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Reflexão acerca modelo de jogo: Criatividade vs Rotina

Posted by Valter Correia on June 2, 2014 at 3:00 PM

        No passado dia 27 de Maio, fui ver um jogo ao vivo – Amigável França vs Noruega – que me permitiu tirar algumas conclusões importantes acerca daquilo que é o jogo de futebol e como podemos organizar uma equipa. Como era um jogo amigável, provavelmente para o espetáculo para levar mais franceses a apoiar na França durante o mundial que se avizinha, ninguém tinha obrigação de ganhar. No entanto, no que diz respeito à organização ofensiva das duas equipas, notei algo de interessante, para o qual pretendo refletir para a nossa comunidade. Sempre ouvir dizer que há muitas coisas que fazemos de cabeça. Muitas das nossas tarefas que fazemos no dia-a-dia, fazemos por hábito, por rotina, fazemos porque estamos habituados a fazer, fazemos naturalmente. No entanto, nem sempre é benéfico depender de hábitos, ou de determinado tipo de hábitos, principalmente no futebol.

       No jogo amigável das seleções, a França venceu porque foi muito mais criativa a atacar, comparativamente com a Noruega, muito mais estática a atacar. Não só porque os jogadores franceses tem mais qualidade e trabalham em competições mais evoluídas, como pensaram mais dentro da área.


       As rotinas ou padrões de jogo no coração de equipa


       Criar rotinas e treinar rotinas nas nossas equipas, não digo que seja má ideia, nem digo que seja proibido fazê-lo. No entanto, jogar apenas em rotinas treinadas, esse é sem dúvida um grande erro que podemos cometer, se o nosso método de treino incluir apenas rotinas para aplicar no jogo. Durante uma partida de futebol, é notável a quantidade de acontecimentos diferentes que sucedem, como os jogadores precisam ter sucesso em vários acontecimentos seguidos, desde que iniciam o jogo na sua área até alcançar a área adversária e consequente finalização.




       Devido à variabilidade de acontecimentos, sabemos que as rotinas que treinamos não podem resolver nem encaixam em todas as situações que surgem pela frente. Por vezes, é melhor um lateral apoiar o extremo por dentro, e outras vezes, por fora. Por vezes, mais vale um médio ficar uns metros mais recuado, outras vezes, mais adiantado.

       Agora, para o nosso modelo de jogo, criar uma quantidade de rotinas estáticas, pedir aos jogadores que façam exatamente o que queremos, é um excelente método de fazer asneira. Não é o treinador, mas são os jogadores que estão dentro do jogo, que procuram os colegas, que estudam os adversários, que buscam os espaços, que ocupam os espaços, etc. Se o treinador lhes pedir o que fazer, é provável que surja uma situação diferente, e o jogador não saberá o que fazer, perdendo tempo a pensar.

       Vamos pensar numa situação diferente. Vamos supor que temos as nossas rotinas estudadas para um determinado jogo, e que, à meia hora de jogo, o treinador adversário já se deu conta dessas rotinas e já efetuou as alterações necessárias, quebrando essas rotinas. O que vamos fazer durante os 60 minutos? Jogar sempre o mesmo jogo, mesmo que isso não traga sucesso?




       Rotinas no Modelo de jogo


       Naquilo que diz respeito ao modelo de jogo, concordo que seja necessário criar rotinas em relação aos comportamentos da equipa. Por exemplo, a equipa deve saber quando sobe, quando desce, que jogador tem determinada função, como reagir à perca da bola, como reagir ao ganho da bola, como se organizar para defender, como abrir espaços para atacar, e por ai adiante. Em relação aos grandes princípios de jogo, que organizam a equipa, nesse caso acredito e concordo que sejam criadas rotinas, pois organização de uma equipa implica que toda a equipa pense por igual. Isso treina-se facilmente.

       Quanto aos pequenos princípios de jogo, o jogador deve sempre ter espaço para ser criativo, mesmo que o treinador conheça o adversário, conheça os pontos fracos e peça ao jogador para realizar determinadas ações. Por vezes, um colega de equipa não acompanhou, porque está cansado ou não percebeu a jogada. Nesse caso, o portador deve ter liberdade para pensar o jogo, procurar uma solução rapidamente em vez de esperar que o colega lhe ofereça uma linha de passe. Não dá para passar a bola a esse companheiro, mas dá para passar a outro. A defender, se um colega não vai fazer uma cobertura num contra-ataque rápido, um jogador não pode ficar a olhar apenas porque normalmente não lhe compete a ele, entrar em cobertura. Tem de ser rápido a pensar e a agir, ocupar rapidamente o espaço que o colega não acompanhou e ajudar a equipa. Depois de sofrer um golo, não há nada a fazer.


       Conclusão


       Durante o treino, não podemos ser demasiado estáticos. Precisamos oferecer liberdade aos jogadores para pensar, assim como precisamos desenhar exercícios que obriguem os jogadores a pensar o jogo. Treinar os grandes princípios, criando uma comunicação dentro do grupo em relação a todos os momentos de jogo, criando uma estrutura dinâmica para enfrentar as várias situações de jogo, é sinónimo de organização. Para o jogo, devemos dar soluções aos jogadores, evitando ser estáticos com eles, a não ser que estejamos a fazer algum teste com o modelo de jogo ou com algum objetivo específico. Sempre lhes peça atitude, peça-lhes companheirismo e faça-os enfrentar dificuldades durante o treino. Esqueça que o treinador tem o papel de mandar nos jogadores, mas lembre-se que o treinador tem o papel de desenvolver o jogador e a equipa. Essa é a função do treinador, para com os jogadores, clube a adeptos.

 

 

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1 Comment

Reply Thiago Brandão
8:11 AM on July 18, 2014 
Sou aqui do Brasil, concordo com o sua analise, em todos os níveis e observo no futebol domestico justamente esse engessamento dos jogadores que muitas vezes deixam de realizar, por "obediencia" tática uma jogada melhor buscar mais um espaço vazio. Então o jogo se torna muito pior e vemos em nossa seleção a expressão maior disso o futebol que sempre foi criativo, preso em diversos níveis! Penso que sem a bola é necessário essa dedicação ao que foi treinado, essa rigidez maior, mas com a bola é necessário que você deixe também espaço para que seu jogador desmanche o plano do adversário.
Espero que eu tenha entendido o conceito passado pelo texto! sou novo aqui e adorei o Site já esta nos meus favoritos! Falaremos sempre! Obrigado!