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A diferenca entre a forca na periodizacao tatica e a forca na periodizacao convencional

Posted by Valter Correia on February 14, 2013 at 3:25 PM

       Desde que José Mourinho iniciou na sua carreira profissional já passou uma década, e os títulos que vencer ainda não serviram de prova para muitos treinadores acerca a importância da periodização tática. Entre periodização convencional e periodização tática existe uma grande diferença no conceito de força aplicada ao futebol.



       A força na periodização tática e a força ma periodização convencional

 

       A periodização convencional treina a força física e a periodização tática treina a força específica. O futebol é um desporto com um elevadíssimo número de ações técnico-táticas que, comparando com embates físicos nas ações 1x1, surgem em quantidade muito superior que essas ações de embates físicos. Embora a força corporal seja uma grande influência nas ações 1x1, como cargas de ombro e disputas de bola no ar, a força física tem pouca influência nas ações técnico-táticas. Por sua vez, a força específica é necessária para o jogador de elevar no ar numa disputa de bola, é necessária para reagir com agilidade a uma carga de ombro e é necessária para efectuar praticamente todas as ações técnico-táticas.

 

       O conceito de força está mal aplicado no futebol, de tal forma que muitos treinadores e principalmente adeptos e seguidores de futebol ainda acreditam que o termo força apenas é um termo muitíssimo importante no desporto. Sim é, mas apenas nos desportos que necessitam de força física. O jogador de futebol não necessita assim tanto dessa força, pois um passe é bem mais importante que um embate físico, pois é um desporto coletivo. A força que o atleta necessita é para correr, saltar, passar a bola, todas elas forças específicas, e é nessas forças que o treinador deve concentrar o treino. Com isto quero dizer que um jogador praticamente só precisa dos músculos das penas para efetuar um passe, e apenas precisa de alguns deles, não dos músculos de todo o corpo.

 

       A periodização tática veio corrigir essa vertente do treino, anulando o desgaste físico dos atletas desnecessário, adicionando apenas o desgaste físico necessário para a área desportiva e libertando imenso tempo para exercícios focados em ações pertencentes ao modelo de jogo. Com isto, quero eu dizer que os atletas deixaram de treinar com diferenças de intensidade para passar a treinar sempre com a mesma intensidade, da mesma forma que o volume de ações se mantém estável e elevado durante toda a época desportiva. Esta mudança do treino, que fez passar o futebol de físico para tático, aumentou o rendimento das equipas, assim como exibições dos jogadores e das mesmas.

 

       Assim, ao compreender que determinada ação técnico-tática apenas necessita de alguns músculos do corpo e não de todos, então porque não escolher exercícios que treinam esses músculos em vez de exercícios que treinam músculos desnecessários, assim como indica o princípio da especificidade?

 

       O meu conselho para qualquer treinador que ainda não trabalha os seus treinos com a prática da periodização tática, é iniciar o estudo das vantagens desta filosofia ou método de treino. Após algum tempo, sentirá o quanto os atletas vão valorizar este tipo de treino. E acrescento: periodização tática não significa adicionar a bola no treino, mas significa substituir exercícios antigos.


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1 Comment

Reply Rui
2:43 PM on February 15, 2013 
Boa tarde,

Parabéns mais uma vez por um artigo interessante! Devo dizer, no entanto, que não estou de acordo com algumas coisas aqui referidas.
� referido que o sucesso de José Mourinho é a prova de que a Periodização Tática (PT) é uma metodologia de treino que permitirá melhores resultados que o dito treino convencional. Não me parece que isso seja inteiramente verdade. Existem inúmeros factores que influenciaram o rendimento de uma equipa, desde questões de liderança, organização tática ( que não é alcançada apenas através da PT), competência técnica, questões físicas, etc, e se há treinadores que alcançaram o sucesso através da implementação da PT também há outros que o conseguiram através da metodologia "tradicional" (Guardiola, Ferguson e muitos mais).
Relativamente à capacidade motora Força não me parece que o assunto seja tão simples como se quer fazer crer. Ao contrário do que é apregoado por muita gente, não deverá ser descurado o trabalhado de nenhum grupo muscular. Desiquilíbrios entre diferentes grupos musculares são a razão de um grande número de lesões e devem ser corrigidos. Músculos como os do "core" são responsáveis pela estabilização postural em muitas acções técnicos-táticas e se estes músculos não forem capazes de manter a estabilidade da postura corporal ocorrerá um risco acrescido de lesões. Ambas as situações encontram-se perfeitamente descritas e reportadas na literatura.
Resumindo, os músculos agonistas (que realizam a acção) são realmente importantes mas não nos podemos esquecer da relevância dos músculos sinergistas.
Relativamente à questão da especificidade entendo-a e penso que deve ser levada em conta mesmo quando se faz um trabalho puramente físico.
A questão é "Será que através de um trabalho tático, sempre orientado para o meu modelo de jogo, vou conseguir a sobrecarga na solicitação das capacidades motoras de forma alcançar uma melhoria de performance?" A meu ver resposta é sim e ao mesmo tempo não.
Sim porque obviamente ocorre uma adaptação fisiológica ao esforço exigido. Não porque a solicitação e consequente adaptação ao esforço alcançada com um trabalhado apenas com o peso corporal é muito menor que a alcançada com adição de cargas.
Isto também se encontra perfeitamente descrito na literatura.
A única questão que se poderia levantar, quando falamos em adição de cargas, era a alteração de padrões biomêcanicos. Esta alteração pode ocorrer, mas o corpo depressa se "habituará" a estes novos padrões e a performance será superior.
Em forma de resumo penso que o enfoque principal no treino deverá ser a componente tática, no entanto a parte física não pode ser posta de parte.
Essa parece-me a principal deficiência na PT. Demasiado díficil de operacionalizar. E se for passível de ser operacionalizada não me parece a melhor forma de potenciar a parte física, porque sim esta parte física importa (se conseguir chegar a uma bola em 2 segundos é melhor do que demorar 3).

Cumprimentos e continuação de bom trabalho