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Relatorio de Jogo da Supertaca Italiana

Posted by Valter Correia on August 17, 2012 at 2:00 PM

       Este relatório foi enviado por Ruben Tavares. Parabéns pela excelente análise


Juventus X Nápoles

Sábado 11 de Agosto de 2012

Beijing National Stadium

Competição: Supercoppa 2012

Juventus


Onze Inicial - Buffon; Barzagli, Bonucci, Lúcio- centrais; Asamoah e Lichtsteiner- alas; Pirlo, Vidal, Marchisio; Giovinco e Matri   Treinador: Massimo Carrera*




       ORGANIZAÇÃO OFENSIVA


       A Juventus privilegia a posse ou ataque posicional no seu jogo. A equipa joga em 3x5x2 onde os alas são muito importantes no equilíbrio e balanceamento da equipa. Os alas( neste jogo Asamoah e Lichtsteiner) jogam muito subidos no terreno( praticamente como extremos), Asamoah é mais 'atrevido' que Lichtsteiner, vai cruzar à linha de fundo e aparece em zonas de finalização - Golo do empate( 1-1) da Juventus. Os centrais ( Barzagli e Lúcio) posicionam-se nas laterais esquerda e direita respetivamente de forma a permitir a subida dos alas; Bonucci joga na zona central da defesa, um pouco mais recuado, é o líbero da equipa e é o primeiro da equipa a sair com bola em construção curta e representa uma linha de passe importante quando essas mesmas linhas escasseam no meio campo adversário,ou seja, permite que a equipa "gire" a bola para trás com segurança.


       No meio campo, Pirlo joga mais recuado, a "6", mas não é o "6" destrutor tradicional, longe disso, Pirlo espalha classe pelo relvado, cultura tática, visão de jogo, técnica que fazem dele uns dos melhores médios de sempre; Pirlo procura equlibrar a equipa à frente da defesa e é o "cérebro da equipa", o jogo passa todo por ele, a equipa vive muito da sua qualidade de passe curto  ou mais longo; para além da sua proeminência em construção no meio campo da Juventus, sobretudo na 1ª e 2ª fases de construção, Pirlo bate todas as bolas paradas da equipa; à sua frente, Vidal e Marchisio, dois jogadores que são fortes na marcação, dão rotação ofensiva à equipa, municiam a equipa em 3ª e 4ª fases de construção, surgem na área a partir de trás e procuram também as costas da defesa( Marchisio surge na área vindo de trás e assiste para o golo de Vucinic) e têm excelente cultura tática- recuam alternadamente para o meio campo defensivo permitindo que o génio de Pirlo crie espaços em zonas mais avançadas; para além deste recuo alternado, os médios interiores da Juventus equilibram a equipa noutra situação- quando os alas estão colocados no último terço do meio campo ofensivo, estes colocavam-se atrás junto à linha dependendo do flanco onde a bola estava- criam linha de passe e cobrem as costas dos alas.


       No ataque, Giovinco, mais móvel, muito rápido, cai nos flancos, sobretudo no direito e recua também no terreno jogando nas costas de Matri  partindo de trás; Matri é mais fixo, consegue jogar em apoio mas não apareceu na primeira parte muito por culpa do posicionamento e povoamento defensivo do adversário.


       A equipa recorre também ao passe mais longo em 2ª e 3ª fases de construção, estes passes longos são variações de flanco com o intuito de encontrar espaços na defensiva contrária- golo de Asamoah, Vidal faz o passe longo da direita para o corredor central, um pouco descaído para a esquerda e surge Asamoah livre à entrada da área para rematar com a defesa do Nápoles desposicionada. Os passes de ruptura praticamente não existiram e os desequilíbrios foram criados a partir das laterais.


       TRANSIÇÃO OFENSIVA


       Após a recuperação da posse de bola a equipa volta à construção curta e ao ataque posicional. A primeira preocupação da equipa é assegurar a largura no seu jogo- dinâmica dos alas e dos centrais, dinâmica dos médios interiores e Giovinco também cai nos flancos- a explicação para esta constante preocupação da Juventus também se prende com a colocação defensiva do Nápoles e o forte povoamento do corredor central.
Os centrais da Juventus não são muito dotados tecnicamente e sentem dificuldades quando são pressionados embora não tenham sido muito pressionados durante o jogo e jogam quase sempre simples no entanto no golo de Pandev nota-se essa dificuldade- Bonucci não joga simples e tenta sair a jogar, perde a bola  para Pandev e este vai para a baliza. 
Transições do guarda redes- para o central em jogo curto.

 
       TRANSIÇÃO DEFENSIVA


       A equipa joga com um bloco alto e pressiona imediatamente a saída de bola do adversário e o portador da bola. A pressão vertical e organização em bloco alto (tentando o fora de jogo) em momento defensivo por parte da Juventus, embora impeça a construção curta do adversário comporta muitos riscos- os centrais da Juventus não são rápidos e é um risco jogarem a 30/40 metros do guarda redes uma vez que uma bola nas costas pode resultar numa oportunidade flagrante de perigo: foi o que aconteceu nos dois golos do Nápoles, no primeiro os centrais da Juventus tentam o fora de jogo no meio campo (defesa em linha) e surge Cavani isolado(no momento do passe de Pandev ele está antes do meio campo ofensivo!!) e o segundo é uma bola longa de Campagnaro.
Vidal e Marchisio pressionam alto e forçam o erro mas deixam por vezes Pirlo um pouco exposto à frente da defesa e surgem adversários nessa zona em condições de finalização ou de último passe- no 1º golo do Nápoles os três médios até se encontram quase em linha a 5/10 metros da defesa( que fica demasiada exposta) e é nesse espaço que é feito último passe para o golo.


       MOMENTO DEFENSIVO


       Em bloco mais baixo a pressão é horizontal e o bloco defensivo é muito compacto com os alas a defenderem na linha dos centrais e os médios interiores colocam-se quase de perfil com Pirlo. Giovinco recua para o meio campo. Em bloco baixo a Juventus joga numa espécie de 5-4-1.  A equipa em bloco baixo abre alguns espaços principalmente quando é sujeita a repentinas variações de flanco- os médios interiores têm que fechar constantemente as laterais e surgem espaços na zona central, os centrais sentem muita dificuldade contra atacantes rápidos e móveis uma vez que são lentos.


       EFEITO SUBSTITUIÇÃO


       Das três substituições, só a de Vucinic por Matri ao intervalo mexeu com o jogo. Vucinic trouxe mais mobilidade ao jogo ofensivo, trouxe muitas dificuldades à defesa napolitana e não ficou (como Matri) perdido por entre a estrutura defensiva de Mazzari. As restantes substituições foram trocas diretas que tinham como objetivo a reposição de frescura no campo.

       *- Massimo Carrera orientou a equipa na Supercoppa 2012 devido aos castigos do treinador principal António Conte e do adjunto Angelo Alessio na sequência do caso CalcioScomesse



     Nápoles


       Onze inicial - Britos, Cannavaro, Campagnaro- centrais; Zúniga e Maggio- alas; Behrami, Inler e Hamsik; Pandev e Cavani  Treinador- Walter Mazzarri



        ORGANIZAÇÃO OFENSIVA


        O Nápoles jogou num 3x5x2 ou 3x4x1x2. O Nápoles procurava sobretudo a verticalidade no seu jogo e explorar as costas do adversário através da velocidade dos seus adversários com bolas colocadas no espaço. O que muda em termos de desenho tático em relação ao seu adversário é o meio campo: o Nápoles joga com um "duplo pivot suíço" composto por Inler e Behrami com Hamsik na frente desse duplo pivot, ele fazia a ligação com o ataque nas poucas vezes em que o Nápoles chegou ao meio campo adversário numa construção mais curta. Do duplo pivot, Inler era mais fixo que Behrami, com bola Behrami solta-se mais para uma 2ª linha do meio campo, mais perto de Hamsik. Os alas não subiram muito durante o jogo e raramente chegaram à linha de fundo, no entanto Zúniga foi mais ofensivo que Maggio e nas alturas em que subiu, sendo ele um destro, fletia mais para zonas interiores e Cavani abria mais junto à linha, um movimento usado algumas vezes no jogo com o intuito da criação dos espaços vazios. Os centrais limitaram-se praticamente ao jogo defensivo e quando tinham bola serviam-se do passe longo para os espaços no ataque. Para o Nápoles o foco do passe era as costas da defesa adversária; quando está em posse de bola os avançados Cavani e Pandev abrem nos flancos de forma a explorar o espaço deixado pelos alas adversários nas suas subidas e Hamsik aparece no meio quase como um falso nove e fazia a ligação muitas vezes com os dois avançados que partiam dos flancos para o meio em movimentos de ruptura nas costas da defesa e que criou muito perigo no ataque até Hamsik sair, a partir desse momento o jogo ofensivo do Nápoles quase desapareceu. O lance do 1-0 é paradigmático da ligação deste trio Hamsik-Pandev-Cavani- lançamento de Campagnaro, a bola é rcebida por Hamsik que joga em Pandev que vem a fletir para o interior e este joga a bola em Cavani depois de um movimento de ruptura que rasga a defensiva da Juventus.


        TRANSIÇÃO OFENSIVA

 
       Após a recuperação da posse de bola há uma mudança rápida de atitude. Movimentos em profundidade dos avançados de forma a aproveitar os espaços vazios deixados pela defesa adversária e preocupação em colocar a bola nas costas imediatamente. Se não poderem usar o passe longo, começam a construção com Behrami a subir um pouco mais e Hamsik baixa para pegar na bola e levá-la ao ataque. Os alas sobem mas não tiveram muita influência no jogo ofensivo da equipa e não subiram tanto como é habitual- preocuparam-se mais em defender a subida dos alas adversários.
Na defesa jogam sempre simples e não cometem erros.
Transições do Guarda Redes- passe longo nas costas da defesa ou nas alas.


       ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA


       A equipa organiza-se num bloco baixo muito compacto, sobretudo na zona central onde estão colocados cinco jogadores- 3 centrais e o duplo pivot e Hamsik que recua para perto do meio campo defensivo em situação defensiva assim como Cavani que aparece muitas vezes muito recuado por entre os médios, até no meio campo defensivo, aliás no primeiro golo da Juventus ele está dentro da área a tentar bloquear o remate de Asamoah, que aparece desmarcado à entrada da área com a defesa um pouco desposicionada, sobretudo Maggio que não teve inspirado e neste lance ele está fora de posição e depois acaba por fazer um auto-golo ( um jogo para esquecer). Pandev ficava na frente para explorar a transição ofensiva enquanto que Cavani mostrava o seu espírito guerreiro e de equipa- foi importantíssimo no jogo ofensivo como no jogo defensivo e bolas paradas, é o tipo de jogador que todos os treinadores querem ter. Os alas defendiam bem a subida dos alas adversários, no entanto Maggio teve dificuldades para suster a velocidade e capacidade física que Asamoah impôs na ala esquerda e foi por esta ala que a Juventus criou mais perigo.


       TRANSIÇÃO DEFENSIVA

 

       Mudança de atitude média e a equipa quase não se desposiciona pois ataca com poucos jogadores, a recuperação defensiva foi quase irrepreensível- a maior dificuldade da recuperação defensiva e o 'calcanhar de aquiles' da defesa napolitana foi mesmo o lado direito- Maggio teve muitas dificuldades em segurar Asamoah, que teve um jogo excelente e, como já foi mencionado, o lance do 1º golo da Juve é paradigmático. Maggio é muito veloz, ataca muito bem mas defende pior do que ataca; do lado esquerdo Zúniga defendeu e atacou bem, os alas adversários não lhe causaram muitas dificuldades; o meio foi fechado a "sete chaves". A defesa do Nápoles raramente deu espaço nas costas e a Juve não explorou esse espaço.

 

- Bloco baixo muito compacto do Nápoles durante toda a partida. A expulsão de Pandev inclinou o jogo, a expulsão de Zúniga matou o Nápoles.


 

       EFEITO SUBSTITUIÇÃO


 

       A substituição de Gargano por Hamsik puxou a equipa para trás e Gargano não tem a capacidade de construção nem de "falar com os avançados" que Hamsik tem. Mazzari viu que o meio campo da Juventus estava a controlar o jogo e tentou dar mais capacidade física e de marc

Categories: Observacao e análise

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