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A analise ao SC Braga 1 - 2 Benfica

Posted by Valter Correia on January 27, 2013 at 9:55 AM


       "O oportunismo do SL Benfica venceu a criatividade do SC Braga num jogo equilibrado.". Esta frase é o melhor resumo que podemos fazer a partir do confronto entre duas das maiores equipas, naquele jogo que foi certamente o jogo da jornada da Superliga portuguesa. Por um lado, o SL Benfica entrou para contra-atacar, e deu resultado. Por outro lado, o SC Braga entrou para ditar o rumo do jogo, e não deu resultado. A meu ver, a vitória do SL Benfica é mais do que justa, e já vamos perceber porquê.

 

       As formas de jogar de cada equipa

 

       Uma das equipas adoptou duas formas de jogar e a outra equipa adoptou apenas uma forma de jogar.

 

       O SC Braga insistiu, não sei porquê nas bolas longas para Éder receber sozinho no flanco direito. É verdade que alcançou o campo ofensivo várias vezes, mas de que serve colocar a bola num jogador, a receber sozinho, entre duas torres? Mesmo que seja da excelente pressão na saída de jogo por parte do SL Benfica, porquê entregar o controlo do jogo ao adversário e lançar a bola longa, que é exactamente o que o oponente pretende? Esta transição raramente causou perigo, e manteve-se intacta na segunda parte, sempre com o mesmo tipo de aposta tática. O posicionamento da equipa do SC Braga foi mais profundo que horizontal, organizado em 4-3-3, e este até pode ter sido um processo previamente estudado, mas que merecia um plano B, seja previamente estudado ou por ação do adversário. No flanco esquerdo, Ismaily driblou imenso a bola e surgiram imensas trocas de posição e ações de bola controlada em zonas mais avançadas do terreno. Este tipo e transição aconteceu durante todo jogo: transição pelo chão no lado esquerdo e transição pelo ar no flanco direito. Uma forma de jogar para uma equipa que precisava de reverter o resultado.


       Por sua vez, o SL Benfica assumiu dois estilos de jogo. Se fosse preciso defender, defendia, e se se fosse preciso contra-atacar, contra-atacava. Raramente houve ataques posicionais por parte dos visitantes. Na primeira parte, a aposta foi claramente o contra-ataque, com dois golos de efeito. E após os dois golos, gerir o resultado foi a primeira opção, embora contra-atacar nunca deixou de ser opção. Linhas mais próximas que o SC Braga, imensa transição rápida com dois ou três toques no máximo para zonas ofensivas e criação de situações de finalização com desequilíbrios nas costas da defesa foram os pontos fortes da primeira parte. Na segunda, um pouco mais recuado e condicionado, foi mais difícil sair a jogar com tanta capacidade tática.


       O oportunismo do SL Benfica

 

       "Eles não costumam vir cá ganhar, e não será desta que vão vencer", terá sido certamente o discurso motivacional que José Peseiro usou. E ainda para mais a jogar em casa, contra um adversário que a equipa precisava vencer para não perder mais espaço na tabela classificativa, e com grande qualidade, a melhor opção seria assumir ou tentar controlar o jogo. Assim, o SL Benfica se serviu de jogadores rápidos contra uma equipa que ia deixar espaço, e facturou dois golos com menos remates que a equipa da casa. Este foi a capacidade em aproveitar as situações de golo que surgiram na primeira parte, porque na segunda parte, o jogo seria mais condicionado. Mérito para Jorge Jesus que organizou bem a equipa

 

       A criatividade do SC Braga

 

       Processos bem trabalhados no treino mas pouco eficazes no jogo. Tantas e tantas vezes que Éder recebeu sozinho pelo ar no flanco direito, seja por bola longa ou por cruzamento do meio-campo, e tantas vezes se conduziu a bola pelo corredor esquerdo, que o jogo se tornou previsível. Foi necessária a entrada de João Pedro para o lugar de Rúben Amorim, para Éder sair da sua posição estática. De tantos cruzamentos para Éder no flanco direito, foi dos pés de Éder que saiu o golo, no flanco esquerdo. "Sofremos um golo numa altura que não esperávamos sofrer.", admitiu Jorge Jesus. Eu sei que o SC Braga não foi muito criativo, apenas digo que o oportunismo venceu a criatividade, porque foi através de uma ação de criatividade que surgiu o golo e foi através de duas situações bem aproveitadas que surgiram dois golos.

 

       Aprofundando

 

       A transição técnica do SL Benfica, claramente superior comparando com a transição posicional do SC Braga, embora com menos remates, causou melhores oportunidades para finalizar, traduzido pela vitória da equipa visitante. Este jogo prova claramente que não é a quantidade de ataques que vence uma partida, mas a qualidade de cada ataque. O ideal seria muitos ataques de grande qualidade, mas face à qualidade de cada equipa, isso não seria possível. Sem dúvida uma grande lição: a transição é mais importante que a finalização.

 

       Pessoalmente

 

       O SL Benfica, claramente foi superior. O jogo sim, foi equilibrado, o SC Braga rematou mais, dominou a posse de bola e tudo bem, mas foram os visitantes que dominaram o jogo. Bola longa é um ponto defensivo muito forte, caraterístico das equipas de Jorge Jesus. Insistir tanto tempo nisto foi perca de tempo. Com outro processo de jogo qualquer, certamente que eu atribuiria probabilidades dum resultado melhor para o SC Braga. A pressão da equipa da casa era vencer e aproximar-se na tabela. A pressão da equipa visitante era ganhar onde Jorge Jesus ainda não tinha ganho. No fim, ambas as equipas estiveram bem, porque não é mentira nenhuma quando digo que foi bom jogo.

 

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Categories: Observacao e análise

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