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A arte de comandar uma equipa

Posted by Valter Correia on December 3, 2012 at 12:55 PM

 

        Muitas vezes, encontro pessoas com dificuldade no comando de uma equipa, preferindo mesmo não ter a responsabilidade de efetuar as tarefas mais complicadas, pelo simples medo de comandar uma equipa. Se por um lado, alguns membros são não obedecem, por outro lado, rejeitam o seu líder, acreditando que este tem menos conhecimento. De facto, enfrentar todo um grupo sem conhecimento revela-se uma grande dificuldade para um líder.


        Este artigo procura relevar algumas das verdades escondidas acerca o relacionamento entre líderes e liderados.

        Antes de mais, um líder comanda vários liderados, mas, para os mais experientes, será necessário separar cada uma das relações de todas as outras, ou seja, compreender que cada caso é um caso isolado. Mais tarde, compreendendo como funciona o motor das relações, é que o leitor mais inexperiente pode compreender como funcionam relações a três ou mais pessoas. Ficam algumas sugestões importantes para melhorar o seu poder de comando.




 

        Faça altas demonstrações de valor


        Não existe nada melhor que as demonstrações de valor para iniciar a explicação deste artigo. As demonstrações de valor são uma arma, por vezes inconsciente, para comandar bem uma equipa. Existem dois tipos de demonstrações de valor: das demonstrações de valor superior que são os alicerces, e as demonstrações de valor inferior que destroem os alicerces. As demonstrações de valor superior são palavras ou ações que mostram que o indivíduo tem algo de bom para oferecer e que todos têm algo de bom para ganhar, é uma demonstração de conhecimento e poder. Organizar boas análises, escolher exercícios que os jogadores gostam ou fazer alguma atividade durante o treino que os jogadores gostam são demonstrações de valor superior e impor disciplina. É necessário dar aos jogadores uma razão para estes se agarrarem ao treino, compreenderem que tudo o que façam não atinge o treinador nem as suas decisões, e a única coisa que podem fazer é lutar por um lugar na titularidade. As demonstrações de valor inferior fazem exatamente o contrário. Mostrar demasiada confiança com os jogadores, leva muitos deles a ficar seguros com o seu treinador. Deixam de tentar agradar o treinador e, consequentemente, deixam de treinar. Isso quebra todo o valor de uma equipa e demora imenso tempo para ser recuperado de volta.


 

        Os jogadores só treinam por vontade própria


        É lógico que, quando um jogador não tem vontade de treinar, não vai treinar mesmo. Gritar e obrigar os jogadores a treinar quando esta não é a vontade deles é um dos piores erros que se pode fazer. Quando o treino é agradável, os bons resultados são obtidos e os jogadores sentem que podem aprender com o treinador (compare a parte do aprender com o treinador com as demonstrações de valor superior), é muito fácil manter a ordem no grupo. Mas quando acontece o contrário, gritar e exigir resultados aos jogadores não é mais do que retirar a liberdade aos jogadores nem os vai fazer sentir bem. Cada jogador tem a mesma necessidade de conseguir resultados como o treinador, e quando os resultados são fracos, ou o treinador oferece segurança aos jogadores, isto é, fá-los sentir através do treino e da motivação podem obter resultados, ou os jogadores acabam mesmo por fugir do treino. Os jogadores sentem a mesma vontade do treinador. Quando um treinador não mostra aos jogadores que é possível alcançar um resultado, isto é, quando os jogadores não encontram motivação dentro do grupo, vão procurar essa motivação fora do grupo. O que de facto acontece, é que, grupos de adeptos e claques não motivam quando as equipas estão em baixo. Em vez disso, exigem resultados, deixam de apoiar, e os jogadores não encontram motivação nem dentro nem fora do grupo. A "Teoria do Gato" ajuda a compreender melhor esta teoria. Quando lançamos um novelo a um gato para ele brincar, o mais certo é ele nem querer saber do novelo e vai-se embora. Mas se nós lhe lançamos o novelo, e quando o gato o agarra, nós puxamos o novelo de volta, sem nunca entregar o novelo ao gato, este não vai desistir de o tentar apanhar. Estamos a causar uma necessidade ao gato, e na realidade, acontece exatamente a mesma coisa.


       Cultura é uma das chaves do sucesso


        Um treinador, por mais que saiba de futebol, precisa de saber sobre vários temas para mostrar aos jogadores quem é o verdadeiro líder. Excelentes análises e explicações só fará os jogadores acreditarem que o treinador percebe de futebol, mas não fará com que os jogadores acreditem que sabe liderar, treinar e proteger o grupo dos perigos exteriores. Em cada situação inesperada, quando um jogador necessita de proteção do seu treinador, por mais que custe, este precisa causar dependência do jogador além de o proteger. Um plantel sente necessidade de alguém que o possa proteger, e quando algo menos bom acontece, como o abuso do exterior do grupo ou uma lesão, o facto de o treinador apoiar o jogador fará com que este se sinta protegido. E quando um jogador se sente protegido, este necessitará de ser protegido novamente, e conta com o treinador para isso. Esta é também uma das demonstrações de valor superior que um treinador pode causar.


 

        Ser persistente é ser resistente


        Podemos ser realmente muito bons numa tarefa ou numa profissão, ser bons a fazer alguém sentir que precisa de nós e a demonstrar o nosso valor de forma eficiente. Contudo, a sede humana é insaciável, e quando alguém mostra ser diferente, todo o grupo envolvente vai tentar transformar essa pessoa em alguém igual. Por esta razão, além do futebol, quando alguém tenta ser diferente, as pessoas mais próximas tem medo que essa pessoa possa fugir. Por exemplo, as mães têm medo que os filhos encontrem uma pessoa e saiam definitivamente de casa, pois estão habituadas a tê-los por perto. Esta é uma das causas do racismo e da discriminação, uma vez que o ser humano não aceita que alguém seja diferente. Alguns jogadores são também alvo dos elevados salários que recebem, porque isso indica que o jogador é superior, e ninguém aceita que alguém seja superior. Quando traçámos um objetivo ou uma meta, a primeira coisa a fazer é concluir essa meta, sem importar a opinião alheia. Se o treinador tem a certeza que o que escolheu fazer vai realmente dar certo, então deve fazê-lo. Se realmente der certo, terá um escudo de proteção contra a discriminação dos próprios atletas. Se não conseguir, será visto como fraco.


       Concluindo, é necessário construir uma personalidade para comandar os jogadores


        Nada é impossível e a sorte não existe. Não existe nada mais que se possa dizer além destas duas afirmações, pois estas já dizem tudo. O trabalho, a persistência e a escolha de um rumo é necessário para alcançar novos mundos e conhecimentos, e a partir do momento que entramos nesses mundos, surgem novos perigos. Por esta razão, cada equipa necessita de um modelo de jogo, uma vez que a segurança em ter decisões predefinidas implica correr menos riscos. Comandar é exatamente o mesmo: é necessário ter um modelo de comando, para que os riscos sejam menores, melhorando os resultados no grupo.


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Categories: Psicologia e Comunicacao

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