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Como analisar uma equipa em 8 etapas

Posted by Valter Correia on October 6, 2013 at 10:30 AM

        Se o leitor acompanha a comunidade Teoria do Futebol com frequência, certamente já se apercebeu ao valor que atribuímos à análise dos jogos, seja para retirar feedback para melhorar as nossas equipas, seja para preparar o próximo jogo do fim de semana. Após a publicação deste artigo e também deste artigo, e atendendo à sugestão do nosso leitor Pedro Morais, apresentámos um manual para elaborar excelentes análises de jogo. Existe uma elevada importância em fazer uma correta análise de qualquer equipa, desde conhecer um adversário e saber como se vai enfrentá-lo, como conhecer a própria equipa e saber como melhorá-la.


       Primeiro passo: identifique o sistema tático em que a equipa está a jogar


       Quando construímos uma casa, começamos sempre por baixo e não pelo telhado. Com um relatório de uma equipa, acontece exatamente a mesma coisa. Observando o adversário, devemos identificar em que sistema tático está a jogar, como por exemplo em 1-4-3-3, ou 1-4-4-2, ou 1-3-4-3, ou seja qual ele for. Nunca devemos analisar outra coisa qualquer do que o sistema tático nesta fase, porque, ao reconhecer a base da organização de uma equipa, podemos encontrar mais facilmente os seus pontos fracos e fortes. Através do reconhecimento do sistema tático utilizado por uma equipa, facilmente encontramos as movimentações, os posicionamentos de base e as possíveis estratégias que essa equipa utiliza. Compreender também como funcionam as linhas de marcação, será certamente uma excelente ajuda na observação da equipa.



 

       Segundo passo: identifique os grandes princípios de jogo


        Pessoalmente, considero este passo muito importante, pelo simples facto que os grandes princípios de jogo ditam quase tudo acerca uma equipa. Por exemplo, uma equipa que tem como princípio para recuperar a bola, o pressing em zonas mais adiantadas, tem um ponto fraco nas suas costas da defesa, obriga-nos a circular a bola com velocidade e segurança, e as transições terão de ser rápidas, e provavelmente, verticais. Apenas identificando o princípio do pressing em zonas adiantadas do terreno, facilmente escolhemos uma estratégia para o nosso jogo.


 

        Terceiro passo: reconheça quais são os comportamentos em cada momento de jogo


       Uma coisa são princípios, que se estendem a todos ou alguns momentos de jogo. Outra coisa são comportamentos específicos de cada momento de jogo. Devemos, então, analisar como a equipa se comporta coletivamente em cada momento de jogo, para que possamos compreender que vantagens e desvantagens temos quando jogarmos contra essa equipa em cada momento de jogo. Por exemplo, se uma equipa pressiona forte no seu meio-campo defensivo no momento defensivo, e tenta fazer a bola chegar a dois ou três jogadores na transição ofensiva, à partida, devemos criar uma organização coletiva que impeça a bola de alcançar esses jogadores, seja recuperando ou intercetando a mesma.


 

       Quarto passo: Identifique as funções de cada jogador


       Se já sabemos qual é o sistema tático em que joga uma equipa, que às vezes demora apenas alguns segundos, será mais fácil reconhecer as funções dos jogadores. Por exemplo, reconhecendo que o adversário joga em 1-4-3-3 com triângulo de base alta, sabemos que tem apenas um médio defensivo e podemos encontrar a função desse médio defensivo, como por exemplo, se fica sempre perto dos defesas centrais ou se participa ativamente no ataque. A função de cada jogador deve ser reconhecida em cada momento de jogo. Isto quer dizer que cada jogador tem comportamentos próprios em cada momento do jogo, e estes comportamentos devem ser reconhecidos individualmente para cada um dos adversários. Desta forma, sabemos o que vai fazer cada jogador em campo, e podemos criar movimentações na nossa equipa que antecipem cada movimento de cada adversário, diminuindo a sua capacidade de ação.




 

       Quinto passo: Encontre as características individuais dos adversários


       Isto será especialmente úti para criar zonas de pressão estratégicas. Por exemplo se um dos médios é lento a reagir em situações de 1x1, sendo facilmente ultrapassado por um jogador que tenha técnica e velocidade de execução elevadas, então nada melhor do que utilizar o nosso médio com essas duas características e colocá-lo frente a frente com o médio adversário. Como vantagens, temos: o médio é frequentemente driblado; vão surgir imensas faltas causadas na zona onde esses dois jogadores se encontrarem; após algum tempo em desequilíbrio defensivo, outros jogadores ajudarão o médio em dificuldades. Isso representa que deixaram espaços livres, que podemos explorar.


 

        Sexto passo: Identifique os comportamentos habituais da equipa


       A estes comportamentos, podemos também chamar de padrões de jogo. Nem sempre é fácil, e por vezes, só por repetição em vídeo podemos identificar quais são os padrões de jogo de uma equipa. No entanto, não é impossível identificá-los, mas é extremamente importante. Pessoalmente, considero que os padrões de jogo devem ser identificados à parte dos princípios e comportamentos da equipa. Não só porque são jogadas melhor treinadas que as restantes, como às vezes são variações dos princípios da equipa, seja para jogar em criatividade, seja para criar dinâmica na sua forma de jogar. Ao reconhecer cada um destes processos ou padrões de jogo, podemos preparar uma estratégia para os parar antes de a equipa adversária os conseguir realizar.


 

        Sétimo passo: Analise bolas paradas


       Jorge Jesus refere, e com razão, que as bolas paradas são o quinto momento de jogo. Concordo plenamente, porque não fazia sentido não atribuir esta importância a uma parte do jogo onde muitos jogos são resolvidos. Analisar profundamente, os cantos, os livres diretos e indiretos, os lançamentos laterais e os pontapés de baliza, não só pode fazer com que a nossa equipa impeça a estratégia adversária, como recupera a bola e assume o controlo do jogo.


 

       Oitavo passo: identifique a variação de comportamentos e atitudes ao longo da partida


       Certamente, se costuma seguir algumas equipas com frequência, já reconheceu que existem momentos do jogo em que essas equipas tem quebra de forma. Por exemplo, algumas equipas têm uma pequena quebra de forma após o intervalo, outras precisam ainda de criar ritmo no início da partida, assim como existem aquelas equipas que tem altos e baixos ao longo de uma partida. Se o treinador sabe em que momentos a equipa vai ter uma quebra de forma, sabe que pode aproveitar esses momentos para pedir ritmo elevado à sua equipa, uma vez que nesses momentos, a equipa adversária se apresenta algo débil.

 

       Conclusão


       Não é necessário seguir à risca cada um dos itens de um relatório de jogo pré-preparado. Por vezes, esses relatórios são feitos para outra pessoa, preparados para a sua visão de jogo e para as suas ideias. Evite cair nesse erro, de seguir um modelo de análise alheio onde as suas ideias não coincidem, pois pode ter a certeza que no final, ficará incompleto. Existem dezenas de modelos de análise que podemos encontrar pelo mundo inteiro, e nem todos eles vão de encontro com a forma como vemos um jogo e a que coisas damos importância. Isso não significa que possamos encontrar um modelo de relatório com o qual nos identificamos, mas o melhor remédio é mesmo fazer as análises à nossa maneira.


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Categories: Observacao e análise

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