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Segunda mao da Taca Espanhola

Posted by Valter Correia on October 2, 2012 at 7:20 PM

O presente relatório foi enviado por Rúben Tavares. Parabéns amigo


 


      Depois de um intenso duelo tático na 1ª mão da Supertaça Espanhola que terminou com um 3-2 favorável ao FC Barcelona onde um erro clamoroso de Valdés acaba, de certa forma, por reabrir a eliminatória, numa altura do jogo em que estava mais perto o 4-1 do que o 3-2, FC Barcelona e Real Madrid CF encontravam-se no Santiago Bernabéu para a 2ª mão, previa-se mais um jogo do melhor futebol do mundo a todos os níveis. O Jogo já tinha começado na conferência de Imprensa pré-jogo com Mourinho a usar o lado estrategista de desafiar e motivar os seus jogadores.

 Quarta-feira 29 agosto 2012

 Estádio: Santiago Bernabéu

 Competição: Supertaça 2012

 

 Real Madrid

 

Onze inicial: Casillas; Pepe, Sergio Ramos, Marcelo, Arbeloa; Xabi Alonso, Khedira, Ozil; Ronaldo, Dí Maria, Higuaín

Treinador: José Mourinho

 

 

       ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

 

       O Real Madrid, com o seu habitual 4-2-3-1, joga um futebol vertiginoso em ataque rápido. Se o FC Barcelona é a melhor equipa do mundo em ataque posicional e em posse, o Real Madrid CF é a melhor equipa do mundo em ataque rápido e transição ofensiva. O Real Madrid CF jogou em transição ofensiva e ataque rápido num futebol mais direto de forma a aproveitar o bloco alto do adversário e os espaços deixados nas costas da defensiva "blaugrana" e a velocidade dos avançados: extremos (Ronaldo e Dí Maria), o "10", Ozil, mais no último passe e o PL, Higuaín. Na 2ª parte, com mais um em campo após a expulsão de Adriano, o RM procurou ter mais a bola e jogar mais em ataque posicional, numa tentativa de baixar o ritmo do jogo e controlar os tempos de jogo.


       Na baliza, Iker Casillas, um guarda redes de classe mundial, dos melhores do mundo, um Capitão e um símbolo do clube madrileno, que teve uma série de várias defesas de grande categoria, que acabaram por ser determinantes na conquista da Supercopa.


       Na defesa, dois centrais (Pepe e Sergio Ramos) rápidos, agressivos, com excelente posicionamento, antecipação e corte, o que permitiu que a linha defensiva jogasse mais adiantada uns metros no terreno. Por outro lado têm grande relevância nas bolas paradas ofensivas (Cantos e Livres Laterais). Nas laterais, como é habitual com Mourinho, joga um lateral mais ofensivo- Marcelo, incansável quer a atacar quer a defender (aparece na área a finalizar ou a assistir), cresceu muito taticamente com Mourinho; e um mais defensivo- Arbeloa (fecha bem por dentro) de forma a assegurar o equlíbrio defensivo.


       O meio campo apresenta-se em 2x1 com duplo pivot, composto por Xabi Alonso e Khedira. A atacar, Khedira avança para linhas mais avançadas do meio campo e aparece também em zonas de finalização, o que dá à equipa uma maior capacidade de finalização à equipa; Xabi Alonso, é um médio mais de contenção e é extremamente importante no equilíbrio defensivo da equipa, joga na esquerda no duplo pivot e cobriu muito bem as subidas de Marcelo na lateral esquerda, tem uma qualidade de passe longo espetacular e muitas vezes faz rápidas variações de flanco e passes nas costas da defesa adversária, que desmontam qualquer estrutura defensiva; converte também bolas paradas (livres laterais e cantos do lado esquerdo); Ozil, "10" de top mundial, qualidade técnica magnífica, criatividade excelente, joga no meio campo ofensivo nas costas do PL e descai nos flancos em trocas posicionais com os extremos, é em diversas situações o homem do último passe no ataque madrileno- inteligência a jogar e capacidade de leitura do jogo notáveis; Conversão de bolas paradas- livres laterais e cantos do lado direito.


       No ataque, os extremos, sobretudo Ronaldo (segundo golo do Real Madrid- Ronaldo aparece rapidamente em velocidade, após um passe de Khedira, e "come" as costas de Adriano, 1x1 com Piqué e com um gesto técnico de "desenhos animados", tira Piqué do lance, vai para a baliza e faz golo) e Higuaín rasgavam muitas vezes a linha defensiva alta do Barça através de movimentos de ruptura nas costas (primeiro golo do Real Madrid- Higuaín aparece nas costas da defesa do Barça, entre os centrais, após um passe longo de Pepe e uma interceção falhada de Mascherano), no entanto, falhou outras ocasiões em que estava isolado com Valdés e se tivesse concretizado o resultado podia ter sido bem diferente (mérito para Valdés, que defendeu muitas bolas de golo). Ronaldo fletia muito para zonas interiores para perto de Higuaín, dando a linha às subidas de Marcelo; na outra ala, Arbeloa não sobe até à linha de fundo e a mobilidade ofensiva era garantida sobretudo pelas trocas posicionais entre Ozil e Dí Maria.


       Pontapés de baliza- longos para o ataque de forma a aproveitar as claras fragilidades do FC Barcelona em lidar com um jogo mais direto.

 


       TRANSIÇÃO OFENSIVA

 

       Após a recuperação da posse da bola, o Real Madrid procura chegar à baliza adversária em 3/4 passes através de "transições ofensivas venenosas com excesso de velocidade", variações rápidas do flanco de jogo e passes longos nas costas com o intuito de explorar a velocidade dos avançados e o espaço existente entre a linha defensiva alta do FCB e a baliza- assim foram construídos os dois golos do RM e podiam ter surgido mais, pois apareceram não raras vezes jogadores do RM na cara de Valdés em situação privilegiadíssima para marcar (como já foi referido, Higuaín apareceu isolado algumas vezes, também se coloca junto à linha, sobretudo do lado direito para as transições ofensivas e explorar as costas dos laterais, o que acontecia era que um dos centrais vinha fechar esse espaço e abria outro na zona central).


       Após ficar a jogar com mais um, o Real Madrid procurou ter mais a bola e gerir melhor os tempos de jogo sem nunca abdicar das transições ofensivas rapidíssimas, que são apanágio do Real.


       Transições do Guarda Redes- longas para os três corredores do ataque.


 

       TRANSIÇÃO DEFENSIVA

 

       Após a perda da posse, a máquina de pressão alta e vertical começa a carburar tentado impedir a construção curta a partir do guarda redes. Os avançados (extremos e Higuaín), Ozil e Khedira, que se solta para pressionar, colocavam-se muitas vezes nas imediações da área "blaugrana", obrigando quase o FCB a jogar mais direto, que é nitidamente o seu "calcanhar de Aquiles". O bloco subia naturalmente para encurtar o espaço entre-linhas; muitas vezes, um dos laterais (dependendo do flanco onde estava a bola) ficava no meio campo ofensivo ajudando a pressionar os jogadores do Barça e o médio de contenção (Xabi Alonso) cobria as suas costas. A pressão alta do Real foi muito intensa e houve vários momentos do jogo em que o RM abafou o Barça e não o deixou jogar; a pressão no meio campo foi também muito forte e o Real ganhou praticamente todas as segundas bolas.


 

       MOMENTO DEFENSIVO

 

       Em bloco médio/baixo, isto porque o Real Madrid nunca esteve em nenhum momento com um bloco baixo declarado, uma vez que a linha defensiva subia sempre no terreno de forma a não abrir espaços entre-linhas (entre o meio campo defensivo e a defesa), o Real foi muito compacto e raramente abriu espaços de progressão ao futebol rendilhado 'blaugrana', os espaços foram muito bem ocupados e controlados - pressão horizontal. Na defesa, um dos centrais seguia de perto de Messi quando este recuava no terreno para não baralhar as marcações no meio campo e causar desequilíbrios defensivos, o duplo pivot sempre muito sólido, teve ajuda de Ozil que recuava , o que foi importante uma vez que Xabi Alonso ficava posicionado mais à esquerda para fechar esse flanco no auxílio defensivo a Marcelo pois Ronaldo não defende tão bem como ataca, de longe! Higuaín colocava-se à frente do meio campo de 5 do Real em momento defensivo, mas teve papel ativo a defender também, cortando linhas de passe no meio campo defensivo do Barcelona e pressionando o portador da bola quando este estava em 1ª ou 2ª fases de construção. O meio campo foi muito bem preenchido e todos os 10 jogadores defendiam. O Real impediu sempre o Barcelona de bater os cantos de forma curta, como o Barça gosta, obrigando o FCB a bater longo para a área.


        EFEITO SUBSTITUIÇÃO


       Benzema por Higuaín e Callejón por Dí Maria foram duas substituições que se inserem na gestão que Mourinho tem feito quer no Campeonato quer na Supertaça Espanhola com estes quatro jogadores; Modric por Ozil, teve o objetivo de recarregar baterias no vértice ofensivo do meio campo. Três substituições em quatro minutos com o objetivo de refrescar o ataque e meio campo madrileno e de ter mais bola com mais um campo e esperar que o jogo acabe.


 

Barcelona


 Onze Inicial: Valdés; Adriano, Mascherano, Piqué, Jordi Alba; Busquets, Xavi, Iniesta; Pedro, Alexis Sánchez, Messi

 Treinador: Tito Vilanova

 

 

      ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

 

      O estilo de futebol do FC Barcelona é conhecido por todos- o festival do passe mundialmente conhecido como "Tiki-taka", um futebol de grande posse e circulação no campo todo sem PL e sem posições fixas no campo, muita mobilidade. Vilanova joga com o 4x3x3 com que Guardiola perpetuou esta forma de jogar e bateu tantos recordes e não com o 3x4x3 que Guardiola apresentou em muitos jogos da temporada passada, que deixava a defesa muito exposta a contra-ataques.


      O ataque posicional começa primeiro com o guarda redes, que também faz parte da construção de jogo curta, joga bem com os pés. No que a jogadores de campo diz respeito, a construção começa nos centrais (Mascherano e Piqué ), em vários momentos do jogo, um deles, sobretudo Piqué, sobe com a bola até o meio campo adversário em busca dos espaços no ataque. Os laterais sobem para apoiar o ataque, Jordi Alba foi mais interventivo no ataque do que Adriano- tinha Ronaldo no seu flanco, no entanto foi surpreendido nas costas várias vezes como no segundo golo do Real Madrid. Busquets, muitas vezes recua e abrem os centrais para permitir a subida dos laterais. Noutras situações, Xavi recua a 1ª fase de construção e Busquets sobe um pouco no meio campo para abrir espaço a Xavi (homem das bolas paradas) para, com a sua visão de jogo e qualidade de passe, começar a construção curta do Barça com maior qualidade; o outro elemento é Andrés Iniesta, o novo melhor jogador europeu, alia criatividade, qualidade técnica, de passe, visão de jogo, inteligência, características que fazem de Iniesta um dos 3 melhores jogadores do mundo, juntamente com Xavi é um dos construtores de jogo, sobretudo a partir da 2ª fase de construção; com o recuo de Messi (falso nove) para o meio campo, o futebol do Barcelona adquire a forma rendilhada "teia de aranha" que conhecemos com constantes combinações e triangulações que criam espaços no ataque, um futebol muito difícil de contrariar quando não se é agressivo a defender e mesmo quando se é. O FCB é a melhor equipa do mundo a criar espaços. Os extremos (Pedro e Alexis) jogam muito abertos procurando os tais espaços na defesa madrilena. No meio joga Messi, o melhor jogador do mundo, continua como falso nove como na era Guardiola, muitas vezes vem buscar jogo perto de Xavi ou Iniesta ou até de Busquets! Esta mobilidade é quase uma utopia para quem defende. 'La Pulga' é perigosíssima quando embala a partir de trás com a bola controlada para a baliza diretamente ou em combinações, faz um golo de livre irrepreensível, no mínimo!!.


      Após a expulsão de Adriano, o Barça continuou a jogar fiel aos seus princípios a circular a bola, a fazer campo grande e a subir linhas, o que em termos defensivos trouxe problemas. O Barcelona passou a jogar num 4-4-1 com muita mobilidade (menos um jogador, menos um avançado- forma de jogar, de atacar e de defender- igual) após a entrada de Montoya por Alexis para ocupar a lateral direita e compor o quarteto defensivo, Iniesta deambulava entre a esquerda e o meio, Messi recua para o meio campo e Pedro fazia movimentos de ruptura em diagonal nas costas da defesa como também é habitual no "tiki-taka", entrarem jogadores em ruptura nas costas da defesa no limite do fora de jogo, num destes movimentos surgiu Pedro isolado à frente de Casillas na segunda parte, Jordi Alba foi muitas vezes um extremo esquerdo a atacar e possibilitou que Iniesta se estabelecesse mais no meio com a sua subida no terreno. O Barcelona com mobilidade ofensiva disfarçou a inferioridade numérica, esta inferioridade notou-se claramente no momento de transição defensiva.


       Pontapés de Baliza- curtos para os centrais, quando o adversário não permitia, abria nos laterais, se o adversário não permitia, jogava longo nas alas, em último recurso.


       TRANSIÇÃO OFENSIVA

 

       Após a recuperação da posse, o FCB procura baixar o ritmo de jogo com o futebol 'em forma de carrossel' e passar ao momento ofensivo. As poucas situações em que podemos falar de transições ofensivas do Barça foram os momentos do jogo em que o Barcelona jogou mais direto nas costas da defesa, aproveitando os movimentos de ruptura dos atacantes ( em duas situações surgiram Jordi Alba e Pedro) em frente a Casillas.


       Transições do Guarda Redes- curtas para os centrais ou para os laterais

 

        TRANSIÇÃO DEFENSIVA

 

        Mudança de atitude rápida e agressiva. Pressão constante sobre o portador da bola, joga com um bloco alto, a pressão é forte e vertical e há sempre o corte de linhas de passe curto e impede o adversário de sair a jogar pelo relvado. No entanto, a defesa esteve mal, só Jordi Alba não cometeu erros graves e apoiou sempre o ataque, mesmo com 10, Adriano foi expulso aos 28 minutos, cometeu muitos erros, não conseguiu marcar o Ronaldo, sentiu-se muito a falta de Dani Alves (segundo golo do Real Madrid, em velocidade nas suas costas), Piqué falhou a interceção no segundo do Real Madrid e Mascherano também falhou no primeiro golo do RM, muitos espaços nas costas de Adriano e entre os centrais, que estiveram descoordenados. Na defesa 'blaugrana', Jordi Alba foi o que mais atacou e o que melhor defendeu!


        Em inferioridade númerica, o Barcelona manteve as linhas subidas e o bloco subida e a mesma pressão ofensiva, ainda que, com menos um avançado, a pressão aos defesas não foi tão forte e o Real teve mais circulação em 1ª fase de construção.


       MOMENTO DEFENSIVO

 

       Bloco Baixo compacto, pressão forte e horizontal, constantes coberturas e pressão sobre o portador da bola. Maiores dificuldades quando o adversário joga mais direto e num ritmo mais elevado com rápidas variações do flanco de jogo. Em bloco baixo, com 11, o Barcelona, com o recuo dos extremos para a linha dos médios, fica com uma estrutura de 4-1-4-1, com 10, 4-4-1.


       EFEITO SUBSTITUIÇÃO     


       Montoya por Alexis foi a substituição que teve como objetivo reestruturar o a defesa a 4 após a expulsão de Adriano; No último quarto de hora, Song por Busquets deu mais poder ofensivo, visão de jogo à posição "6" e, nos últimos 10 minutos, Tello por Pedro, que estava exausto após um jogo muito esforçado.  

    

      OBSERVAÇÃO FINAL

 

      180 minutos do melhor futebol que há no mundo, acima disto não há mais nada. A eliminatória terminou com um 4-4 e o Real Madrid acaba por vencer por golos fora, 8 grandes golos, grandes assistências, xadrez tático fantástico.. As duas melhores equipas do mundo deram um espetáculo que prendeu os amantes do futebol de todo o mundo ao ecrã e a vitória ficaria bem a qualquer formação, venceu a estratégia mais eficaz de um dos melhores treinadores de sempre, que com a conquista da Supertaça Espanhola, conquista o Grand Slam em 4 países!!! 

 

Categories: Observacao e análise

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