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Relatorio de jogo: Man City - Cheslea

Posted by Valter Correia on August 22, 2012 at 7:50 PM

       Este é o segundo relatório de Jogo enviado por Rúben Tavares. Com apenas 16 anos, adivinha-se já um futuro no futebol. Parabéns pelo relatório e continua com o teu trabalho amigo.





Domingo 12 de agosto de 2012

Villa Park

 

Competição: FA Community Shield 2012


 

    Manchester City


Onze inicial: Pantilimon; Savic, Kompany, Zabaleta- centrais; Milner, Kolarov- alas; De Jong, Yaya Touré, Nasri; Tévez, Aguero 

Treinador: Roberto Mancini


 

     Organização Ofensiva

 

       O Man City apresenta neste início de época um novo desenho tático em relação ao 4x2x3x1 ou 4x4x2 da época transata, um 3x5x2 ou 3x4x1x2 com o meio campo em 2x1, ou seja, em duplo pivot( Mancini justifica o uso deste novo sistema tático com o número de Pontas de Lança existentes no plantel, segundo ele, este desenho tático favorece a maior utilização dos PL, que "abundam" no plantel milionário dos "citizens"-9). O Man City joga em ataque posicional e gosta de ditar os tempos de jogo, teve a maior percentagem de posse de bola, a grande maioria dessa posse foi na 1ª e 2ª fases de construção, o que se justifica pela colocação defensiva (recuada) do adversário e pela concentração de jogadores do City nestas zonas do terreno- os centrais, Kompany no meio, Savic abre na direita e Zabaleta na esquerda de forma a permitir a subida dos alas e à frente deste trio jogava um duplo pivot composto por Yaya Touré e De Jong com De Jong mais fixo e Yaya Touré mais livre para apoiar no processo ofensivo em fases de construção mais adiantadas, no entanto devido ao bloco compacto do Chelsea e às fortes marcações dos "blues" no meio campo, o duplo pivot "citizen" ficou muito preso na primeira parte e os dois ficaram a jogar quase de perfil mesmo com bola, o que puxou a equipa para trás e tornou a circulação do City "inofensiva" pois a bola circulava praticamente só no seu meio campo.


       O City cria mais perigo quando a bola chega jogável ao meio campo ofensivo ou às 3ª e 4ª fases de construção através do recuo de Nasri que leva a bola até aos avançados e o "homem do último passe" ou através de uma bola mais longa para as constantes movimentações quer em largura quer em profundidade da dupla de PL Argentina- Tévez/Aguero, uma dupla temível para as defesas contrárias pelas suas rápidas desmarcações e trocas de posição desconcertantes no último terço do campo, Tévez jogou um pouco mais recuado que Aguero mas não se pense que Aguero por ser o homem mais adiantado da equipa, fosse uma referência fixa no centro do ataque, longe disso, estes dois são umas autênticas "piranhas" quer no processo ofensivo quer no processo defensivo.


        Os alas jogaram o jogo todo praticamente como extremos ( Kolarov e Milner) muito por culpa do bloco (baixo) adversário. Ofensivamente, o City foi mais perigoso do lado esquerdo uma vez que Zabaleta sendo lateral de origem, ao abrir na esquerda para cobrir a subida de Kolarov também deu profundidade a esse flanco- Zabaleta jogou muitas vezes encostado à linha. O City também é mais perigoso na esquerda porque Tévez tem a tendência de se deslocar para a esquerda e partir da esquerda para dentro - golo 2-1 para o City- Tévez "acelera" da esquerda para o meio e remata à entrada da área. Do lado direito, o City não teve a mesma velocidade porque Savic embora possa jogar na direita não teve o posicionamento de central/lateral de Zabaleta e o City na direita teve algum perigo apenas quando um dos avançados caía nesse flanco (mais Aguero que Tévez) ou Nasri derivava mais para direita, o que aconteceu poucas vezes.

       Pontapés de Baliza- curtos para os centrais ou longos para Yaya Touré que subia para o meio campo ofensivo de forma a aproveitar a sua estatura física e 2ªs bolas- movimentos de colegas de equipa, sobretudo nas suas costas.

 

      Transição Ofensiva

 

       Após a recuperação da posse de bola, o City volta a baixar o ritmo de jogo e ao seu jogo em ataque posicional- os centrais abrem nas laterais, os alas sobem, o duplo pivot dá linhas de passe no meio campo quase de perfil e é aqui que está o problema do City na 1ªparte, a equipa tem muitas dificuldades em avançar para além da 2ª fase de construção em construção curta. Como já foi referido, o City nas poucas vezes que avançou a 2ª fase de construção em construção curta foi através do recuo de Nasri que aumenta a velocidade do jogo do City quanto mais avançar com a bola e combinar com os avançados formando um trio perigosíssimo no último terço do campo (Nasri-Tévez-Aguero). Em outras situações o City tem uma mudança de atitude rápida e procura transições rápidas com bolas mais longas na profundidade e verticalidade dos avançados e criaram-se situações de perigo para a baliza do Chelsea.

       Transições do Guarda Redes- curtas para os centrais ou longas nas alas/costas da defesa.

 

       Transição Defensiva

 

       A equipa joga com um bloco médio mas não pressiona o portador da bola e não faz uma pressão alta digna desse nome porque tal como foi referido anteriormente, o duplo pivot do City prende a equipa atrás e fica um pouco distante do vértice ofensivo do meio campo (Nasri). Quando a equipa perde a posse de bola, o duplo pivot ficava fixo, de perfil e não subia no terreno para possibilitar a subida da linha defensiva e por consequê ncia a formação de um bloco alto; a fixação destes dois jogadores resulta no recuo da equipa após a perda da bola e não pressiona muito na frente excetuando os PL que correm o jogo todo e não desistem de nenhuma bola, mostrando o seu espírito guerreiro. A pressão é horizontal à saída do meio campo do Chelsea, os defesas do Chelsea "só sentiam" a pressão dos avançados adversários. O City deixou o Chelsea sair a jogar, o que não resultou muito uma vez que o Chelsea apostava sobretudo em transições ofensivas rápidas e quando tinha a bola com espaço para circular, o Chelsea rapidamente fazia um passe longo à procura do espaço vazio no ataque. É notório que a equipa não está totalmente ambientada com este sistema tático e teve problemas com as transições rápidas e as fortes movimentações do ataque do Chelsea- golo 1-0 do Chelsea- várias falhas e desposicionamentos da defesa e do meio campo defensivo no mesmo lance.


       Momento Defensivo


       Em bloco baixo muita compactação, os alas descem e os 3 centrais fixam-se na zona central assim como o DP à frente da defesa, no entanto o ponto fraco do City em bloco baixo eram as laterais- os alas recuavam e defendiam mas quando o Chelsea conseguia colocar dois jogadores a combinar na mesma faixa (por exemplo, lateral e extremo) o City tinha dificuldades porque um dos médios apoiava o ala no trabalho defensivo mas abria espaços no meio e isso nota-se quando o Chelsea varia de corredor ou quando jogadores trocam de posição e progridem com bola do flanco para o meio como no 1º golo- progressão de Ramires da direita para o meio. Nasri recuava no terreno mas os avançados embora trabalhem defensivamente ao pressionar os centrais, não recuavam. Compactação no centro, alguns espaços a explorar nas laterais.

 

      Momento do jogo e efeito substituição

 

       O Momento do Jogo é a expulsão de Ivanovic aos 42'. O Chelsea prescinde do "10", o que possibilitou o avanço de Yaya Touré para junto de Nasri, o meio campo do City preenche muito melhor os espaços, mais rotação ofensiva, pressiona mais e a 2ª parte é dominada pelos "citizens" nos primeiros 25 minutos e controlada nos últimos 20.

       Das 3 substituições, a primeira fez realmente a diferença- Clichy por Savic- Zabaleta passa para a direita, Clichy para a esquerda. A equipa joga a segunda parte, podemos dizer, com três defesas, os alas quase não defendem, excetuando os últimos minutos de desespero do Chelsea, são extremos, Yaya Touré apoia o ataque quase ao lado de Nasri- golo 1-1 do City- Yaya Touré aparece à entrada da área a rematar; nos últimos 20 minutos, depois do 3-1, Yaya Touré recua um pouco para controlar o jogo no meio campo e segurar o resultado.



       Chelsea


Onze inicial: Cech; Ivanovic, Terry, David Luiz, Ashley Cole; Mikel, Lampard, Mata, Ramires, Hazard; Torres

Treinador: Di Matteo


       Organização Ofensiva


       O Chelsea joga com a variante tática mais utilizada por Di Matteo na última época desde que assumiu o cargo de treinador- 4X2X3X1, sem bola 4X4X1X1.       Com bola o Chelsea, ao contrário do City, não procura a posse e construção curta mas sim a verticalidade no seu jogo e jogar nos quatro homens do ataque, muito rápidos e com muita mobilidade ( Hazard, Mata, Ramires e Torres). Hazard na esquerda, Mata a "10", Ramires na direita e Torres no centro do ataque; quando a bola chegava ao ataque este quarteto leva perigo à defesa adversária e a velocidade do jogo do Chelsea aumenta- Hazard apareceu no centro e na direita, Mata na esquerda e da direita, Ramires no meio- golo 1-0 do Chelsea ( Ramires flete com bola para o meio em velocidade e a bola chega a Torres após o passe de Ramires e uma simulação desconcertante de Mata) e Torres, móvel na frente, abre nos flancos e recua em apoio. Estas constantes trocas de posições provocaram falhas de marcação do adversário e a criação de espaços no ataque.

       À frente da defesa um duplo pivot composto por Mikel e Lampard, Lampard com bola joga numa 2ª linha do meio campo e apoia o quarteto ofensivo pois Lamapard não é de todo um médio defensivo e ao aproximar-se do ataque torna-se cada vez mais ameaça para a baliza do City, também pela forte meia distância que possui.

       No que toca à defesa, a dupla de centrais ( Terry e David Luiz) esteve muito segura sobretudo na 1ª parte e os laterais estiveram bem; Ivanovic não sobe para apoiar o ataque e permite que Cole na esquerda suba com mais segurança uma vez que Ivanovic, sendo central de raíz fecha muito bem por dentro ( todavia é expulso com um cartão vermelho direto aos 42' que deitou tudo a perder).

       Pontapés de Baliza- longos para o ataque (na maioria das reposições o Jogador-alvo é Torres).

 

       Transição Ofensiva


       A estratégia de jogo do Chelsea em termos ofensivos baseou-se neste momento do jogo. Mudança de atitude rápida após a recuperação da posse da bola o Chelsea procurava aumentar a velocidade e levar a bola às 3ª e 4ª fases de construção e último 1/3 do campo onde surgia o tal "quarteto" e em várias ocasiões o apoio de Cole e de Lampard. Os atacantes são muito rápidos, verticais e têm constantemente movimentos de profundidade e criaram algumas situações de algum perigo em transições rápidas. Transições do Guarda Redes- rápidas e curtas no central ou no lateral ou longas para o centro do ataque ou para as alas.


       Transição Defensiva

 

       Após a perda da posse de bola, o Chelsea recua o bloco e não há mudança de atitude, o Chelsea é muito rápido quer nas transições ofensivas quer defensivas. Os laterais ( sobretudo Cole) apressam-se a reposicionar-se no seu espaço, os extremos fecham imediatamente na frente dos laterais, o "10" recua para assegurar o equlíbrio no meio campo e Torres desce e posiciona-se entre a entrada e o meio do meio campo ofensivo, cortando a espaços linhas de passe entre os centrais. O Chelsea foi muito forte nas transições defensivas e raramente houve descompensações e exposições na defesa "blue". A maior dificuldade do Chelsea foi as incursões do City da esquerda para o meio do seu ataque ( Nasri e Tévez tinham muito esse movimento) em transição ofensiva, pois Lampard apoia o ataque e tem problemas em recuperar a posição nas poucas transições rápidas ofensivas do City.


       Momento Defensivo

 

       O Chelsea jogou num bloco médio/baixo em momento defensivo; os extremos recuam ( e defendem muito bem) e, por consequência, formam-se duas linhas de quatro com Mata a jogar a "10" ( e a recuar também) nas costas de Torres formando um 4x4x1x1 em situação defensiva. O bloco defensivo do Chelsea é muito compacto e abriu pouquíssimos espaços na defesa. O ponto fraco do bloco do Chelsea foi a ocupação do espaço de Lampard já referida.  


       Momento de jogo e efeito substituição

 

       Com a expulsão de Ivanovic, Di Matteo optou por restruturar a equipa e colocar Ramires a lateral direito e Mata à sua frente como extremo prescindindo da posição "10" e o Chelsea joga num bloco baixo com as tais duas linhas de quatro e Torres que recua mais no terreno em situação defensiva tentando fazer o papel anterior de Mata. Em  organização/transição ofensiva, o facto de jogar com menos um obrigou ao Lampard mais desgaste físico já que tinha que apoiar o ataque de forma incisiva e até mais avançada do que o fez na primeira. Esta tentativa do Chelsea de atacar com menos um e libertar um dos médios para o ataque resultou em mais espaços para explorar pelo adversário em transição e o City faz dois golos em ataque rápido. Em síntese, na segunda parte o Chelsea teve muitas dificuldades em atacar com perigo e abriu espaços da defesa, muito por culpa da forte pressão do adversário na segunda parte. O Chelsea andou largos períodos da segunda parte a "cheirar a bola".

       Em termos de substituições o Chelsea fez duas- Bertrand por Hazard e Sturridge por Mata. Entraram os dois bem e mexeram com o jogo- estão no lance do segundo golo do Chelsea, que deu emoção ao jogo e incerteza no resultado até ao apito final.


     Observação Final


       - Vitória de uma equipa que quis controlar o jogo com bola e com um plantel de luxo com jogadores decisivos, que se exibiram em grande classe sobretudo após a expulsão de Ivanovic. Foi um bom duelo tático entre dois técnicos italianos ( dois Robertos); as duas equipas foram cautelosas nas suas respetivos planos de jogo. Se não tivesse existido a expulsão de Ivanovic, o resultado seria diferente.


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Categories: Observacao e análise

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