, para que o jogador reconheça, mais facilmente, as várias situações de jogo, tornando a tarefa de concentração durante a competição bem mais fácil.


- Respeitar o modelo de jogo

Quando um treinador estabelece um modelo de jogo para a equipa, estabelece várias situações gerais a esse modelo de jogo, funções aos vários jogadores nas várias fases e/ou momentos de jogo. Isto quer dizer que, durante uma partida de futebol, cada jogador tem uma função para cumprir, independentemente do momento de jogo em que se encontra. Assim, quando o treinador insere o modelo de jogo na equipa, os jogadores podem até não reconhecer que existe comunicação em comum entre os vários elementos da equipa, mas o treinador já preparou um modelo de jogo onde todos os jogadores influenciam nos vários momentos de jogo, isto claro, ao jeito do treinador.


É tão importante conseguir fazer os jogadores a jogar de determinada forma como conseguir fazê-los jogar regularmente dessa forma. Para isso, a estabilização desportiva, encontrada na periodização tática, assim como o princípio da continuidade do treino, que eu venero muito (encontrado neste livro), em conjunto permitem criar os hábitos no jogadores, que são justamente esses hábitos que levam os jogadores a jogar como o modelo de jogo determina.


- Encontrar equilíbrio entre a ocupação de espaços

Durante as várias fases de jogo, as equipas criam zonas de pressão, onde se pressionam em simultâneo pela disputa da bola assim como pela disputa do espaço. Durante uma partida de futebol, não é possível saber quais zonas vão ser ocupadas por vários jogadores formando as ditas zonas de pressão. Nessas zonas procura-se recusar a desvantagem numérica, evitar a igualdade numérica e procurar sempre a vantagem numérica. Então, o modelo de jogo deve ser dividido em apenas dois setores, como tenho vindo a defender, onde estes dois setores são divididos pela linha da bola.


Refiro apenas dois setores, que vou explicar e defender ao longo do tempo aqui na comunidade, mas que explico um pouco neste momento. Uma vez que não é possível descobrir quais são as zonas de pressão que vão ser criadas durante a partida, e sabendo que é necessário construir ações ofensivas para aproximar a equipa do golo, que por sua vez resulta no aumento de probabilidade de perder a posse de bola, existe muita importância de criar superioridade numérica atrás da linha da bola em primeiro plano, e apenas criar, pelo menos, igualdade numérica em frente à linha da bola em segundo plano. Ao criar vantagem numérica atrás da linha da bola, desde que esta esteja equilibrada e seja "ligada" ao setor ofensivo, a equipa garante uma zona de pressão de segurança defensiva. Mesmo que a equipa perca a posse de bola, pode recuperá-la com facilidade, assim como as ações ofensivas tem mais liberdade, aumentando também a probabilidade de serem bem-sucedidas. Completando, um excelente modelo de jogo está preparado para as zonas de pressão gerais, deixando a preparação dos jogos para as zonas de pressão especificas.


- E companheirismo entre os colegas de equipa

Mesmo que um treinador não seja um treinador de sucesso, sou seu fã se esse treinador não gostar de vedetas, mas de jogadores de equipa. E jogadores de equipa não são jogadores que sabem tabelar com vários jogadores, que sabem esperar pela bola no momento correto nem atrair jogadores para libertar companheiros. Isso é jogo em equipa, não é ser jogador em equipa.

Um jogador de equipa reconhece que tem uma função, a par de outras dez funções dos seus colegas em campo, em sintonia com as funções da equipa técnica no banco. No entanto, o jogador não se deve importar quando é valorizado apenas por cumprir a sua função. Os colegas precisam de coberturas defensivas e apoios, precisam de inteligência tática de um colega que embale a equipa, precisam de sentir sacrifício de um colega para que eles mesmos sintam a necessidade de se sacrificar. Isso sim, eu chamo jogador de equipa, que é aquele jogador que usa a sua liberdade para apoiar a equipa, em sintonia com a sua função. Bons jogadores de equipa sabem jogar taticamente em equipa, mas os melhores jogadores de equipa sabem puxar pela equipa motivá-la durante o jogo, e por vezes, basta uma ou duas ações de um jogador destas características num mau período de jogo para que toda a equipa encontro forças e resolva o jogo por si mesma.


A importância dos princípios gerais

Quando eu crio modelos de jogo para publicar como artigos, oriento-me imenso por princípios, seja de construção, sejam de apoio, ou sejam princípios que eu mesmo acredito e que vêm de fora do futebol. Durante a criação de um modelo de jogo, a nossa base nunca deve ser as ações técnico-táticas, estratégias nem sistemas de jogo. A nossa base devem ser princípios de jogo, sempre princípios de jogo, e aí sim, vamos buscar uma razão para construir as estratégias e sistemas de jogo para o nosso modelo de jogo.


Por exemplo, sabendo nós que o futebol é gerido por probabilidades, onde as escolhas dos jogadores representam maiores ou menores probabilidades de sucesso, devemos sempre criar uma forma de jogar, tanto para diminuir as probabilidades de insucesso como para nos precavermos caso em algum momento, um jogador não tenha sucesso. Por isso, apesar de no momento ofensivo a equipa estar na posse de bola, a probabilidade de perder a bola é elevada. Então, para nos precavermos dos perigos do jogo e do adversário, a superioridade numérica é criada atrás da linha da bola, mas com estes jogadores próximos da linha, garantindo a cobertura defensiva ao portador da bola e aos jogadores em frente à linha da bola. Estes jogadores, não estão a ter destaque algum, mas estão a ser companheiros de equipa, estão a analisar o jogo e em contínua movimentação, desgastando a mente e o corpo, para que os colegas ofensivos possam criar oportunidades de tentar golo. Desta forma, os colegas ofensivos têm muitas e mais hipóteses de marcarem golo, e com isso, os jogadores atrás da linha da bola saem valorizados do jogo. A isto chamo companheirismo e equilíbrio entre setores.


Obedecendo aos princípios de jogo, a equipa encontra uma forma de jogar comum a todos, onde a comunicação se faz sem palavras, mas com gestos, movimentações. A equipa até deixa a impressão que conseguem ler o pensamento uns dos outros. E assim o Pep Guardiola fez sucesso no FC Barcelona!

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