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Principios para construir um modelo de jogo equilibrado

Posted by Valter Correia on May 1, 2013 at 3:15 PM

       Existem vários fatores que interferem na idealização de um modelo de jogo para a equipa. No artigo Como preparar uma época desportiva - Parte I, explicamos alguns fatores externos para preparar um modelo de jogo, e hoje explicaremos a importância de cada espaço do campo e cada função quando preparamos um modelo de jogo. Desde sempre defendo que um modelo de jogo deve ser equilibrado, seja ofensivo ou defensivo, de forma a que a equipa participe por completo em todos os momentos de jogo, onde qualquer jogador tem uma função a cumprir. Porquê?

 

       Ao longo deste artigo, fundamentarei algumas das minhas regras ou princípios essenciais para construir um modelo de jogo eficaz, onde cada jogador da equipa está ligado aos restantes jogadores, onde a função de um jogador é antecedida por outra função de qualquer jogador e é seguida também por qualquer função de qualquer jogador. Estes são os princípios que eu acredito e eu defendo.


      Princípio da distância

       Todos os jogadores devem jogar posicionados em distâncias que equilibrem a equipa


       Qualquer jogador deve reconhecer qual a distância a que deve jogar dos seus colegas de equipa, independentemente do momento ou fase do jogo. Distâncias demasiado grandes ou demasiado pequenas retardam na construção de jogo da equipa, retardam ou impossibilitam a recuperação de bola, aumentam a probabilidade de desequilíbrios entre a própria equipa e aumentam o desgaste da equipa.


       A distância entre dos jogadores de futebol é um problema por resolver para várias equipas, que acaba por impossibilitar processos tanto ofensivos quanto defensivos. Dois jogadores devem estar sempre distanciados de forma equilibrada, de tal forma que possam acelerar o jogo quando estão na posse de bola, como retardar o jogo quando não estão na posse de bola. Sempre que dois jogadores estão demasiado distanciados entre si, não só demoram tempo a recuperar o espaço quando a equipa perde a bola, como oferecem tempo ao adversário para recuperar posições quando os dois jogadores fazem contacto (passe). Exceto quando o adversário está desequilibrado, uma distância desequilibrada entre jogadores da própria equipa será sempre desvantajosa. Vejamos alguns exemplos:




       Na figura 1 A, a equipa domina a posse de bola, dispõe de linhas de passe, tem vantagem numérica na sua defesa se perder a bola, mas os jogadores defensivos estão demasiado longe do centro de jogo. Caso a equipa perca a posse de bola, basta um passe longo para o avançado da equipa contrária (Figura 1 B), esse mesmo jogador segurar a bola enquanto o adversário adianta todas as suas linhas, para que a equipa própria equipa fique rapidamente em desvantagem numérica no seu espaço do jogo, obrigando a um desgaste elevado para recuperar a posse de bola (todos os jogadores recuam, obedecendo ao princípios gerais). Neste caso, a vantagem numérica nem sempre garante segurança defensiva, possibilitando o adversário de criar uma situação de grande desequilíbrio (Figura 1 C)




        Na figura 2 A, o portador de bola é pressionado por vários adversários e dispondo de várias linhas de passe. As linhas de passe são compostas por jogadores do meio-campo, todos com adversários próximos e o meio-campo defensivo, composto por jogadores sem pressão, mas que obrigará ao desgaste durante a reconstrução do processo ofensivo. Dois jogadores estão muito distanciados do centro do jogo, não oferecendo linhas de passe que possam fazer progredir o processo ofensivo. O lateral direito, posicionado muito atrás, não pressiona qualquer adversário e não participará em ações defensivas dentro de qualquer instante. O médio ofensivo direito, oferece uma linha de passe, no entanto insegura. Qualquer um destes jogadores deveria ocupar o espaço livre no flanco direito. Se este espaço for ocupado por um desses dois jogadores, de preferência o lateral direito, a equipa pode retirar a bola da pressão do centro do jogo (Figura 2 B), invertendo o flanco, levando a bola para uma zona com pouca pressão, com tempo para pensar e tempo para criar situações de finalização.




       Na figura 3 A, dois jogadores não equilibraram a distância entre os jogadores das suas costas e os jogadores a quem oferecem cobertura defensiva. O lateral direito está demasiado afastado do jogador que devia marcar, formando vantagem numérica. Desta forma, os jogadores da equipa na posse de bola estão em igualdade numérica com os defesas, não respeitando os princípios gerais. Basta um passe longo e um primeiro toque para ultrapassar três linhas de marcação por completo e deixar um atacante isolado em frente à baliza Figura 3 B.

 

       Após a análise de apenas duas situações, compreendemos que a distância entre um jogador e o portador da bola retarda ou destrói por completo um processo de jogo. Na primeira figura, o processo ofensivo da equipa foi destruído por completo, devido à distância entre a linha defensiva e os restantes jogadores. Na segunda figura, a distância entre o portador da bola e os restantes jogadores não permite qualquer linha de passe segura que ofereça continuidade ao processo ofensivo. Na última figura, os jogadores estão próximos o suficiente para criar vantagem numérica no centro do jogo, mas demasiado afastados para criar vantagem numérica num centro de jogo que pode vir a surgir.


       Princípio do direcionamento individual

       O portador da bola deve procurar virar-se para o centro de jogo, o mais rapidamente possível.

 

       Seja qual for o portador da bola e seja qual for o momento do jogo, o portador da bola deve procurar um centro de jogo para construir jogo e virar as suas atenções para esse centro de jogo, esteja esse centro de jogo longe ou perto. Deve fazê-lo por várias razões, todas variantes, tais como:




       Linguagem corporal: Quando a equipa tem duas opções para avançar com a sua estratégia de jogo, a tomada de decisão entre uma dessas opções parte sempre do portador da bola. A tendência dos jogadores sem bola é acompanhar o portador da bola, pois apenas observando qual é a direção para qual o portador da bola está voltado, toda a equipa sabe qual é o próximo processo de jogo que todos vão tentar em conjunto. Por exemplo, no modelo de jogo da figura 4, dispomos de dois métodos ofensivos: cruzamento do meio-campo para uma zona extremamente povoada por jogadores da própria equipa e levar a bola até à linha de fundo, não importando o objetivo. Através da análise da direção para onde está o portador da bola voltado, a equipa sabe que deve tentar povoar as zonas em frente à baliza se este está virado para o meio-campo, ou que a equipa deve tentar chegar perto da linha de fundo se este está voltado para a frente do campo.

 

       Visão de jogo: Sabendo que a equipa vai tentar um determinado processo ofensivo, o portador da bola deve estar virado para o centro de jogo que se vai suceder esse processo, isto é, virado para a zona do campo onde a equipa vai tentar atacar. Através desse direcionamento, o portador da bola tem uma visão bem mais ampla do campo, avaliando a posição dos jogadores da equipa, avaliando a posição dos jogadores adversários e avaliando se vale a pena tentar atacar por ai.


       Princípio do tempo

       Todos os jogadores devem saber qual é o momento exato para atuarem, independente do momento de jogo.

 

       O princípio do tempo é o princípio orientador dos princípios do modelo de jogo e das ações realizadas pelos jogadores. Os jogadores, tal como devem equilibrar entre a distância entre a sua posição que devem ocupar e a posição que ocupam, devem equilibrar o tempo que demoram a realizar ações, seja a nível tático, técnico:

 

  • A nível técnico: Devem saber quando desarmar, quando soltar a bola, quando fintar, quando simular, quando passar, quando intercetar, quando cruzar;
  • A nível tático: devem saber quando acelerar o jogo, quando abrandar o jogo, quando tentar situações a dois, três, quatro jogadores ou mais jogadores ou quando se devem movimentar em apoio aos colegas de equipa, seja defensivamente ou ofensivamente.

 

       O tempo que um jogador realiza uma ação técnico-tática tem bastante influência no resultado dessa ação técnico-tática. Realizar ações táticas fora do tempo aumenta a probabilidade em perder a posse de bola ou diminuem a probabilidade da equipa recuperar a posse de bola.


       Princípio da relação entre posição e função

       Qualquer posição deve ter uma função atribuída por cada momento do jogo


       Atualmente, considera-se que existem cinco momentos de jogo (transições, momentos ofensivos e defensivos e bolas paradas). Qualquer jogador deve ter uma função atribuída a cada um desses momentos de jogo. O esquema seguinte representa as zonas do campo relacionadas com as posições e as funções dos jogadores. Na figura 5, está representado as zonas do campo relacionadas com as funções de cada posição, para que o modelo seja equilibrado. Cada zona não é fixa, sendo as zonas situadas entre as linhas de fora-de-jogo e não situadas entre as linhas de fundo.




       Através da figura:


  • Zona de destabilização: Nesta zona, os jogadores mais adiantados são responsáveis por destabilizar a organização defensiva adversária.
  • Zona de desequilíbrio: Os jogadores que atuam nesta zona são responsáveis por organizar o jogo da equipa
  • Zona de segunda aceleração: Os jogadores desta zona são responsáveis por ajudar a zona de desequilíbrio a criar situações de finalização
  • Zona de equilíbrio: Esta zona deve ser sempre bem ocupada pelos jogadores da própria equipa, mantendo o equilíbrio de todas as zonas do campo
  • Zona de primeira aceleração: Os jogadores desta zona apoiam a saída de jogo e ajudam a manter o equilíbrio na zona de equilíbrio


       Após a análise destes princípios não-oficiais para a criação de um modelo de jogo, podemos agora construir o nosso modelo de jogo. Os modelos de jogo que nós já escrevemos, foram baseados nestes princípios.


       Recomendo a leitura destes artigos:



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Categories: Principios de jogo

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