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Entenda porque razao, os clubes nao devem formar apenas jogadores, mas tambem homens

Posted by Valter Correia on April 3, 2013 at 3:55 PM

       Frequentemente, recordamos o atleta como uma ferramenta de trabalho para um modelo de jogo, onde a técnica, a tática, o físico e o psicológico são as quatro características gerais de cada jogador. Agrupando todas estas características num só atleta, o treinador escolhe como formar o modelo de jogo para que este jogador seja valorizado da melhor forma possível, seja para o clube ganhar rendimento desportivo, seja para ganhar rendimento financeiro.

 

       A importância da formação do jogador para que possa servir os interesses do clube é uma questão muitíssimo importante, uma vez que o clube necessitará do jogador por várias razões, tais como:

 

  • Valorizar o jogador, procurando a venda por uma boa quantia de dinheiro
  • Potencial individual e coletivo, melhorando o rendimento desportivo da equipa
  • Criar histórico de sucesso no clube, ao longo do tempo
  • Potencializar o futuro do clube

 

       Compreendendo a importância destes aspetos para o clube e para o jogador, devemos também compreender que o jogador não serve apenas como ferramenta dentro de campo, uma vez que nunca deixa de ser um ser humano, dentro e fora do campo. Quero com isto dizer que o atleta não deve ser apenas formando como jogador, mas como pessoa e ser ensinado em valores desportivos como em valores morais e éticos.

 



       A formação do jovem atleta

 

       Existem imensas escolas de futebol, responsáveis por formar jogadores de futebol no bom sentido da palavra, e apenas exercitar jovens atletas que mais tarde não seguirão carreira. Muitos jovens, mais tarde ou mais cedo, acabam por abandonar o futebol por várias razões, seja porque preferem uma profissão diferente ou não veem futuro no futebol, seja porque não tem dinheiro para continuarem a praticar desporto, ou não tenham sequer tempo para o fazer, devido a outras atividades. Porém, todo o tempo que o jovem atleta gasta no clube, deve ser aproveitado, formando-o como jogador e principalmente como pessoa. Vejamos algumas situações que podem ocorrer após a má formação de um atleta, no que diz respeito à formação pessoal e não profissional:

 

  • Um atleta, que não foi ensinado a defender os valores do clube, acaba por não se importar com os objetivos do clube e deixa o clube sem deixar rendimento
  • Um atleta, que não compreende que o grupo é mais importante que o individual, irá tentar valorizar-se a si próprio, mesmo que para isso desvalorize os seus colegas
  • Um atleta, que julga ser superior tecnicamente em relação aos colegas do grupo, poderá tentar ações individuais e queimar ações coletivas da equipa
  • Um atleta, que não sabe que parte da sua responsabilidade é manter o companheirismo, ou não lhe foi imposto limites no seu lugar no grupo, poderá tentar destabilizar o grupo.


       Como podemos ver, existem vários problemas causados pela má formação do atleta no que diz respeito ao seu comportamento fora do campo. Durante a fase da adolescência do atleta, o clube oferece algo a que podemos chamar de primeiro emprego, onde o atleta poderá aprender valores que não aprende em casa, pois a sua casa não é um emprego. Por exemplo, em casa aprende o que é a ética e a educação, e no seio do plantel, aprende o que é companheirismo e humildade. Vejamos o depoimento enviado pela nossa leitora, Joana Maia:


 

       Os pais, os seus filhos, e a bola que se intromete pelo meio


       Será uma preocupação inerente a quase todos aqueles que são pais de proporcionar aos filhos uma atividade que lhes permita combater a ociosidade, a falta de atividades nos seus tempos livres e, por outro lado, fomentar o desporto, a socialização, o saber e fazer respeitar regras, o altruísmo, a capacidade de superação, o desejo de vencer, o respeito pelo próximo, etc..


       Sabemos, nós treinadores, que talvez sejamos as pessoas mais importantes no que concerne à transmissão dos valores apregoados pelas Instituições desportivas e, por esse facto, temos uma enorme responsabilidade entre mãos porque se estivermos mal preparados ou se pensarmos exclusivamente em desempenhar o nosso papel de TREINADOR poderemos estar a deformar os nossos atletas ao invés de potenciar todas as suas vertentes humanas. Claro que é uma tarefa de certa forma complexa que requer da nossa parte um conhecimento aprofundado de algumas ciências humanas mas, acima de tudo, que manifeste uma sensibilidade muito específica e devidamente direcionada para os diferentes grupos etários. Não nos podemos esquecer da forma como os atletas nos veem, da imagem que personificamos e, por tudo isso, os nossos atos serão diariamente escrutinados por todos eles, analisados ao mais ínfimo pormenor e posteriormente serão dissecados e trabalhados de acordo com as suas preferências. Claro que os Pais almejam, uns mais que outros, é certo, o sucesso quase imediato e sucessivo dos seus periquitos cedendo também eles à tentação de lhes exigir mais do que efetivamente poderão dar.

 

       É neste contexto que o papel do treinador se assume como catalisador, quer da vontade do Pai, quer da apetência do filho para a prática de determinado Desporto, na abordagem dessa problemática no sentido de clarificar e definir da melhor forma qual o melhor caminho a ser seguido pelo atleta. A competência do treinador e a sua constante reflexão sobre aquilo que se faz nos treinos ajuda a minimizar possíveis erros de avaliação sendo certo porém que por mais preparado que esteja poderá não ser suficiente para garantir um crescimento sustentado e harmonioso do atleta. Porque há situações que estão fora do controlo do treinador, e aí muitas vezes surge o papel do Pai na sua abordagem durante e fora do treino do filho que despoleta na maioria das vezes o contraditório na sua mente, este terá de desmistificar toda essa informação sob pena de colocar em risco o grupo que orienta. Já assisti a atletas, nas mais variadas idades, a repreenderem os seus progenitores pela forma obsessiva com que os abordavam no sentido de melhorarem o seu rendimento em campo.


       Assim como nas nossas vidas profissionais eles também começam a fazer as suas escolhas no desporto que praticam, nas tomadas de decisão que são obrigados a fazer e na assertividade das mesmas por isso o ideal será porventura ficarem lado a lado mas com a bola na posse do filho. Afinal de contas quem tem a bola é quem manda no jogo.

 



       Neste contexto, devemos atribuir ao clube e ao treinador, a responsabilidade de formar o jovem atleta, seja para potencializar o futuro do próprio clube, o nível de opções táticas e estratégias como imagem do clube, seja a nível desportivo, uma vez que, quando o atleta sair e representar outro clube, será uma garantia para o novo clube que terá um profissional a defender as suas novas cores, permitindo assim a evolução e valorização do desporto. Se todos os clubes se dedicarem à formação de atletas e profissionais, o futebol nunca se tornará um caos.

 

       Finalmente, quero agradecer a participação da Joana Maia, treiandora e jogadora de futebol, e convidar o leitor para alguns artigos:


 

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