Teoria do Futebol

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Entrevista a Rui Carvalhal, coordenador e treinador

Posted by Valter Correia on July 10, 2013 at 3:35 PM

 

       Existem vários planos e estratégias para direcionar as nossas escolhas e caminhos para o sucesso. Muitas vezes, essas escolhas nem sempre são as mais corretas, não pela capacidade de nós tomarmos boas decisões, mas pelo receio e pelo medo de tomar decisões. Várias vezes nos encontramos numa situação onde sentimos que devemos escolher entre o certo e o errado, quando na realidade devíamos escolher entre o melhor e o pior. Independentemente disso, pessoas de sucesso fazem as suas escolhas com base na sua paixão, porque a paixão eleva a vontade de vencer e faz tomar decisões mais arriscadas, mas com maior sucesso. Pessoas de insucesso não são capazes de tomar grandes decisões, preferindo ficar na sua zona de conforto do que enfrentar o mundo sem medo do que o povo alheio possa falar bem ou mal.

        Falando um pouco de mim, não sou caso único neste mundo nem sou ninguém especial. É verdade que tenho mesmo muito mas muito para aprender, até um dia ser treinador ou teórico profissional. Mas, tal como certamente a maioria dos leitores, todos nós partilhamos a paixão pelo futebol, alguns pelos milhões que podem ganhar, outros por comandar equipas, outros pela vontade de vencer jogos e ainda outros apenas e só porque jogaram à bola quando eram mais novos.

        Todos temos as nossas razões para amar o futebol. Eu tenho as minhas, e é por esta razão que escrevo, estudando e partilhando o que aprendo. O meu maior prémio certamente foi entrar em campo pela primeira vez, a convite de outro treinador que em breve publicarei a respetiva entrevista e a convite do Coordenador da Associação Desportiva e Cultural da Correlhã, Rui Carvalhal. Segue-se então a entrevista




Teoria do Futebol (TDF) - Muitas equipas técnicas são compostas por treinadores e treinadores adjuntos, mas eu estive numa equipa técnica onde o Rui acumulava funções de treinador e coordenador. Qual é a diferença entre essas duas funções e quais as vantagens de ter um coordenador no clube?

Rui Carvalhal (RC) - Na minha opinião, enquanto treinador temos sobretudo que pensar na nossa equipa, embora os treinadores de formação devam ter sempre ter em conta o interesse do clube, e isso é o que um coordenador deve ter sempre presente nas suas ações, o melhor para a formação do clube e dos jogadores. Para mim é crucial um coordenador de formação no clube, alguém que trace um rumo para todos, de forma a trabalhar com um objetivo comum que será sempre a boa formação dos nossos jovens atletas!

 

TDF - O trabalho de um treinador é muito extenso, mas pode ser orientado com base em filosofias e ideias. No seu ponto de vista e de forma geral, quais filosofias deve seguir um treinador?

RC - Um treinador deve, na minha opinião como é óbvio, seguir sempre os seus instintos, aquilo que ele pensa ser o mais benéfico para a equipa, ser coerente, firme, mas não teimoso para perceber quando está errado, saber sobretudo saber traçar o melhor caminho para o sucesso coletivo e ter coragem para ser o primeiro a enfrentar as adversidades que encontrar pelo caminho.

 

TDF - A primeira coisa que eu reparei quando fiz parte da sua equipa técnica, foi o ambiente agradável que encontrei no plantel. Quais são as vantagens desse tipo de ambiente num plantel?

RC - Para mim esta questão é de extrema importância, visto que no meu entender o bom ambiente num grupo de trabalho faz toda a diferença! Podemos treinar muito bem, ser muito bons taticamente e estrategicamente, mas se o grupo não estiver unido e confiante naquilo que são as nossas ideias não conseguimos atingir os objetivos de certeza absoluta. Por isso o treinador deve ter a sensibilidade para perceber como está o grupo de trabalho e unir todos num espírito de camaradagem e ambição para lutar pela vitória!



 

TDF - Muitos treinadores acreditam que deve ser mantida uma certa distância entre treinador e jogador, outros acreditam que deve existir um equilíbrio, onde a ideia do jogador é fundamental. Em que ficamos?

RC - De facto existia muito a ideia de que o treinador não se devia relacionar com os jogadores de forma a manter uma certa distância para não quebrar o respeito do jogador pelo treinador. É uma forma de trabalhar que eu não equaciono, não tenho qualquer problema em ter uma relação próxima com os meus jogadores. Contudo, os jogadores devem ter a capacidade de separar as coisas! O treinador é um amigo, mas eles têm que ter sempre presente que ele é o líder do grupo e que o devem respeitar como tal!

 

TDF - Um pouco de organização tática. Sem dúvida que todos os jogadores são importantes. Mas em vários modelos de jogo, alguns jogadores são fundamentais, e outros são apenas de apoio, sem deixarem de ser importantes. Esse tipo de modelos de jogo é saudável?

RC - Para mim não existem jogadores fundamentais nem jogadores de apoio, são todos importantes na dinâmica do coletivo, naquilo que são as nossas ideias para a forma de jogar da nossa equipa! O modelo de Jogo é a nossa forma de estar em campo, a nossa identidade, os nossos comportamentos coletivos e para isso todos devem estar envolvidos e todos são fundamentais. Não posso dizer que um é importante e outro de apoio, porque num jogo coletivo apoias e és apoiado!

 

TDF - O Rui prefere equipas organizadas em detrimento de equipas sem filosofias ou sem ideias., e porque?

RC - No meu entender é óbvio que uma equipa organizada, coerente, onde todos sabem a sua função dentro de um modelo de jogo trabalhado, tem muitas mais possibilidades de vencer do que uma equipa desorganizada! Não podemos querer que num jogo de 11 x 11, os jogadores saibam a melhor forma de vencer sem isso ser trabalhado e organizado pelo treinador, contudo o talento individual faz a diferença, e isso é bom a meu ver, o nosso desafio é que ele faça a diferença dentro de uma estrutura e de um modelo organizado!


TDF - E quais são os aspetos que considera mais importantes para formar a base de uma boa organização?

RC - Muito sucintamente, coerência, rigor, ambição, competência e muita paixão pelo jogo!


TDF - Qual é mais importante: a formação de um modelo de jogo em função dos jogadores, ou a formação de um modelo de jogo em função da competição? Ou os dois? E Porque?

RC - Quando o treinador elabora um modelo de jogo para a sua equipa deve ter em conta as suas ideias de jogo e os jogadores que tem à sua disposição e a competição em que está inserido. Agora se estivermos inseridos em várias competições, serão sobretudo aspetos estratégicos do jogo que podemos alterar, visto que não podemos andar a mudar o modelo de jogo de semana para semana em função da competição!

 

TDF - Ataque em profundidade ou ataque em amplitude?

RC - Esta questão está relacionada com a anterior na medida em que depende dos jogadores que tivermos à nossa disposição. Eu não posso querer jogar em largura se não tiver bons extremos e laterais e também não posso querer jogar em profundidade se não tiver avançados com boa capacidade de desmarcação e jogo vertical. Agora se puder escolher, confesso que gosto muito do jogo a toda a largura do campo com constantes criações de oportunidades de finalização pelos extremos, mas numa situação mais estratégica, o jogo mais direto e vertical na profundidade também não é de descartar!

 

TDF - Finalmente, agradeço a oportunidade que me ajudou e aprendi imenso. Algum conselho para os treinadores jovens que, como eu tem pretensões a nível profissional?

RC - O conselho que dou é o mesmo que eu próprio sigo, ser ambicioso mas humilde para querer aprender cada vez mais, não desistir e sobretudo ter muita paixão pelo jogo!


No final desta entrevista, convido o leitor a conhecer mais treinadores ou a visitar o nosso mapa do site

 

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Categories: Treinadores e Entrevistas

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