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Dica do dia: construa futebol organizado

Posted by Valter Correia on May 17, 2014 at 12:05 PM

 Hoje, ainda existe quem pense que o futebol se resume apenas em treinar os jogadores para ter um físico invejável, e escolher os 11 melhores jogadores para entrarem no campo. “Um pianista para ser bom não precisa de correr em volta do piano. Para ser bom, precisa apenas de tocar piano.” Esta frase pertencente a José Mourinho, representa um dos maiores erros que ainda são cometidos. Muitos treinadores ainda são resistentes à mudança, continuando a treinar à antiga sem obterem os resultados que pretendem. Como já escrevi noutro artigo, posse de bola é uma consequência da organização e não um objetivo, a forma física é também uma consequência dos métodos de trabalho, e não um objetivo a alcançar para se ter sucesso

      Hoje, já não damos primazia à forma física como objetivo do treino. Hoje, a organização da equipa, é muito mais importante. O coletivo, a forma como os jogadores trabalham em equipa, a forma como se em campo e as funções que adquirem em cada momento de jogo, todo esse trabalho acaba por controlar a fadiga física.





       Qualquer equipa bem organizada, terá de correr menos, jogando até mais e melhor do que uma equipa que corre imenso e sem sentido em todos os momentos de jogo. Os jogadores ainda tem forças para continuar mais um pouco quando se dá o cansaço físico. Mas, quando se dá o cansaço mental, o jogador não encontra motivação para continuar a correr, e chega mesmo a perder a noção daquilo que faz no campo. Esta é uma das razões porque publicamos imensos artigos de psicologia, e hoje, no treino, é mais importante melhorar a capacidade mental do jogador do que a física.
 
       Por exemplo, para o jogador, é mais importante que este saiba enquadrar entre os colegas, ou que perceba o que está a acontecer no jogo para tomar uma decisão, do que correr enquanto conseguir. Não digo com isto, que correr não deixou de ser importante. Apenas refiro que a capacidade física e mental de qualquer jogador, devem trabalhar em conjunto em todos os momentos.

     Combinação indireta em frente à área


       Lembram-se do artigo as combinações simples, diretas e indiretas? Não são mais do que situações com três ou quatro colegas de equipa, onde um deles tem a bola, e todos devem pensar em conjunto, em função da sua posição, do número de adversários, da posição destes e do que podem fazer depois de os ultrapassar ou se livrarem deles. Deixo aqui um exemplo rápido, de uma movimentação, com criatividade, ou já treinada durante a semana, que os jogadores podem fazer à entrada da área. Envolve as dimensões físicas, táticas, técnicas e psicológicas dos jogadores envolvidos, assim como envolve princípios de jogo. Vejam:




       Com uma tabela, ultrapassámos uma linha, mas resta ainda outra, e estamos agora numa zona de grande pressão. Mas, fizemos a nossa tabela para um lado do campo, com um jogador de apoio nas costas dos adversários. Podemos dirigir-lhe a bola, que o deixará na cara do guarda-redes. Quando analisamos um adversário, devemos procurar pontos fracos coletivos e individuais. Se encontrámos um lateral fraco na marcação de alguém que aparece no seu espaço, podemos usar esta combinação indireta, deste que os nossos jogadores sejam capazes de a fazer.




       No entanto, devemos sempre lembrar que algo vai acontecer depois, e nesta situação, a probabilidade de perder a bola é muito elevada. Com a rotação dos jogadores, podemos atrair o adversário para um lado do campo (abrindo espaço para o extremo que entra, no outro lado), fazendo também que se crie uma dupla cobertura ofensiva ao nosso portador da bola. Mesmo que percamos a bola, o adversário terá poucas opções, porque o espaço nesse corredor está fechado. Enquanto o adversário tenta tirar a bola dali sob pressão, a nossa equipa pode fechar os espaços. Isto é futebol de qualidade, onde a organização obriga os jogadores a tomarem opções de qualidade, onde o jogador se sobressai, a equipa se desgasta menos fisicamente. Isso é futebol.


     Explorar as leis de jogo

       Todos nós sabemos da lei de fora de jogo, que nem preciso explicar aqui. O que importa, é que apenas um adversário pode criar um espaço grande entre a linha de fora-de-jogo e a linha defensiva. Vamos supor que estudamos um adversário, e que encontramos um jogador com uma habilidade especial na má leitura de jogo, ou seja, facilmente sai da linha defensiva e abre um buraco entre linha defensiva e linha de fora-de-jogo. Será que não podemos aproveitar o facto de uma equipa ser desorganizada na sua linha defensiva? Se um jogador se atrai facilmente pela movimentação de um avançado e a linha defensiva não o acompanha, será que não podemos aproveitar esse facto para criar situações de golo?





       Na situação acima descrita, estamos a construir uma situação de um lado do campo, mas temos outros dois jogadores em frente da baliza no corredor central. Podemos simular que vamos acelerar o jogo, fazendo um jogador se movimentar em profundidade, de forma que o lateral o acompanhe.





       Se este o faz, existe um espaço onde os outros dois podem entrar, sem que estejam em fora de jogo. Passar-lhes a bola é tudo o que precisamos fazer, colocando-os de frente para a baliza.


     Conclusão


       Estas são duas jogadas estudadas, para trabalhar após uma boa análise do adversário. Se existem pontos fracos individuais, existem também formas de os explorar a nosso favor. Muitos questionam imediatamente que é fácil desenhar, e o difícil é transferir isso do papel para o campo. Se colocarem os jogadores a correr em volta do campo, e a chutarem à baliza, um de cada vez, sem sequer terem oposição, sim, será difícil fazê-lo. Para que a equipa atinja uma forma de jogar invejável, a dimensão tática deve ser trabalhada desde muito cedo, a par das dimensões físicas e psicológicas.

       Qual é a dificuldade de criar um exercício, com pouca ou nenhuma oposição, para ensinar o que pretendemos aos jogadores, e depois criar um exercício com maior intensidade e volume de ações, para que estes evoluam no contexto que os inserimos? Será que um treinador só é bom se lhe derem os jogadores que eles querem, ou não será um treinador bom, quando este sabe tirar o melhor proveito dos seus jogadores?


       Mais




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Categories: Teoria Tactica

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2 Comments

Reply Jonas costa
1:04 AM on May 18, 2014 
Gostaria d saber como organizar o futebol da minha equipa se o adversario faz a marcacao homem a homem e na minha e a zona
Reply Jonas
12:56 AM on May 18, 2014 
Boa dica