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Linha defensiva: uma questao de conceitos

Posted by Valter Correia on May 10, 2014 at 4:00 PM

        Mais de uma década depois da Periodização tática começar a ser fortemente divulgada, e com uma mudança drástica do estilo de jogo das equipas e dos próprios métodos de trabalho, ainda há quem continue enganado às ideias antigas ou aos conceitos que lhe são aplicados. O futebol evolui, mas nem todos tem capacidade para o acompanhar, principalmente quem não se procura atualizar. Seja organização tática ou treino, ou sejam outros conceitos não tão diretos no futebol, a verdade é que existe muito por onde evoluir, sem que seja preciso colocar o trabalho de sucesso ao lado.

       Hoje, no futebol de alta competição, já não procuramos levar para o campo, onze jogadores bem treinados fisicamente, com resistência para fazer correrias sem ter um objetivo em mente. Hoje, com onze jogadores em campo, procura-se criar organizações que faça uma equipa parecer que tem mais que onze jogadores. Organização, princípios, dinâmicas, inteligência, ritmo, tudo isso é mais do que a capacidade dum jogador em fintar, em driblar ou ter uma atitude inabalável que o acabará por desgastar completamente ao longo da partida.


       Não estou a dizer que existe falta de organização em todas as equipas dos escalões inferiores, nada disso. Até encontrámos equipas bem organizadas para as condições de trabalho que muitas dessas equipas possuem. Refiro antes, a forma como alguns conceitos são levados pelo erro, conceitos que já não tem o mesmo valor de outros tempos, conceitos ultrapassados.


       No artigo de hoje, pretendo demonstrar porque um coletivo é muito mais que cada jogador, e porque a organização tem mais benefícios que a qualidade individual. Geralmente, no que diz respeito aos defesas, classificamos imediatamente as suas ações como defender e fechar os caminhos da baliza. O conceito de defender leva muitos a pensar que os defesas estão lá para defender, os médios para organizar e os atacantes para marcar golo. Esses são conceitos de outros tempos, e que não fazem sentido para equipas organizadas.





       Hoje, existem setores, existem ligações entre setores, e já não se escolhem jogadores por posições, mas por funções. Não basta ser lateral direito e serve para entrar em campo. Precisa ser capaz de jogar como lateral direito, e num plantel, aquele mais capaz de cumprir as funções que pede o modelo de jogo, deverá ser aquele que entra em campo. De nada serve ter um lateral direito com uma técnica apurada se este não baixa para ajudar a defender. Tem qualidade individual, mas o seu comportamento em campo não se enquadra com a função que o modelo de jogo lhe adquire.


       Nesta análise ao Everton contra o Manchester City, podemos ir buscar algo muito importante no que diz respeito à organização da equipa. Não que esta equipa não tenha qualidade, porque o estilo de passe deles, é fenomenal. Impressionam na forma como arriscam a bola no meio-campo ofensivo com baixos riscos de a perder. Demonstram coletivamente, uma qualidade de passe muito superior a algumas das maiores equipas que andam por aí.




       Mas, conforme se ia observando o jogo, notou-se que havia ali algo que não batia certo. Algo estava ali que fazia a equipa correr riscos, algo que se traduziu no primeiro golo sofrido pela equipa. Por várias vezes, soltavam-se jogadores da linha defensiva para fazer frente ao portador da bola, quando deviam ser médios ou atacantes a pressionar e a linha defensiva a proteger.


       Os defesas participam em todos os momentos de jogo


       Hoje, o conceito que o defesa serve para defender ataques dos adversários está ultrapassado. Hoje, em processos de jogo de qualidade, cada defesa tem uma função perante a restante equipa. Os laterais servem para apoiar na posse de bola e na amplitude, e os defesas centro servem para formar coberturas defensivas quando a equipa defende (os laterais também) e para formar coberturas ofensivas quando a equipa ataca. A linha defensiva está presente para ser organizada entre os próprios elementos dessa linha, e para ser organizada em função dos restantes jogadores da equipa. Vejamos um exemplo:




       Neste exemplo, os blocos estão próximos, os médios defensivos fecham o espaço central e os restantes jogadores fazem pressão ativa. Neste tipo de processo defensivo, o adversário precisa ter sucesso numa sequência muito maior de ações, pois caso consiga se safar da pressão dos médios e dos atacantes, precisa ainda ultrapassar a linha dos defesas e a linha dos médios defensivos. Mesmo que os jogadores mais adiantados sejam ultrapassados, existem outros jogadores a fechar o caminho para a baliza, com os espaços fechados. Estes, enquanto fazem contenção, fazem tempo para que os médios e atacantes voltem a pressionar. Isso se chama defender com qualidade, onde os defesas fazem cobertura a quem pressiona. Isso é jogar em função coletivo, onde todos juntos se tornam um só, muito mais forte que onze jogadores


       Vejamos outro exemplo. Neste caso, a linha mantém-se exatamente no mesmo sítio, mas os jogadores mais adiantados não estão a pressionar. Portanto, nesta situação, esta linha não está em cobertura, mas em contenção, com os restantes jogadores mais longe.




       Nesta situação, uma simples tabela ou um passe em rutura é o suficiente para ultrapassar toda a linha defensiva, ficando apenas o adversário de frente para a baliza. A ausência dos jogadores mais adiantados na zona da bola, fazendo da linha defensiva, uma linha de contenção e não de cobertura, diminui a quantidade de ações que o adversário precisa ser bem-sucedido, tornando a hipótese de sofrer golo, muito mais elevada.


       Os defesas não só estão lá para defender, como para atacar


       Para não descaraterizar o estudo feito até agora, vamos inverter os papeis das nossas equipas. No exemplo abaixo, a equipa encontra-se na saída de jogo.




       Desta vez, são os nossos defesas que atacam. A leitura de futebol, pode ser feita de várias formas. Entre essas, escolhemos os momentos de jogo como exemplo. Durante a transição ofensiva, em que a equipa se movimenta para procurar soluções para colocar a bola no meio-campo ofensivo, a primeira ação parte na maior parte dos defesas, durante a saída de jogo. Nessa fase, quando a equipa está em saída de jogo, os defesas tem um papel extremamente importante para colocar a bola na frente em condições. Ações técnico-táticas ofensivas, como desmarcações e passes são feitas pelos próprios defesas, cujo conceito original indica que são feitos para defender.

 

       Hoje, os defesas não foram feitos para defender, nem os atacantes foram feitos para atacar. Todos são necessários para jogar como equipa, caso queiram ter sucesso. Ter um colega perto e bem posicionado, condiciona muito mais a ação do adversário. Ter um colega longe e mal posicionado, condiciona muito mais a ação do próprio jogador. Fica a dica

 

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Categories: Teoria Tactica

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1 Comment

Reply luis carlos ferreira de carvalho
9:36 PM on May 15, 2014 
Lendo seu artigos, conseguir entender os termos BALANÇO OFENSICO/BALANÇO DEFENSIVO, mas gostaria de ler algo mas detalhado sobre o assunto, e sei que ´´e do interesse de muitos. Assim, solicito, a publicação de algum artigo, ou então, indicação de referência bibliográfica.

Obrigado!