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O número 10

Posted by Valter Correia on August 28, 2014 at 1:50 PM

Marco Martins, que já nos enviou um artigo bastante interessante (Treinador e sistema de jogo: implementação vs flexibilidade), enviou mais um artigo com um assunto muito importante a ter em conta, relacionado com a evolução do futebol: a evolução do número 10. É uma importante reflexão a fazer.     

   Quando pensamos em números 10 no futebol, e não falo apenas do número mas sim da posição, aquele jogador capaz de rasgar linhas e deixar vários jogadores para trás devido a sua técnica e finta rapidamente nos vem a cabeça nomes como:


  • Maradona, Zico, Riquelme e Ronaldinho ou aqueles do nosso campeonato : Rui Costa, Deco e Aimar.


       Estes sim, eram os “puros números 10”, actualmente no futebol moderno esta posição está adaptada a outras: um “falso 9”, um jogador da “posição 8” com características mais ofensivas ou um médio ala e aquilo que me apoquenta é: porque é que o verdadeiro “número 10” deixou de existir?

       Ainda existem vários jogadores com características que um verdadeiro número 10 possui: criatividade, imprevisibilidade, passe, técnica, finta, visão de jogo, casos como, Nasri, David Silva ou Ozil. Mas se observarmos os jogos destes jogadores rapidamente percebemos que eles não jogam nessa posição, Ozil jogou a extremo esquerdo no campeonato do Mundo, Nasri e D.Silva no City jogam numa mistura de alas com médios interiores na fase defensiva.




       Quando ocorreu esta “extinção”?


       O marco deste ponto de viragem será talvez quando Pep Guardiola assumiu o comando do Barcelona, nessa altura tinha no plantel um dos melhores jogadores de sempre: Ronaldinho. De pronto Guardiola disse que não contava com ele. Ronaldinho terá sido provavelmente o último grande número 10 que vimos actuar.


       O porquê da “extinção” desta posição?


       O futebol evoluiu numa direcção em que se tornou mais táctico e físico. Se observámos jogos de grandes competições de há 20 anos atrás um dos aspectos que salta á vista é o tempo e espaço que os jogadores tinham para decidir. Jogadores criativos conseguiam desequilibrar muito maIS facilmente. Actualmente o tempo de tomada de decisão é muito mais reduzido e receber a bola com espaço entre a linha de defesa e do meio campo adversário (zona de acção do número 10) em equipas de topo é muito raro. Daí ser necessária uma adaptação dos nossos jogadores criativos. Outro dos aspectos que definia estes “mágicos” era a sua falta de atitude quando a sua equipa passava do processo ofensivo para o processo defensivo, normalmente este tipo de jogadores eram fracos a defender e a recuperar a sua posição, um verdadeiro calcanhar de Aquiles. Num futebol cada vez mais táctico, basta um jogador não cumprir que coloca em xeque todas as acções defensivas da sua própria equipa.


       Como um treinador molda um “maestro”?

 

       Antes de mais é necessário perceber quais são os seus atributos mais fortes para além daqueles que um “número 10” já possui.


       Se for razoável em processos defensivos e tiver boa capacidade física, normalmente são adaptados a número 8 (médio centro) com a tarefa de organizar o jogo em terrenos mais intermediários do campo, pois é nessa zona que lhe será possível receber a bola. No futebol actual existem jogadores que sofreram estas adaptações : Fabregas, (no Barcelona era mais um falso 9, mas agora no Chelsea joga como construtor de jogo), Rakitic, Di Maria, David Silva, Toni Kroos , Isco entre outros.

       Se possuírem velocidade e grande capacidade de 1vs1 normalmente são adaptados a extremos ou médios ala. Casos como Eden Hazard, James Rodriguez, Ozil, Juan Mata ou Ribery. Se forem fortes na finalização existe uma adaptação a “falso 9”. Casos como Messi, Totti, Rooney ou Gotze.


       Com isto verificámos que eram necessárias as adaptações do típico número 10 a uma posição que fosse mais proveitosa em prol da equipa. Não podemos dizer redundantemente que o “mágico 10” desapareceu, apenas se mascarou e colocou-se noutra zona do campo, a magia e o virtuosismo ainda o podemos observar por escassos momentos nos grandes palcos do futebol actual.


*De referir que apenas toquei em jogadores e equipas do mais alto nível, é próvavel que em campeonatos de menor dimensão os “números 10” ainda espalhem a sua classe na sua posição de origem.

 

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1 Comment

Reply Ariel Paulo
3:59 PM on June 26, 2015 
Apenas testando p/ver se post já será publicado ou tenho q esperar até a confirmação. Obrigado.