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Descubra tudo acerca as bolas longas ou ligacoes diretas

Posted by Valter Correia on April 14, 2013 at 8:50 AM

 

       Desde que o mediático FC Barcelona mostrou ao mundo como é possível ter uma posse de bola de grande nível, o passe passou a ser bem mais valorizado do que era até agora. Qualquer equipa que se saiba posicionar e passa r abola tem condições suficientes para vencer qualquer partida. No entanto, passar a bola não implica apenas passes simples e/ou passes diretos. Existem também os passes longos, que dão espetáculo ao futebol, que o fazem bonito, e que fazem os adeptos ir aos estádios.

       Mas, nas ligas inferiores, pelo menos em Portugal, não se encontra passes longos de qualidade com facilidade. Mas, para as grandes equipas, grandes passes longos, seja para variar o flanco ou para colocar a bola em outro setor, fazem-me apostar em determinada equipa, não só pelo futebol bonito como pelo futebol de qualidade. De facto, ter jogadores capazes de colocar as bolas longe do centro de jogo com qualidade é sempre vantajoso, seja pelo espetáculo ou para vencer determinada partida.

 

 


        O que são ligações diretas ou bolas longas?

         Na saída de jogo ou Fase III ofensiva, referimos algumas vantagens e desvantagens das bolas longas nas equipas de futebol. A maior vantagem, para equipas ofensivas será a ultrapassagem de todas ou quase todas as linhas de uma só vez, e a maior vantagem para equipas defensivas, é evitar a perca de bola em zonas próximas à baliza. Mas o que são bolas longas ou ligações diretas?



        As bolas longas ou ligações diretas são um processo de jogo ofensivo mais rápido do que qualquer outro processo ofensivo, onde muitas equipas vencem os seus adversários pela dinâmica que apresenta um processo como este. Baseia-se na ideia que um distribuidor de jogo faz um passe longo para os jogadores mais adiantados no terreno, e estes resolvem a situação do jogo por si mesmos com pouca ou nenhuma oposição adversária. Este é um processo de jogo que pode ser utilizado em qualquer altura do jogo, de forma controlada, dependendo da situação momentânea:

 

  • Passe longo para a zona entre as linhas da defesa e do meio campo
  • Passe longo para as costas da defesa
  • Pouca ocupação de espaços por parte do adversário no seu meio-campo defensivo




        Todas as equipas devem ter esta habilidade. Porquê?


        Durante uma partida de futebol, existem duas formas de sair a jogar: pelo ar ou pelo chão. Destas duas formas, uma delas é mais eficaz em alguns momentos de jogo, a outra é eficaz em outros momentos de jogo. Por exemplo, quando o adversário posiciona muitos jogadores no seu meio-campo defensivo, a nossa equipa tem imenso espaço para se aproximar desse meio-campo e criar situações de finalização a partir daí. A bola longa nesta situação seria pouco eficaz, porque o passe seria feito para uma zona muito povoada por adversários. Se a equipa adversária coloca muitos jogadores no nosso meio-campo defensivo, a saída de jogo será difícil pelo chão, mas muito mais fácil pelo ar, pois o adversário tem poucos jogadores posicionados no seu meio-campo defensivo.


        Entretanto, o processo de bola longa é um processo mais adaptável do que a saída pelo chão, justamente porque pelo chão há oposição, mas não há oposição pelo ar. Tal argumento significa que uma equipa pode tentar uma ligação direta em qualquer altura do jogo e conseguir levar a bola ao ataque, algo que nunca conseguirá fazer através da saída de jogo pelo chão, enfrentando adversários.


       Imaginemos que uma equipa está sempre a tentar sair a jogar pelo chão, o treinador adversário nota isso e manda a sua equipa subir e pressionar alto. Então, a equipa aproveita essa movimentação, faz uma ligação direta com o ataque muito repentina, e cria uma situação de finalização que o adversário não esperava. Outro exemplo, passa pela astúcia da equipa na ligação direta, fazendo-o vezes sem conta, obrigando o adversário a manter-se recuado para criar vantagem numérica. Neste estilo de jogo, o adversário não conseguirá recuperar todas as bolas, e mais tarde ou mais cedo, acabam por surgir situações de finalização.

 

        Assim, sendo possível para qualquer equipa, levar a bola ao ataque em qualquer altura do jogo , o que ajuda à imprevisibilidade e dinâmica ofensiva, é um método de ataque que eu defendo que qualquer equipa deveria ser capaz de realizar, e que qualquer equipa deveria ter no seu modelo de jogo.




        O que é necessário para criar uma ligação direta eficaz?


        Para que este processo seja eficaz, é necessário impor alguns pormenores importantes, sejam pormenores individuais, sejam pormenores coletivos. As ligações diretas não são processos tão fáceis quanto parecem, pois apenas podem ser usados no momento certo, e nem em todos os momentos do jogo á toa. Para que uma ligação direta seja eficaz, precisamos:


        >>> Coordenação na equipa

        É necessário que, tanto o jogador que passa a bola como o jogador que a recebe estejam coordenados e saibam o que ambos vão realizar. Sem coordenação, o jogador que passa a bola pode acabar por a entregar ao adversário e o jogador que a recebe pode não conseguir recebê-la ou cair no fora-de-jogo


       Artigo relacionado: Porque as melhores equipas são muito fortes na antecipação


        >>> Visão de jogo

        O jogador que passa a bola, antes de o fazer, deve avaliar a posição dos seus colegas de equipa, a posição dos adversários, quais os espaços livres e se a equipa está pronta para tentar a ligação direta. Se a equipa estiver pronta, deve tentar fazer a ligação direta rapidamente. Se a equipa não estiver pronta, deve esperar por um momento para o fazer ou tentar outra transição ofensiva diferente.


        >>> Habilidade técnica

        Efetuar um passe longo exige sempre capacidade em passar a bola com força e precisão, assim como habilidade em receber essa bola sem a perder. Uma bola que foi passada pelo ar é muito mais difícil de receber do que uma bola que foi passada pelo chão.




        Quais os três tipos de ligações diretas que existem?


        Existem três tipos de ligações diretas que qualquer equipa pode realizar, dependendo da sua forma de jogar e da situação de jogo. Para cada tipo de ligação direta, existe uma movimentação, uma estratégia e um pequeno período de tempo que, se for deixado passar, a probabilidade de sucesso é muito menor. Vejamos os três tipos de bolas longas que existem:


        >>> Passe longo para a zona entre linhas da defesa e do meio-campo.

        Para qualquer equipa sem posse de bola, a zona entre as linhas da defesa e do meio-campo é a zona que eu considero como a mais perigosa, até mesmo do que a zona de finalização. Grande parte das jogadas de finalização podem ser iniciadas nesta zona, devido ao leque de opções para onde passar a bola, seja para a frente, para o lado ou para trás, remates de longe, trocas de flanco pelo chão, e outras várias situações. Esta zona é muito perigosa, porque entre essa zona e a baliza, existe apenas uma linha de marcação que, por vezes, está de tal forma perto da baliza, que nem é preciso ultrapassá-la para criar excelentes oportunidades de golo.




        A grande utilidade da equipa e servir-se desta zona através da bola longa, passa pela colocação da bola numa zona muito perigosa, por vezes sem oposição. Após o passe longo para esta zona e respetiva movimentação da equipa para apoiar o novo portador da bola, a equipa pode agora criar situações de finalização com bastante eficácia, desde que sejam coordenadas e rápidas, pois existem poucos jogadores adversários entre a bola e a baliza. Na figura, a equipa sem posse de bola pressionou muito alto para tentar recuperar a posse de bola. Entretanto, a equipa com posse percebeu o espaço vazio entre as linhas mais recuadas, e aproveitou rapidamente esse espaço.


       >>> Passe longo para as costas da defesa

        Se o espaço entre linhas é o espaço mais perigoso para qualquer equipa, o espaço nas costas da defesa não fica atrás, justamente pela razão que é uma zona sem oposição entre a bola e a baliza. Para juntar a isso, é um espaço móvel, onde por vezes é um espaço muito grande e fácil de explorar. A estratégia de passe longo é muito eficaz a explorar esse espaço a partir do meio-campo defensivo, uma vez que coloca um jogador sem oposição perante a baliza em apenas dois segundos.




        Quando uma equipa está posicionada muito alta e está sem a posse de bola, existirá sempre um espaço que a equipa não consegue cobrir em condições: meio-campo ofensivo, entre linhas da defesa e meio-campo ou costas da defesa. Quando a equipa deixa imenso espaço nas costas da defesa, as suas chances de sofrer um ataque nas suas costas são substancialmente maiores.


        >>> Pouca ocupação de espaços no meio-campo defensivo

        Conforme está descrito na figura, existem espaços que uma equipa deixa abertos, ora porque está a atacar muito, ora porque está mal organizada. Por vezes, surgem espaços que nada tem a ver com o espaço entre linhas, nem com as costas da defesa, mas por pura mal ocupação de espaços ou desorganização da equipa adversária.




  • O espaço livre contrário no flanco contrário é um espaço que pode obrigar a equipa adversária a desgastar-se imenso, ou que permite a aproximação da equipa em diagonal sem oposição
  • Um espaço entre dois defesas é um espaço que pode ser explorado, uma vez que um passe bem efetuado coloca um jogador de frente para a baliza sem oposição
  • Um defesa mais adiantado permite um jogador entrar nas costas da defesa sem oposição


       Artigo relacionado: Como encontrar pontos fracops através das linhas de marcação


       Então, através da análise da figura, ficamos a perceber quantas situações diferentes podem ser exploradas através do processo de bola longa, situações essas que não acontecem em espaços gerais, como entre linhas e costas da defesa, mas em pequenos espaços, apenas por falha na marcação à zona.




       Conclusão


       Após a análise do processo de bola longa, ficamos a compreender o quanto é importante que uma equipa tenha sempre esta opção disponível, para que possa criar situações de finalização em jogos difíceis. Muitas vezes, é muito difícil sair a jogar, sem mesmo se conseguir criar uma situação de finalização em condições. Mas como a bola longa é uma saída de jogo diferente da saída de pelo chão, praticamente não existe nenhuma equipa que esteja pronta para fazer face a estes dois processos ao mesmo tempo, isto é, ou não deixa o adversário sair pelo chão, ou não deixa sair pelo ar.


       Confira uma lista de artigos relacionados com a organização tática:




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Categories: Processo defensivo e ofensivo

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1 Comment

Reply AURI LUIZ WESZ
1:46 PM on January 27, 2016 
ARTIGO MUITO INTERESSANTE PARA SER EXPLORADO NOS TREINAMENTOS, MINHA EQUIPE COSTUMA SUBIR AS LINHAS E NÃO TINHA PERCEBIDO OS PROBLEMAS QUE PODERIAM SER EXPLORADOS PELA EQUIPE ADVERSÁRIA NO CASO DE BOLAS LONGAS: NOS ESPAÇOS ENTRE A LINHA DE DEFESA E MEIO CAMPO, NAS COSTAS DA DEFESA E QUANDO UM ZAGUEIRO FICA ADIANTADO.