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Posse de bola: uma questao de principios

Posted by Valter Correia on May 3, 2014 at 6:35 PM

       Nos últimos tempos, vários estilos de jogo tem sido criticados, como o estilo de Pep Guardiola, principalmente nas últimas semanas. Esta frase explica, em segundo plano, qual é a razão do verdadeiro futebol, e o que o movimenta.

       Quando falamos de momentos de jogo, para quem não trabalha nem nunca trabalhou, o momento de jogo é o golo, é a expulsão, e por ai adiante. Por outro lado, para quem trabalha, sabe que os momentos são cinco (ou quatro, como preferirem), e que o resultado depende muito mais do que o golo. Por isso, o que movimenta o futebol, são as emoções, é a paixão que um adepto tem por um clube e pelo espetáculo que a equipa apresenta, mesmo que essa equipa seja taticamente má. A equipa pode até ser taticamente forte, mas se apresentar futebol diferente da cultura de quem o vê, será sempre um futebol feio.




       O trabalho de Pep Guardiola é talvez o melhor exemplo atual daquilo que é a posse de bola ao adepto comum: as suas equipas demonstram altas percentagens de posse de bola. No entanto, jogar em posse de bola, é muito diferente de ter 70% de posse de bola.


     O mito da percentagem da posse de bola



       Habitualmente, podemos considerar dois estilos de jogo: contra-ataque/ataque rápido e ataque posicional. Cada um tem as suas vantagens e cada um precisa de determinado tipo de jogador. Para uma equipa que joga em contra-ataque, é praticamente impossível de atingir os 70% de posse de bola. Buscam-se ações de alta intensidade, procura-se alcançar a baliza o mais rapidamente quanto possível, com o cometer erros em segundo plano. A habilidade técnica tem um peso maior do que a habilidade tática.

       Já no ataque posicional, invertemos as coisas: a habilidade tática está acima da habilidade técnica. Existe o pensar o jogo, existe a gestão equilibrada do espaço, entre atacar e estar pronto para defender. Busca-se, através de movimentações, simulações e trabalho de equipa, conseguir espaços favoráveis para a criação de situações de finalização.

       Equipas cuja filosofia passa por ter a bola, devem preocupar-se em serem capazes de segurar a bola e saber usá-la, não em ter a bola durante todo o tempo quanto possível. A seguir, temos um exemplo, que não depende da equipa, mas de quanto tempo teve a bola e em que zona teve a bola:




       Trocou a bola durante 30 segundos no seu meio-campo defensivo, sem oposição, até que decidiu soltar a bola. 30 segundos correspondem a 0.55% de uma partida de futebol, e se uma equipa o fizer 10 vezes, corresponde a mais de 5 por cento dos noventa minutos. Ora, se a equipa tem a bola durante 5 minutos, será menos 5 minutos que o adversário terá a bola, o que é suficiente para que as estatísticas sejam apresentadas em 55% x 45% de posse de bola, se não considerarmos mais nenhum fator.

       Ao olho do adepto comum, a equipa que teve 55% de posse de bola, à partida, dominou o jogo. Nada mais errado. Apenas teve mais posse de bola. Isso é o único argumento que os números nos transmitem. Mas, ao olho de quem estuda futebol aqueles trinta segundos valeram mais pela procura de espaços, pela inversão de flanco, pela amplitude de jogo, pelas linhas de passe que foram abertas, e por ai adiante.

       Jogar em posse de bola não significa ter a bola durante muito tempo. Isso será apenas uma consequência, ou um resultado de jogar em posse, ou seja, equipas de posse tendem a ter elevadas percentagens de posse de bola, porque passam muito tempo com ela no pé, a guardar a bola, a procurar o controlo da bola e do jogo. e tanto procurar os espaços, de tanto esperar pelo momento certo de atacar e de tanto pensar o jogo, a percentagem da posse de bola sobe naturalmente, criando equívocos no que diz respeito à equipa que dominou a partida.





     Posse de bola x contra-ataque


       Aproveito ainda, para lembrar um facto muito importante. O jogo, não depende apenas de um fator, nem de determinada habilidade dos jogadores. Cada estilo necessita de jogadores mais evoluídos em determinados aspetos, mas que não pode descartar aspetos menos evoluídos dos jogadores.

        Mais acima neste artigo, referi a habilidade tática e a habilidade técnica. Referi que o contra-ataque necessita de habilidade técnica e o ataque posicional necessita preferencialmente da habilidade tática. No entanto, recuperar a bola e contra-atacar, pede que o jogador procure um espaço livre para onde levar a bola, ou seja, exige habilidades táticas do jogador. Ao mesmo tempo, no ataque posicional, embora tenha mais tempo para pensar, o portador deve ser capaz de passar a bola para onde pretende, necessitando, por isso, de habilidades técnicas.

       Isto quer dizer que, independentemente do estilo adotado, todas as habilidades dos jogadores são necessárias para que esse estilo de jogo tenha sucesso. Embora o contra-ataque apresente um ritmo muito mais elevado, os princípios de jogo estão presentes. E para o ataque posicional, embora se pense muito mais o jogo, a habilidade técnica está presente, sempre.


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Categories: Teoria Tactica

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