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Constituindo um excelente dialogo - Parte IV

Posted by Valter Correia on September 24, 2012 at 6:10 AM

        Após publicar a Parte I, a Parte II, e a Parte III da série Constituindo um excelente diálogo, procedemos agora para a parte IV. Quando comunicamos com alguém levando em conta apenas o nosso ponto de vista, o resultado é o mesmo que falar com um poste. Quando a comunicação é bem realizada, a mensagem deve ser transmitida de forma que o receptor a compreenda. Quando dois indivíduos tem um diálogo, podemos considerar que o individuo emissor da mensagem está um passo à frente em relação ao receptor da mensagem, uma vez que é ele que a transmite e já conhece o conteúdo da mensagem. 


       Por outro lado, o receptor não acompanha o raciocínio da mesma forma porque tem outras formas de pensar, outras formas de ver e entender a realidade ou outras formas de compreender a mensagem. Assim, vai reformular a mensagem recebida para conseguir compreendê-la. Quando o receptor faz isto algumas vezes, é perfeitamente natural. Cada pessoa tem pensamentos e conhecimentos diferentes de todas as outras pessoas. Mas quando esta pessoa não consegue compreender a mensagem inúmeras vezes e não apresenta nenhum defeito intelectual, o problema está na forma como o emissor emite a mensagem, ou seja, não emite a mensagem corretamente

 

       Podemos quantificar esta situação e imaginar um líder a ter um diálogo com os seus liderados. Se o líder não for capaz de transmitir a mensagem para todos eles, certamente que não obterá nenhum benefício em troca, porque eles não compreenderam o que ele quer. Isto é um perigo constante no futebol, uma vez que a organização de uma equipa passa pela total responsabilidade do treinador, enquanto que todas as decisões deste devem ser transmitidas aos liderados.




 

       Como construir um bom diálogo

 

       Vamos imaginar um diálogo como um jogo de futebol, onde o emissor é a equipa na posse de bola, o receptor é a baliza adversária e a mensagem é mesmo a bola. O objetivo da equipa na posse de bola (emissor) é levar a bola (mensagem) até à baliza adversária (receptor), certo? O que acontece no diálogo é exatamente o mesmo: existem estratégias e meios que devemos usar, tanto para perceber como o adversário joga assim como o receptor compreende as mensagens. Também devemos saber que determinadas estratégias são mais eficazes para levar a bola até à baliza adversária como devemos saber que determinadas estratégias são muito úteis durante a comunicação. Para complementar este tema, já escrevemos um artigo sobre como fazer um bom discurso


 

       O que ambos têm em comum, fortifica o diálogo

 

       Não é fácil saber ou conhecer o que alguém pensa sobre determinado assunto sem a conhecer minimamente ou pelo menos parte da sua cultura. Como já foi referido na primeira parte desta série de artigos relacionados com a comunicação, existem quatro fases onde dois indivíduos do diálogo se encontram, onde na primeira fase os intervenientes não se conhecem, mas na quarta fase partilham ideias sobre qualquer assunto porque já se conhecem bem. A primeira ideia a ter em conta quando o individuo está a ter um diálogo com alguém é tentar compreender o que ambos tem em comum, transmitir o que sente ter em comum com a outra pessoa, para que esta o possa compreender e emitir também o que pensa que ambos têm em comum. Se ambos os intervenientes da conversa dirigirem as suas mensagens para o que ambos têm em comum, estão a dar um passo para construir mais confiança sobre o tipo de assuntos que devem falar entre si, e posteriormente ao convívio fluente.


 

       A mensagem é transmitida verbalmente e emocionalmente

 

       Aqui, a referência é o contacto visual. É algo que muita gente considera difícil de fazer durante uma conversa, e de facto é difícil. No entanto, os melhores comunicadores que existem, entre outras caraterísticas do diálogo, são capazes de manter o contacto visual forte. Formulando a pergunta "Porquê manter o contacto visual?", existem várias razões para o fazer. Por um lado, ajuda o inconsciente do receptor a compreender melhor a mensagem que está a ser transmitida, uma vez a atenção do mesmo vira-se para e emissor e não para algo que está ao redor dos dois e que o possa distrair. Por outro lado, ajuda novamente a compreender a mensagem, porque na comunicação, seja animal ou humana, a linguagem não é apenas verbal, mas também é feita através de gestos. Virando para um terceiro lado, o emissor da mensagem deve manter o contacto visual, observando a postura do receptor, e compreender se este está a perceber a mensagem ou não, se está interessado ou não, entre outros.




 

       A dança apenas transmite mensagens através das aulas de dança ou música

 

       Existe indivíduos que quando estão a comunicar, me atrevo a dizer que estão a dançar, porque fazem gestos com as mãos e corpo de todas as formas e feitos, levando a pensar às vezes que para cada palavra tem um gesto específico. Parecendo mentira, não é uma forma correta de transmitir uma mensagem. A maior parte da informação que o nosso cérebro recebe é através do sentido visual. Quando um indivíduo faz imensos gestos durante a comunicação, o receptor tem tendência a ver o que ele está a fazer em vez de ouvir. O ser humano está habituado a transmitir mensagens complexas e conscientes através do som, e a transmitir mensagens inconscientes através da imagem, ou seja, está capacitado em compreender mais as palavras do que os gestos. E durante a comunicação, a maior parte da atenção ou vai para os gestos ou para a palavra. Isto quer dizer que se a atenção estiver sobre os gestos, que é algo que não compreende, a mensagem também não será compreendida.


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       Diz o ditado que o sábio diz muito com poucas palavras

 

       E tem razão. Não me refiro que a melhor mensagem é feita com poucas palavras, mas refiro-me a acrescentar poucas palavras ao diálogo, ou seja, refiro-me a resumir o diálogo. Uma boa estratégia que o receptor pode usar para mostrar que está a acompanhar a conversa será reduzir tudo o que foi dito a apenas algumas palavras. O resumo mostra que acompanhou a conversa, pois só será capaz de resumir essa conversa se realmente a acompanhou. Mas acompanhar não é compreender, e resumir traz uma segunda vantagem no diálogo. Quando a mensagem não é bem transmitida, o resumo ajuda a clarificar os pontos que não foram compreendidos, onde o emissor repete o que pretender dizer e os pontos da conversa que faltavam preencher fazem agora parte de uma conversa completa.


       Colocar questões é tão importante como transmitir uma mensagem

 

       Para algumas pessoas, pode parecer cómodo colocar questões durante a conversa. Algumas questões até são realmente incómodas, dependendo das fases do diálogo onde se encontram os intervenientes. Mas existem várias razões para perguntar algo sobre a outra pessoa. Primeiro, fazer uma pergunta quebra barreiras à comunicação, porque permite saber se existe algo em comum entre os dois, se o receptor está receptivo à conversa, se está atento e/ou interessado, entre outros. Segundo, é um indicador de interesse sobre o receptor, pois certamente que este compreenderá que têm valor para que queiram saber algo mais dele. E terceiro, porque permite saber em que fase do diálogo estão os intervenientes e perceber se já existe confiança para começar com outros assuntos mais complexos.


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       Um diálogo tem pelo menos dois emissores

 

       Algumas pessoas aliam a postura corporal, com imensos gestos e movimentos, à persistente toma de vez para falar. Se é um erro falar com as mãos, um erro maior será falar sozinho. Quando duas pessoas estão a conversar, ambas gostam e querem ter alguma coisa para dizer, ou seja, não querem mostrar que não percebem do assunto ou se sentirem desvalorizadas. Quando uma interveniente tem tudo para dizer, não deixa a outra pessoa falar e até a interrompe, está a criar barreiras ao diálogo. Quando os dois intervenientes do diálogo querem falar sobre o mesmo assunto, à partida significa que o assunto é de interesse e comum aos dois. Se apenas um dos intervenientes falar e impedir o outro, está a desvanecer o interesse pelo assunto e a construir uma barreira que o impede de alcançar um novo nível de confiança com o outro interveniente.


 

       Manter a postura adequada

 

       No ponto quatro, referi que o ser humano está habituado a transmitir mensagens inconscientes através do gesto. E agora aprofundo esse assunto. Os gestos que referi no ponto anterior são gestos tomados durante o diálogo. Mas neste caso refiro-me às micro-expressões. O cérebro humano tem um defeito, que é tentar transmitir a mensagem duas vezes: uma pelo som e outra pelo seu comportamento. Sabemos que uma pessoa vai tomar uma determinada atitude por adopta sempre uma determinada postura. Isto refere a linguagem corporal, na qual é capaz de decifrar o que o cérebro realmente quer transmitirem vez do que trasmitiu pelas palavras. Isto talvez não esteja bem explícito, mas eu ajudo: a forma como as pessoas movimentam o corpo quando estão a falar indica se estão a dizer verdade ou a mentir. A postura que assumem durante uma conversa demonstra se estão interessados na conversa. Uma dica que eu sempre deixo ficar, é: durante o diálogo, aproxime-se um pouco da pessoa, de forma que os dois formem um triângulo e fiquem virados para o mesmo ponto do triângulo, ou se estiver sentado, incline-se para a frente em vez de se encostar na cadeira. Não só o inconsciente do seu parceiro de conversa compreenderá que você está interessado no que ele está a dizer, como você está a mandar no seu próprio inconsciente e a afirmar que quer ouvir o que os outros tem para dizer. No final da conversa, certamente que você aprendeu muito mais se adoptou a postura de inclinado para a frente do que encostado para trás.

 

       Não fique parado. Os seguintes artigos  são relacionados com o artigo que acabou de ler, e são também de grande importância


Constituindo um exceletne diálogo - Parte I
Constituindo um exceletne diálogo - Parte II
Constituindo um excelente diálogo - Parte III

Constituindo um excelente diálogo - Parte V
Constituindo um excelente diálogo - Parte VI

 

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Categories: Psicologia e Comunicacao

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2 Comments

Reply Valter Correia
7:10 AM on September 25, 2012 
Francisco says...
Seguramente evitame muitas horas de pesquisa sobre o asunto e permite-me focalizar no máximo rendimento da equipa em termos tecnicos.

Francisco( treinador adjunto,distrital futebol 11 sénior)


Olá Francisco

Muito obrigado pelo seu comentário
Fico contente por saber que o conteúdo é de qualidade, e espero continuar a fazer crescer este projeto com os melhores conteúdos possíveis.
Mas claro está, é com leitores como o Francisco que este projeto está a crescer

Um grande abraço
Valter Correia
Reply Francisco
6:58 AM on September 25, 2012 
Seguramente evitame muitas horas de pesquisa sobre o asunto e permite-me focalizar no máximo rendimento da equipa em termos tecnicos.

Francisco( treinador adjunto,distrital futebol 11 sénior)