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A importância da relação com bola

Posted by Valter Correia on November 19, 2014 at 3:40 PM

        Muito tenho eu, ouvido falar na dimensão física, como uma caraterística do jogador de total importância para o rendimento do atleta. Não nego que esta afirmação seja verdade, nem discordo com a mesma, mas acredito que esta afirmação não esteja completa. Físico, no futebol, não é tudo. Existe tanto para ser trabalhado nos jogadores e na equipa, que é impossível dar total importância à dimensão física do jogador, e dar menos importância a outras dimensões. Podemos, de certo modo, afirmar que a dimensão física é uma das bases de um edifício a que chamamos de equipa, isto porque a dimensão tática, técnica e psicológica, também suportam esse edifício.


       A importância da relação com a bola


       Desde já, não pretendo que compreendam a relação com a bola como a dimensão técnica, porque não basta que o jogador saiba ter a bola no pé. Quando me refiro à relação com bola, acredito que o jogador deve ser capaz de ter a bola no pé, assim como saber o que fazer com ela, e ter condições com os seus colegas para que toda a equipa seja capaz de ter a bola. Então, acredito que a relação com a bola, não é uma caraterística individual, mas uma caraterística coletiva, porque uma equipa só é capaz de ter a bola na sua posse e efetuar ações de qualidade, se vários membros da equipa forem capazes de jogar com a bola no pé, no que diz respeito a capacidade técnica e organizacional. Acrescento também, que não importa apenas a capacidade de determinado jogador em tomar decisões, assim como a capacidade da sua equipa em favorecer condições para escolher mais decisões e tomar mais decisões. Isso é a relação com bola da equipa. Vamos a exemplos.




       1. Saber jogar fora de zonas de pressão


       Muitas equipas, incluindo algumas das maiores equipas da europa, não costumam colocar a bola fora de zonas de pressão. Algumas preferem até, arriscar mais vezes e perder a bola mais vezes (fazendo a mesma circular por zonas extremamente complicadas), do que usar rotinas ou processos com melhores oportunidades de alcançar a baliza. Os princípios de jogo, dizem-nos que devemos procurar o caminho mais perto para a baliza. Mas esse caminho, não tem necessariamente de ser o mais rápido possível, nem o mais direto possível. Importa é o caminho mais perto, mesmo que seja preciso desviar a bola do caminho direto.


       Como tal, por vezes, tentar atacar não é a melhor opção, seja por opção do portador da bola, seja por indicação do treinador ou modelo de jogo. Muitas vezes, vemos 2 jogadores com a posse de bola, a tentar ultrapassar quatro ou cinco jogadores. Em 10 tentativas, 1 ou 2 terão sucesso, e o resto traduz-se em perder a posse de bola. Como é possível que haja treinadores a tentarem este tipo de recurso para alcançar o golo, que ao mesmo tempo defendem que o físico é o mais importante? Então, a ideia de jogo desses treinadores, é treinar o físico sem sequer usarem uma ideia de jogo inteligente, fazendo os jogadores perder a bola e correrem atrás dela? Correr atrás da bola não significa que vamos conseguir fazer golo ou defender bem, porque chega uma altura de jogo em que os jogadores estão de tal forma fatigados, que nem defendem nem atacam.


       No que diz respeito à organização da equipa, levar a bola para zonas de pressão pode ter consequências negativas para a equipa. Ter a bola com qualidade não é a mesma coisa que ter a bola durante muito tempo. Algumas equipas são capazes de fazer a bola circular entre corredores laterais e central e entre meio-campo defensivo e meio-campo ofensivo, e criar um ataque rápido bastante perigoso para o adversário. Outras equipas unicamente limitam-se a circular a bola de forma mecanizada, sem criar desorganizações na estrutura adversária nem a explorar os seus espaços mais fracos.


       Como podemos desorganizar o adversário durante a nossa saída de jogo? Essa deve ser sempre uma questão ao treinador quando este elabora um plano para o jogo, porque em futebol corrido, os golos acontecem porque existe uma saída de jogo de qualidade. Se a equipa é capaz de levar a bola para o meio-campo ofensivo de forma qualitativa, a probabilidade de alcançar a baliza é muito maior. E levar a bola para o meio-campo ofensivo significa, por exemplo, evitar zonas de pressão, ou seja, evitar caminhos desnecessários, onde a maior parte dos acontecimentos é perder a bola.


       Por exemplo, na situação abaixo, num jogo entre Liverpool e Chelsea FC, com posse de bola para o Chelsea:



 

       Nesta imagem, o Chelsea, através de Matic, não dispôs de opções para continuar o seu processo ofensivo. Serviria de alguma coisa, tentar ir mais longe, ou a melhor opção seria mesmo levar a bola para os defesas centrais, e ocupar zonas sem pressão, onde podemos relançar o processo ofensivo? Porquê perder a bola desnecessariamente? Não é suposto controlar o jogo? Ou é suposto perder a bola? Deixo estas questões para refletirem.

 

       2. O relançamento do processo ofensivo


       Se queremos atacar, e não temos por onde atacar, unicamente devemos relançar o ataque. Nada mais simples do que isto. Porque razão devemos arriscar em algo que não teremos hipótese mínima de sucesso?


       Se não há espaço para atacar, então não devemos atacar. Devemos criar espaços para que tal seja possível. Devemos relançar o processo ofensivo, do que tentar atacar por onde as possibilidades de alcançar a baliza são baixas e as possibilidades de perder a bola são altas. O portador da bola deve ser inteligente, e avaliar o quanto é possível essas duas possibilidades. Segue mais um exemplo abaixo, onde o Chelsea volta a tirar a bola da zona de pressão, relança o processo ofensivo a partir da defesa, e faz golo:



 

       3. Conclusão

 

       Eis a importância da relação com a bola. Através de um argumento básico e lógico, só marcamos golo se a bola entrar na baliza, conforme mandam as regras do jogo. Então, para fazer golo, temos de levar a bola para zonas perto da baliza, ou seja, devemos ter processos de qualidade, tanto defensivos para recuperar a bola, como ofensivos para levar a bola para a zona de finalização. Caros treinadores, aprendam a fazer a vossa equipa a retirar a bola da zona de pressão, e a relançar o processo ofensivo, invés de atacar desnecessariamente. Só isso.

 

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Categories: Processo defensivo e ofensivo

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2 Comments

Reply Samuel Marques
8:07 AM on February 12, 2015 
As vezes é necessário desviar a bola do caminho direto e procurar o caminho mais fácil circulando com a bola. Alguns treinadores criam modelos de jogo em que preferem perder a bola mais vezes e correr atrás dela, do que jogar de forma inteligente com mais toque de bola. É aquela famosa ansiedade para fazer o gol, falta a calma de trabalhar a bola.
Reply Lucas
7:31 PM on November 22, 2014 
Alguém sabe onde posso baixar documentários sobre treinadores de futebol famosos?