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Tres razoes porque muitos treinadores nao encontram solucoes para vencer

Posted by Valter Correia on February 4, 2013 at 3:40 PM

       A questão para o artigo de hoje é muito pertinente e a importância por trás é muito elevada. Por essa razão, este artigo é de nível avançado. Confira.


 

       Como foi visto no artigo "Qual a diferença entre a equipa que domina a posse de bola e equipa que domina o jogo", que revelou uma realidade diferente da realidade a que muitos fãs de futebol não estão habituados, levando a compreender que não são as estatísticas em números que define a melhor equipa em campo, mas a qualidade das ações de ambas as equipas, pretendo seguir a mesma linha de pensamento e ensinar porque razão os melhores treinadores também falham, as melhores equipas também falham e os melhores jogadores também falham. Neste artigo, vou enumerar algumas razões para que isso se suceda desse jeito porque, supostamente, o melhor modelo de jogo devia vencer todos os outros modelos de jogo.




 

       Razão n.º 1

       Não existem jogadores melhores nem piores. Existem jogadores mais ou menos evoluídos e mais ou menos adaptados.


 

       Uma vez, conheci um colega de trabalho. Nunca o tinha visto, mas já tinha ouvido falar dele, e trabalhar dele após alguns meses, revelou-se um dos melhores tutores que eu tive até hoje. Não vou contar toda a história e revelar tudo o que aprendi, pois nem tudo o que ele me ensinou é adaptado ao futebol, mas deixou-me na mente uma lição importante. Não foi um pai, nem foi um professor, foi um amigo, que se dedicou a ensinar-me. E a lição que me ensinou foi: cada um tem as suas responsabilidades.


 

       No futebol, seja na administração ou no campo, passa-se exactamente o mesmo. Cada indivíduo pertencente ao clube tem as suas responsabilidades, e muitas vezes, a quebra de rendimento de um indivíduo quebra o rendimento do clube. Dentro do campo, a quebra do rendimento de um jogador pode ser disfarçada pelo companheirismo da equipa, mas o jogador está em mau rendimento, e um único erro pode colocar em causa o trabalho de equipa. Um mau passe, um drible em vez dum passe, um remate em vez de segurar a bola são situações onde a bola é entregue ao adversário. Não saber esperar pela ocasião certa para rematar, ou esperar demasiado tempo até que não há hipótese alguma para rematar em condições também é um erro que, além de impedir o golo para a equipa por ação da própria equipa, entrega a bola ao adversário. E entregar a bola ao adversário, é como abrir a nossa casa aos ladrões, pois estamos a oferecer a oportunidade ao nosso oponente para este vencer a partida.


 

       Treinadores inteligentes compreendem que cada jogador tem uma função para cumprir no terreno. Uns atacam, outros defendem, embora uns ataquem quando a equipa está a defender e outros defendem quando a equipa está a atacar. Esta relação entre atacar e defender é um grande passo para formar um excelente modelo de jogo, onde muitos treinadores invariavelmente falham. Porque isso acontece? A falta de responsabilidade do treinador em escolher um modelo de jogo que potencie os atacantes quando a equipa defende e potencie os defensores enquanto a equipa ataca leva muitos jogadores a jogarem mal adaptados e mal instruídos naquilo que realmente são capazes de fazer. Para muitos treinadores, a partir do momento que aprendem o que são momentos de jogo, julgam que o momento ofensivo é para atacar e o momento defensivo é para defender. Então, atacam com todos ou defendem com todos, acabando por entregar o controlo do jogo ao adversário. Está totalmente errado. Momentos defensivos servem para preparar a transição ofensiva além de defender e momentos ofensivos servem para preparar a transição defensiva além de atacar. Esta falha de responsabilidade dos treinadores leva os jogadores a falharem nas suas responsabilidades no campo. E o treinador grita, pede esforço aos jogadores, manda-os fazer coisas que não preparou e quando chega à palestra culpa os jogadores por algo que não os ensinou a fazer, culpa os jogadores por culpa própria. Muitos antigos jogadores questionam o trabalho do treinador, quando nem se lembram que responsabilidades de treinadores e jogadores são totalmente diferentes. A responsabilidade do treinador é organizar uma equipa, seguindo princípios, escolhendo estratégias, analisando resultados e tomando decisões, ensinar e treinar tudo aquilo que decidiu aos jogadores. A responsabilidade dos jogadores é procurar compreender o que pede o treinador, treinar eficientemente, entrar em campo com pensamento vencedor, mesmo que essa não seja a sua vontade, e cumprir a função que o treinador pede. O treinador não é mais importante que os jogadores e os jogadores não são mais importantes que o treinador. Todos formam uma equipa, não de onze jogadores, mas de doze membros. Sempre que vemos um treinador aos gritos a pedir coisas que os jogadores não fazem, sabemos que existe um défice de comunicação entre treinador e jogadores e sabemos que nem o treinador transmite aquilo que realmente sabe nem os jogadores são evoluídos conforme o que o seu potencial permite.




 

       Razão n.º 2

       O segredo não está no meio-campo,  nem defender bem, nem atacar melhor, nem na técnica, nem no porte físico. O segredo está em controlar o momento ofensivo e o momento defensivo e saber transitar entre estes dois momentos.


 

       Existem quatro momentos de jogo: momento ofensivo, momento defensivo, transição ofensiva e transição defensiva, e como é sabido, a ordem destes momentos é imprevisível durante uma partida de futebol. A pior coisa que qualquer equipa pode fazer é entregar o controlo do jogo ao adversário, isto é, defender com todos os jogadores sem nem sequer buscar o contra-ataque, ou atacar com muitos jogadores porque a equipa está a perder. Na maior parte dos jogos, as equipas que estão a controlar o jogo vencem a partida, pois assumem a responsabilidade de decidir o resultado e obrigam o adversário a tomar decisões sem espaço de manobra para pensar. Muitas vezes, ouvimos fãs do futebol a explicar que o segredo duma equipa é o meio-campo. Vejamos, o esquema tático com mais médios actualmente é o 3-6-1. Com seis jogadores a fazer parte do segredo para vencer, os outros cinco jogadores servem para quê? É um total absurdo pensar desta forma, pois todos os jogadores participam nos quatro momentos de jogo Não importa se a equipa está a defender ou a atacar, importa é que a equipa defenda como quer defender e ataque como quer atacar, a que nos chamamos de dominar o jogo.


 

       Quando a equipa adopta uma postura defensiva, deve escolher um método ofensivo que seja eficaz com essa postura defensiva. Defender concentrado, com as linhas baixas, é uma excelente opção para escolher o contra-ataque como método ofensivo e determinar como vai defender para contra-atacar. Posicionar duas linhas de jogadores responsáveis por recuperar a posse de bola em determinada zona do campo, e deixar três jogadores livres e prontos para transportar a bola até à baliza adversária é uma excelente combinação posicional entre o momento defensivo e a transição ofensiva. Quando recupera a posse de bola, a equipa está mais que preparada para contra-atacar sem perder tempo. E porque os jogadores não perdem tempo a decidir o que fazer com a bola,  a eficácia do contra-ataque seja maior. Assim, a equipa está a dominar o período de tempo em que está em momento defensivo e transição ofensiva, uma vez que escolhe o que fazer com a bola em dois momentos de jogo.


 

       Aprofundando, existe uma relação de causa/efeito entre os vários momentos de jogo. O momento defensivo e o momento ofensivo dependem das transições, e as transições dependem dos momentos ofensivo e defensivo. Quando uma equipa consegue ligar os vários momentos de jogo, diminui o tempo que demora a passar dum momento para o outro, assim como melhora a eficácia dessa mudança de postura. Equipas sem estas capacidades que defrontam outras equipas com esta capacidade em mudar entre os momentos de jogo, geralmente sentem imensas dificuldades, pois estão a competir contra equipas que controlam a partida. Por sua vez, uma equipa que controla a partida, isto é, defende e ataca como quer e pretende, assume maiores hipóteses de vencer a partida. A questão não se foca apenas em atacar pontos fracos do adversário e defender os pontos fracos da própria equipa, mas em controlar esses momentos a nível de decisão e estratégia, mesmo que isso signifique esperar para recuperar a posse de bola ou esperar para rematar.




 

       Razão n.º 3

       Escolher uma estratégia de jogo significa escolher a probabilidade de obter um resultado. Mesmo que seja a melhor estratégia do mundo, também falha.


 

       Actualmente, o leque de opções estratégias disponíveis para as equipas é muito variado e dificilmente enfrentamos duas equipas com a mesma estratégia de jogo num período curto de tempo. Não me refiro a estratégia enquanto ataque posicional ou ataque rápido, nem a defesa à zona ou homem a homem. Refiro-me à forma de como a equipa age ou reage quando ataca ou defende. Diferentes planteis tem diferentes jogadores, logo tem também diferentes caraterísticas para jogar. Por esta razão, o mesmo modelo de jogo não serve para duas equipas diferentes, pois estas não tem as mesmas características.


 

       Uma vez que o jogo é realizado em espaço amplo por cerca de vinte e dois jogadores, é praticamente impossível determinar o que vai acontecer durante a partida de futebol. A juntar a isto, ao escolher uma estratégia para um jogo, o treinador avalia os pontos fortes e fracos da própria equipa e do adversário. Este será o ponto de referência para escolher uma estratégia para o jogo, uma vez que o treinador procura usar os pontos fortes da própria equipa contra os pontos fracos do adversário, procurando aumentar as hipóteses de vencer a partida. Quanto mais forte for a equipa em determinada situação e mais fraco for o adversário nessa mesma situação, mais fácil será para a equipa ultrapassar o ponto fraco do adversário, logo, a probabilidade de ultrapassar esse ponto fraco é maior.


 

       Esta lógica de pensamento levou vários treinadores a observar adversários e enviar observadores técnicos para analisar o oponente, procurando conhecer os pontos fracos deste e fazer coincidi-los com os pontos fortes da sua equipa. Muitos treinadores compreendem que podem tirar partido da observação dos adversários e entrar em campo com estratégias de maior probabilidade em obter sucesso desportivo. No entanto, muitos treinadores não dispõem deste recurso, o que dificulta o trabalho realizado. Observações de adversários pode ser uma excelente porta de entrada para treinadores novatos ao futebol, uma vez que a capacidade de treinar é tão importante como a capacidade em observar o jogo. O treinador que observa bem o jogo sabe o que a equipa precisa e quais são as caraterísticas do adversário. O treinador que treina bem sabe como aplicar os processos como pretende. Observar um ponto fraco no oponente e treinar um ponto forte que coincide com esse ponto fraco significa obter clara vantagem no controlo do jogo e na probabilidade de vencer a partida


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Categories: Estrategias de Jogo

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3 Comments

Reply Tomaz Correia
8:58 PM on December 19, 2014 
Muito bom este artigo. Muito bem elaborado com muitas informações factuais. Continua com o bom trabalho esta excelente!
Reply Patricio
12:03 PM on July 13, 2013 
Gostei, noçoes uteis.
Reply Manuel Domingos
3:36 AM on February 7, 2013 
Queiro ser bom treinador