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Porque precisamos de um coletivo para vencer?

Posted by Valter Correia on June 21, 2014 at 6:25 PM

        Certo dia, ouvi alguns colegas a conversarem futebol, e um deles dizia que uma equipa sem um meio-campo, não tinha capacidade alguma. E teimava nesse argumento, em que uma equipa depende do meio-campo. De facto, uma equipa depende do meio-campo, é verdade, mas depende também da defesa, dos avançados e do guarda-redes. Todos precisam trabalhar em conjunto, para que uma equipa possa ser organizada em todos os momentos. Através de alguns exemplos simples e práticos, procuramos demonstrar situações onde adicionamos funções a jogadores específicos, funções essas diferentes daquelas que estamos habituados a ouvir em praticamente qualquer conversa de futebol.

 


     1.    Os atacantes e os golos


       Ainda é de opinião que os avançados estão presentes no campo para marcar golos? Numa equipa que se pretende organizada, colocar um jogador em campo com a única intenção de marcar golos, é algo impossível. Ou colocamos alguém em campo para ter uma equipa organizada, ou colocamos alguém em campo para fazer golos.


     1.1    Procurar espaços


       Nesta imagem, um atacante qualquer do Nápoles, movimenta-se em profundidade com o objetivo ter espaço para receber a bola. Não pode ficar quieto à espera da bola. Precisa-se movimentar, precisa abrir linhas de passe, se quer receber a bola e marcar golo. Qualquer apoio ao portador da bola, em qualquer parte do campo, é extremamente útil para um processo ofensivo, e os atacantes também devem servir esse apoio.




     1.2    Pressionar o adversário


       Abrimos uma gravação à sorte, em busca de um bom exemplo do que é pressionar, e encontramos este bem jeitoso. Reparem nos dois jogadores, mais adiantados do Norwich City, que é a equipa que não tem a bola. O jogador mais colocado à direita, dirige-se ao portador da bola para pressionar, e o da esquerda, encosta para fechar uma linha de passe do portador da bola. Os dois atacantes, não tem a bola nos pés, mas realizam ações defensivas, com o objetivo de recuperar a bola (seja por desarme, interceção ou erro do adversário), para depois arranjar uma forma de chegar o suficiente perto da baliza para ter uma oportunidade de marcar golo. O golo depende da forma como a equipa ataca e como defende, não de apenas um atacante que é capaz de chutar a bola no momento certo.





     1.3    Ajudar a defender


       Se por vezes, os atacantes estão presentes para pressionar, fechar linhas de passe ou diminuir o espaço para obrigar ao erro, outras vezes, estão mesmo presentes para fechar o espaço, mesmo a meio-campo. No exemplo a seguir, o Nápoles não tem ninguém posicionado no meio-campo ofensivo, em cima dos defesas adversários. Mais uma tarefa dirigida aos atacantes, muito diferente de marcar golos. As funções dos jogadores dependem do modelo de jogo adoptado pelo treinador, e a qualidade das tarefas que os jogadores realizam, depende de imensos fatores, como por exemplo, o treino. Marcar golos é apenas uma das tarefas, após a bola alcançar a área adversária.




     2.    Os defesas e a defesa


       Também ouvimos dizer por ai, que os defesas estão presentes para defender. São opiniões das quais discordo em parte. De facto, um defesa centro defende bem melhor que um médio por exemplo, porque treinou para isso durante anos. No entanto, as suas tarefas além de defender, são apoiar a defender, apoiar a atacar e sair a jogar. Aliás, os defesas são os primeiros organizadores de jogo, sendo eles mesmos dependentes das linhas que passe que se abrem mais à frente.


     2.1    Apoio ao portador da bola


       Se um defesa está sem pressão da parte do adversário, não pode servir como uma linha de passe para manter a bola, em vez de tentar algo mais arriscado de perder a bola? Passes atrasados, é uma das melhores formas de manter a posse de bola, porque envolvem pouco risco, além de enviar a bola para um jogador com visão por todo o campo. São defesas, mas nesta situação, estão a realizar processos diferentes de defender (podemos considerar defender, no sentido de não deixar o adversário ter a bola, e consequentemente, não atacar)





     2.2    Servir os avançados


       Nesta situação, o meio-campo nem sequer entra no lance. O defesa que está na posse de bola, procura um jogador para servir, com o devido apoio deste. Muitas vezes, ouvimos falar que os médios defensivos distribuem o jogo e tal, e é verdade, porque ainda não são pressionamos com o risco máximo, e estão mais perto do meio-campo adversário. Mas nesta situação, o defesa entendeu que tinha espaço para passar a bola no ar, e assim tentou.




      2.3    Jogar em grupo


       Na figura seguinte, temos dois defesas a abrir nos lados para libertar espaço no corredor central, defesas em apoio ao portador, e todos os jogadores a formarem triângulos, para que seja possível passar a bola, e passar e passar novamente. De facto, se retirarmos os defesas da organização da imagem, os médios não conseguem formar nenhum triângulo. Com os defesas, próximos caso o portador perca a posse de bola e oferecendo linhas de passe, a equipa tem soluções para organizar na saída de jogo para depois ter condições para atacar. Até uma equipa chegar ao golo, existe uma sequência de acontecimentos, precisando a equipa ter sucesso numa sequência desde o momento que recuperou a posse de bola até à finalização. Não é possível marcar um golo sem primeiro recuperar a bola e a levar até à baliza.




     3.    Mecânica no futebol


       A brincar um pouco com o título antes de ir ao encontro do argumento que pretendo escrever, apenas faço uma pergunta breve: dizem por ai que o meio-campo é o motor da equipa, e que o sucesso desta se deve à capacidade do meio-campo. Digam-me, um carro, só com o motor, também anda? Se lhe tirarem as rodas, o carro anda? A mim, parece-me que não.


       Agora, falando mais sério, todas estas tarefas que encontramos mais acima, dependem da mecânica da equipa, isto é, como se organiza para defender e como se organiza para atacar. É a mecânica da equipa, que leva os defesas a ter mais tarefas que apenas defender, e os atacantes a ter mais tarefas que apenas atacar. Equipas que se querem organizadas, sempre procuram princípios, como vantagem numérica, amplitude, cobertura defensiva, e por ai adiante. Estes princípios só sobressaem quando os jogadores realizam tarefas diferentes daquelas que lhe são específicas. Por exemplo, para que o meio-campo possa pressionar com qualidade, os defesas precisam de lhe ser próximos, através da cobertura defensiva. Aconselho a leitura deste artigo, que refere porque ter a bola não significa dominar o jogo.


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Categories: Teoria Tactica

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