Teoria do Futebol

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Como diferenciar a teoria da pratica - Parte 1

Posted by Valter Correia on March 12, 2014 at 11:15 AM

       Alguma vez teve uma conversa de futebol, com um miúdo acabado de sair da universidade? É entediante ouvi-lo a explicar tudo, como se fosse um doutor, não é? Pois bem, muitos jovens saem da universidade com a ideia errada que estão prontos para treinar futebol. No entanto, quando chegam ao campo de treino, pensam em tudo de uma vez, tentam fazer uma equipa campeã, e passado uma semana, os jogadores já nem os conseguem ouvir. Mas, então porque isso acontece, se foi o treino que esse jovem estudou e está habilitado a fazer? Se aprendeu a treinar, porque não é capaz de ter sucesso? Este é um simples exemplo, mas que acontece muitas vezes.

       Na realidade, existem muitas mais variáveis do que apenas jogo e treino. Saber desenhar um exercício é diferente de fazê-lo perceber e fazer os jogadores orientarem-se nesse exercício. É mais fácil perceber teoria, muitas vezes baseada num conceito lógico do que trabalhá-la. Antigamente na nossa comunidade, eu baseava-me imenso na teoria. Apenas lia e escrevia, e tudo parecia fácil perceber. Observar um jogo e tirar conclusões daí, é uma tarefa fácil. Cada um compreende um jogo de forma diferente, porque até ali, aprendeu as coisas de forma diferente.

       Mas, trabalhar é diferente de teorizar. Na teoria, a informação está presente, todos tem acesso, todos podem rever várias vezes e até fazer passar uma imagem positiva de si mesmos. A teoria é a parte fácil, e vai ser sempre a parte fácil. A parte difícil, é a prática. Eu mesmo senti que a teoria não me chegava e precisei dar um passo maior. E noto as diferenças. Há coisas que parecem fáceis quando teorizamos, mas que se tornam difíceis e interessantes quando as fazemos. O que pretendo eu com isto? De forma alguma vou desvalorizar a teoria, apenas comparar a teoria com a prática. Valorizo imenso a teoria, e é na teoria que nasce grande parte das ideias que são realizadas na prática. Mas é a prática que faz as coisas acontecerem.


      Quando aplicamos a teoria....

       Após isto, vamos a um exemplo. Através de alguns princípios de jogo e de algumas teorias encontradas por ai, vamos desenhar uma estrutura simples para o momento defensivo: defender em 4-4-2 em linha. A linha defensiva é extremamente organizada, o meio-campo pressiona e os avançados nunca ficam parados. Toda a equipa trabalha em conjunto e todos podem tirar proveito disso e sair a ganhar. Esta é a parte da teoria.





       Agora, naquilo que é a prática, há outras questões que precisamos resolver para que essa formação seja possível de formar em campo, e tirar resultados positivos disso. Existem mesmo muitas variáveis que precisámos ter em conta, que vão mais além que a análise a um lance. Precisamos pensar o jogo e analisar as variáveis em volta do mesmo, sem recorrer ao perfecionismo, para que possamos ter sucesso quando escolhemos qualquer parte do modelo de jogo. Apenas para esta organização, apercebemo-nos que existem outras dúvidas, tais como:

  • O que a equipa deve fazer depois de recuperar a posse de bola?
  • O que a equipa deve fazer se recuperar a bola em determinado sítio?
  • Quem se move para onde e o que faz nessa zona?
  • Os defesas tem capacidade para organizar uma linha defensiva?
  • Os médios sabem quando devem pressionar?
  • Os avançados sabem quem devem pressionar?
  • Se os jogadores não são capazes de se organizarem desta forma, o que devemos fazer?
  • Quais são os exercícios que devemos utilizar para levar a equipa a jogar desta forma?
  • O que acontece se um jogador não cumprir com a sua função?
  • No jogo, com alta intensidade, é possível que a equipa consiga manter a organização defensiva?
  • Será esta, a melhor forma de defender para o jogo ou competição em questão?
  • Etc...


       Teoria precisa-se, desde que seja aplicada na prática


       Neste momento, podia armar-me em cético, e inventar mil e uma coisas que questionam esta organização defensiva. Na teoria, foi fácil pensar numa organização defensiva, baseada em pressão, contenção e cobertura defensiva. É fácil pensar numa ideia, baseada em princípios e exemplos alheios, mas existem muitos fatores que não podemos controlar na prática.

       Mesmo que possamos desenvolver esta organização defensiva, em campo, vamos defrontar diferentes adversários, com diferentes estilos jogo, diferentes níveis de criatividade, que- jogo após jogo, se revelam diferentes desafios para a nossa equipa. Podemos até defrontar um adversário forte que, só pela dificuldade, a equipa se mantem concentrada e não comete um erro. Na mesma ideia, podemos defrontar um adversário fraco, que consegue alcançar a nossa baliza em duas ou três ocasiões, faz golo numa dessas ocasiões e nós perdemos esse jogo.





       Por exemplo, na final da liga europa, se repetíssemos o jogo vezes sem conta, com as equipas ao mesmo nível, o Chelsea não seria vencedor em todas as partidas. Num jogo de futebol, como na vida, não temos controlo em todas as variáveis que nos rodeiam, nem podemos perder tempo a tentar controlá-las todas. Devemos sim, tentar controlar todas as variáveis que temos possibilidades e procurar melhorar a cada dia em cada uma dessas variáveis.

       Hoje, o Facebook é a maior rede social do mundo, e tem um peso enorme em muitas empresas e comunidades. Se voltássemos atrás no tempo e o seu fundador o tentasse criar outra vez, será que teria sucesso? Essa resposta nunca saberemos. Se repetíssemos um jogo de futebol, também não saberíamos se ganhávamos ou não. São probabilidades, e pode vencer a equipa que melhor for capaz de puxar as probabilidades a seu favor.

       Futebol é mais que treino, organização tática e afins. Futebol é vida, e só mentes organizadas podem vencer no futebol, assim como no dia-a-dia.


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1 Comment

Reply Marcelo Faviere
11:55 AM on February 19, 2015 
Obrigado por esse e outros artigos que leio para tentar aprender sobre o futebol fora do conceito de bares, dia-dia, de torcedores.