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A analise da final da Liga Europa, entre SL Benfica e Chelsea FC

Posted by Valter Correia on May 20, 2013 at 8:00 AM

        Felizmente, tive a oportunidade de ver e rever a final da Liga Europa, um encontro onde duas equipas de grande nível realizaram um excelente jogo, sem polémicas, com bastante cautela, bem preparadas e com estratégias bem definidas. Rafael Benitez e Jorge Jesus conheciam bem o adversário, e prepararam o jogo de forma espetacular. Parabéns aos dois treinadores!


Gostaria só de salientar que esta análise também foi publicada no Jornal Record




       Analisando o Sport Lisboa e Benfica

 

       Quando comparado com a meia-final da Liga Europa, onde o SL Benfica dominou por completo, apresentou uma postura mais estática, com os jogadores defensivos mais agarrados às posições. Embora participassem imenso nas ações ofensivas, a função dos defesas laterais pouco mais além foi do que ampliar o jogo.


       Apresentando um sistema tático baseado no 4-2-2-2, com Matic e Enzo, Gaitan e Salvio e Rodrigo e Cardozo, a equipa procurou imensas vezes a amplitude forte e bastantes cruzamentos, procurando Cardozo. A estratégia foi acertada, visto que a equipa criou várias situações de perigo. Rodrigo habitualmente investe nas costas da defesa e em movimentações em profundidade, ao contrário de Cardozo que faz o movimento contrário: move-se entre as linhas e só depois de tabelar é que se movimenta para a linha da defesa adversária. Cardozo é peça fundamental no modelo de jogo do SL Benfica, uma vez que temporiza o jogo vezes sem conta ao mesmo tempo que a equipa sobe as linhas e compacta-se ofensivamente.


       Na transição ofensiva, Matic é responsável por manter cobertura aos jogadores mais adiantados e deixar o espaço central sempre seguro. Poucas vezes se liberta do corredor central, e fá-lo porque não existe mais ninguém a fazer contenção ao portador da bola adversário. É um trinco alto, forte, rápido e muito estável nas suas funções defensivas. Enzo Perez é o homem de transição da equipa. A maior parte das transições passam pelos pés deste jogador, onde as habituais ações técnicas são o transporte de bola enquanto a equipa acompanha.


       Na transição defensiva flutuam para a zona onde se encontra a bola e pressionam o portador da bola rapidamente. Durante a saída de jogo adversária, fazem alguma pressão ao portador da bola. Entretanto, fizeram a pressão em zonas demasiado baixas e permitiram o adversário criar inúmeras situações nas suas costas, embora sem grande sucesso na maior parte delas.


       Destaque para Enzo Perez e Cardozo, motores da equipa, um para a transição ofensiva e outro para a criação de situações de finalização. Apesar de Cardozo ser lento, a sua técnica passa por receber, rodar e rematar, jogar de costas para a baliza para temporizar e esperar pela equipa e remates de longe com muita força, que foi suficiente para criar bastante perigo na baliza de Petr Cech. Neste jogo participou imenso no jogo aéreo, chegando mesmo a fazer um golo após um cruzamento, mas em fora-de-jogo.




       A análise ao Chelsea Football Club


       O treinador do clube inglês, Rafael Benitez, sabia mesmo o que a equipa precisava para o jogo, sabia que o adversário estava mais desgastado assim como o modelo de jogo da equipa portuguesa desgastaria mais rapidamente os jogadores. Sabia quais os pontos fracos que surgiriam durante o jogo e estava pronto para os explorar. Uma postura defensiva sólida, médios ofensivos muito rápidos e Fernando Torres que fez um jogo espetacular sem grande esforço, suficiente para vencer a partida.


       A transição ofensiva, muito eficaz, foi talvez o momento de jogo mais importante para o Chelsea. A estratégia, passou por esperar o adversário transitar ofensivamente e deixar espaço no seu meio-campo defensivo. A pressão foi sempre passiva, deixando o adversário jogar vezes sem conta, deixando-o aproximar da baliza para conseguir espaço mais que suficiente para transitar com qualidade. Após a recuperação da posse de bola, Oscar na esquerda, Mata no meio e Ramires na direita, mais adiantado que os outros dois médios ofensivos, foram responsáveis por transitar com velocidade. Fernando Torres também participou imenso nas transições, sempre posicionado entre as linhas adversárias para receber e segurar a bola. Quando em ataque posicional, a equipa manteve a transição direta e vertical, procurando a velocidade de Ramires e as costas da defesa através de passes para Torres.


       Defensivamente, a equipa agrupou-se entre o 4-4-1-1 e o 4-2-3-1, procurando sempre, pelo menos, duas linhas de marcação estáveis no seu meio-campo defensivo. A forma como impressionaram impressiona, porque não foi necessário grande esforço para recuperar a posse de bola. Geralmente, a equipa portuguesa adianta muito as suas linhas quando Enzo Perez transporta a bola, acabando por soltar em zonas mais adiantadas, É exatamente neste momento que a equipa tenta recuperar a posse de bola, aproveitando que estão vários jogadores à frente da linha da bola e existe imenso espaço para procurar a transição ofensiva. Não é fácil destacar jogadores do Chelsea neste jogo. Torres, talvez pelo golo marcado e por segurar várias transições ofensivas terá sido o maior destaque, permitindo excelentes transições após a recuperação da bola. David Luiz surgiu na posição de médio defensivo, mantendo sempre o espaço fechado e participando várias vezes no ataque. Jogou a grande nível. Por fim, destaco Ramires, médio-ofensivo responsável por participar nas transições ofensivas posicionais, onde a equipa explorou as costas da defesa adversária essencialmente através de Ramires.




       Concluindo esta análise, compreende-se porque o Chelsea foi um justo vencedor.


       A estratégia do Chelsea, com excelentes diagonais de Oscar e Ramires, passou por esperar quando atacar. Por sua vez, a estratégia do SL Benfica não foi mais além do que jogar como de costume, com qualidade, com transições ofensivas rápidas, de qualidade e bem treinadas por Jorge Jesus, aliando a dinâmica ofensiva conseguida pela povoação do meio-campo ofensivo e pela velocidade de dois excelentes médios-alas. Tenho a certeza que se este jogo entre estas duas equipas, fosse repetido vezes sem conta, com as mesmas estratégias, o Chelsea Football Club venceria vários jogos, mas o SL Benfica também venceria. Duas excelentes equipas!


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Categories: Observacao e análise

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1 Comment

Reply Manoel
9:29 PM on May 22, 2013 
Aprecio o conteúdo deste site e muito interessante essa publicação de analise das duas equipes. Não tive a oportunidade de ver a partida ao vivo e muito menos a reprise do mesmo. Mas, com esse artigo consegue-se ter uma dimensão do que foi a partida. Abraços !