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Treinador e sistema de jogo: Implementação vs Flexibilidade

Posted by Valter Correia on August 16, 2014 at 10:45 AM

 Partilharam este artigo comigo, que eu considero interessante. O futebol, não é feito apenas de treino, organização tática, psicologia e temas relacionados. Existe mais do que isso, e para compreendê-lo, por vezes, só é possível quando é vivido por dentro. A este artigo, parabéns ao autor, Marco Martins, por puxar para cima da mesa, o fenómeno da mudança de treinador. Do futebol, também faz parte os fenómenos sociais. Atentos.


Qualquer adepto ou treinador de bancada sempre se questionou: será que certo treinador que está a ter sucesso numa determinada equipa se vier treinar o meu clube terá sucesso equivalente?

 

Para explorar melhor este tópico torna-se oportuno colocar frente a frente dois treinadores que estiveram em destaque no início da época transacta por razões diferentes, um deles Pep Guardiola, treinador do Bayern Munique e o outro Paulo Fonseca ex-treinador do F.C.Porto.


O que estes dois treinadores têm em comum? Ambos começaram a exercer funções numa nova equipa para a época 2013\2014 e essas mesmas duas equipas tinham sido campeãs nas suas respectivas ligas na época anterior, Bayern Munique chegou mesmo a ganhar a Liga dos Campeões. Ambos a chegada do seu novo clube implementaram o sistema de jogo que traziam das suas equipas anteriores. Agora surge a questão: porque um teve sucesso e outro não?




O “novo” Bayern Munique tem bem explícitas as ideias que Pep utilizava no Barça: pressão alta, posse de bola, mobilidade, estrutura e organização idênticas. Mudar a filosofia de jogo numa equipa que tinha vencido tudo na época transacta, para muita gente, não faria sentido algum, (quanto mais adaptar Lahm a trinco, um dos melhores laterais europeus) mas a verdade é que nesta mesma época os resultados em termos de pontos na liga e diferença de golos supera a época anterior em que ganharam tudo sob o comando de Jupp Heynckes.


Por outro lado Paulo Fonseca não teve tanto sucesso, prestações fracas de uma equipa sem carácter a e uma mentalidade diferente de jogo em que apostava num duplo trinco, a semelhança do que utilizava no Paços de Ferreira, resultou num F.C.Porto que estava habituado a dominar a mudar a sua mentalidade para um pouco mais defensiva.


Este choque de mudanças de processos criado numa equipa por implementação de um novo treinador por vezes é difícil de aceitar, tanto por parte dos adeptos como por parte da própria estrutura do clube, bem como dos jogadores.


A explicação mais plausível entre o sucesso e insucesso destes dois treinadores estará na dimensão do seu anterior clube. No caso de Pep Guardiola a transição de um Barcelona para uma Bayern Munique, apesar de todas as diferenças, continuam a ser dois dos grandes clubes europeus, enquanto que do Paços de Ferreira para o F.C.Porto ainda vai uma grande distância e o sucesso e insucesso que um e certamente passa por aí. Enquanto Guardiola deparou com uma mudança de clubes em que ambos partilhavam pelo menos as mesmas ambições, Paulo Fonseca deparou-se com duas realidades completamente diferentes e tentar copiar um modelo de jogo numa situação destas raramente resulta.


Outro caso a ter em conta é a qualidade de sistemas. O "tiki taka", futebol mais de posse ou outra maneira qualquer que lhe queiramos chamar, gostando ou não gostando não lhe podemos negar os resultados (ficou bem implícita partes da filosofia do futebol de Guardiola na Alemanha que se consagrou campeã do mundo), é óbvio que não podemos comparar a qualidade dos dois técnicos em causa (Paulo Fonseca e Guardiola) e nem é esse o objectivo desta crónica, mas sim diferenciar bem as razões que passaram pelo sucesso e insucesso de ambos.

 

Posto isto deixo algumas questões no ar:

 

    • Não terá a direcção dos clubes grande parte da "culpa" na contratação de um técnico que vá contra a filosofia da equipa, que está numa certa rotina de sistema de jogo durante anos, que traga uma filosofia ou sistema na bagagem que não serve aquele determinado clube?
    • Será o ego de um treinador tão grande de modo a não "esquecer" o seu sistema de jogo e adaptar uma nova filosofia a realidade com que se depara num novo clube?
    • Esta temporada que está aí a porta, F.C. Porto e Sporting com caras novas na liderança da equipa, será que Lopetegui e Marco Silva irão adaptar as ideias base que trazem consigo e aplicá-las de maneira eficaz a nova realidade com que se deparam?


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Categories: Teoria Tactica

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1 Comment

Reply Michael Andrews
3:30 PM on August 20, 2014 
a) Pois sim, a direcção é suposto que esteja identificada com o modelo de jogo da equipa, tal como treinador novo que é contratado. Este foi o pecado capital do Paulo Fonseca, confiou excessivamente na alteração de um modelo que é a identidade do FC Porto; o pecado da Direcção foi ter permitido que assim fosse.

b) depende da dimensão do(s) clube(s) que se treina

c) Em ambos os casos, parece-me mais uma adaptação de ambos os clubes às ideias dos treinadores.