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Estrategias de jogo quando as transicoes da equipa correm mal

Posted by Valter Correia on March 14, 2013 at 1:35 PM

       Anteriormente na nossa comunidade, referimos a importância das transições em jogos de futebol e como estas estão ligadas aos restantes momentos de jogo. Hoje, é o momento certo para avaliar qual é a ligação das transições defesa-ataque e ataque-defesa no jogo de futebol e compreender o que se deve alterar no jogo quando as transições não são bem feitas. Através da correta análise de jogos de futebol e transmitindo a mensagem correta aos jogadores, é possível reorganizar a equipa com sucesso desportivo. Esta foi uma sugestão de Pedro Barros, tais como:



      Primeiro passo: avaliar os quatro momentos de jogo


        Através de uma breve análise dos momentos de jogo, onde é necessário compreender como funciona cada momento, a sua importância no jogo de futebol e a forma como auxilia e interfere nos outros três momentos de jogo, vamos aprender a aplicar cada decisão em determinado momento do jogo. Sem ordem definida, existem quatro momentos de jogo (organização ofensiva, transição defensiva, organização defensiva e transição ofensiva) Excluímos as bolas paradas para este artigo, embora muitos considerem um momento de jogo tão importante como os restantes, porque entendemos que é um momento do jogo em contexto diferente. Durante uma partida de futebol, é impossível prever a ordem como estes momentos surgirão durante o jogo de futebol, e por isso, não sabemos o que vai acontecer no jogo. Não existe um padrão. Desta forma, os quatro momentos de jogo são representados da seguinte forma:




        Sabendo que cada transição depende do acontecimento anterior e faz depender o acontecimento seguinte de si mesma, isto é, a transição defesa ataque depende da forma como a equipa defende e faz depender a forma como a equipa ataca, compreendemos que existe uma ligação entre todos os momentos de jogo, e não podemos desleixar essas ligações. Atacar de uma forma, vai influenciar a forma como vamos passar à defesa e vice-versa. Não podemos dissociar. Há quem pense que os quatro momentos de jogo trabalham em separado, e eu já pensei assim. No entanto, eles trabalham em conjunto, e não os podemos dissociar. Por esta razão (e por outras), vários autores nos dizem que o todo é mais que a soma das partes.


       Vamos compreender o que acabamos de estudar: A transição defesa -ataque depende do momento defensivo, pois, onde e como a equipa recupera a bola, existem algumas transições mais eficazes que outras. Por exemplo, quando uma equipa tenta recuperar a bola no meio-campo vai atacar de forma diferente que uma equipa que tenta recuperar a bola mais atrás ou mais à frente. Através da forma que a equipa recupera a bola, e tendo em conta que o momento ofensivo depende da transição defesa-ataque, ficamos a saber que o momento ofensivo depende do momento defensivo. Seguindo esta linha de pensamento, compreendemos que cada equipa tem um certo posicionamento quando ataca e que algumas deixam imenso espaço, outras nem por isso. Através da ocupação de espaços pelos jogadores sem bola, será mais fácil ou mais difícil passar do ataque à defesa (transição defensiva) e recuperar a bola durante a transição ou já no momento defensivo.


       Assim, tendo em conta que entramos num ciclo vicioso, onde momento ofensivo e defensivo dependem um do outro e servem-se das transições para alternarem corretamente entre si, não podemos observar o jogo e encontrar o que está a correr mal analisando apenas um momento de jogo. Necessitamos avaliar os quatro momentos de jogo.


       Segundo passo: encontrar o que influencia o mau rendimento da equipa


       Aqui na comunidade, não apreciamos muito o facto que os jogadores que intervêm na bola sejam os culpados pelo mau rendimento momentâneo, pelo menos, na maioria das vezes. Vejo imensas vezes os jogadores mais ofensivos a serem culpados pela má concretização e jogadores mais defensivos a serem culpados pela má defesa. Todos, sem exceção, todos os jogadores cometem erros individuais. Por exemplo, os jogadores da primeira linha defensiva (atacantes) são culpados pela má concretização porque não tem mais colegas de equipa na sua frente e a pressão é muito elevada nas zonas destes jogadores, assim como na última linha de marcação (defesas), os jogadores são culpados por defender mal, quando estes não dispõem de cobertura defensiva. É algo que ouvimos muitas vezes por aí, em conversas de café.




       Continuando, quando pretendemos perceber qual é a lógica do jogo no que diz respeito ao coletivo, não só podemos analisar o que está a correr mal em determinado momento do jogo, como devemos prestar atenção aos restantes momentos, e procurar tecer soluções a partir daí. Vamos supor que estamos a defender com 8 jogadores, para três adversários apenas, e recuperamos a bola sempre. No entanto, contra-atacamos apenas com três jogadores, mas que não conseguem sequer chegar perto da baliza. O que está errado aqui? Será que não podemos defender com menos, e atacar com mais unidades por exemplo? Será que não é possível manter a organização defensiva equilibrada, retirando-lhe unidades, e acrescentando essas unidades ao ataque, para tentar aumentar a chance de chegar perto da baliza?


       Terceiro passo: efetuar as alterações necessárias


       Encontrado o que está a correr mal, é altura de efetuar alterações na equipa, de preferência, o mais rápido possível. Existem vários tipos de alterações que podem ser feitas numa equipa durante uma partida de futebol, dependendo da situação momentânea, do estilo de jogo do adversário, do tempo decorrido e da filosofia que o treinador pretende adotar para a equipa a partir dessas alterações, ou mesmo o que foi treinado e preparado para o jogo durante a semana. Estudemos algumas:

 

 

       Fazer substituições - geralmente, as substituições alteram o ritmo ao jogo e alteram imenso a forma de jogar de ambas as equipas. Através de uma única substituição, o treinador pode alterar por completo a forma de jogar da sua equipa, iludindo completamente o adversário.

       Estratégia ideal para momentos onde:

  1. Um jogador está fisicamente ou mentalmente desgastado, ou tem já um cartão amarelo
  2. O treinador precisa ou pretende alterar a forma de jogar da equipa
  3. Quando o adversário está a atacar imenso, o treinador faz entrar um jogador capaz de segurar o jogo
  4. Quando a equipa tem ainda hipóteses de recuperar o golo, o treinador troca um jogador defensivo por um ofensivo


       Atribuir novas funções ou mudar determinado jogador de posição - produz o mesmo efeito das substituições, embora não refresque a equipa, pois mantém o mesmo jogador, e por vezes não tem de perto o mesmo peso duma substituição. Cada jogador tem o seu estilo de jogo e a substituição troca um jogador de determinado estilo por outro jogador com um estilo diferente. Atribuir uma nova posição ou função a um jogador, mantêm praticamente o mesmo estilo

       Nesta estratégia, o treinador pode:

  1. Alterar os extremos de flancos
  2. Alterar a posição de um jogador para a substituição de um colega
  3. Suprimir um espaço vago por um jogador expulso
  4. Encaminhar o jogo da equipa por um caminho diferente
  5. Elevar a atitude e a moral da equipa perante um momento psicologicamente desgastante
  6. Disfarçar o mau rendimento de determinado jogador, auxiliando-o (colocando um colega de equipa a seu lado)

 

       Modificar os processos de jogo da equipa - Se o treinador está habilitado a fazer modificações na equipa, alterando apenas a função de um jogador, está habilitado também a fazer alterações num conjunto de vários jogadores. Esta decisão é especialmente útil quando a equipa precisa de recuperar o controlo do jogo, precisa de pressionar o adversário ou o treinador detetou um ponto fraco ou forte no adversário. Não é necessário alterar a forma de jogador de todos os jogadores, mas bata alterar a forma de jogar de apenas alguns para modificar a forma de jogar de toda a equipa.

       Os momentos ideais para o fazer, são:

  1. Quando o adversário está muito próximo à baliza, alterando o ritmo de jogo e levando-o para longe
  2. A equipa está quase a ganhar e pretende segurar o resultado
  3. Quando a equipa está a assumir uma estratégia muito arriscada para a partida


Nenhuma destas soluções é um remédio santo, seja qual for o jogo. São apenas ideias de como os treinadores podem tomar decisões. Cada jogo é diferente dos demais. Mesmo se repetirmos 10 jogos entre as mesmas equipas, nenhum desses 10 jogos será igual ao outro.


 

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Categories: Estrategias de Jogo

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