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O pensamento sistemico e o pensamento analitico no futebol

Posted by Valter Correia on February 20, 2014 at 8:50 AM

       Chegou o momento de seguirmos para mais um artigo na nossa comunidade Teoria do Futebol. Antes de mais, quero agradecer a todos os leitores que sempre tiveram connosco e que por cá algum dia passaram. Uma comunidade precisa de alguém que a faça crescer, precisa de alguém que incentive, que aprenda, que ensine, que seja focada. Eu aprendo muito com vocês, porque vocês são espetaculares em fazer esta comunidade andar para a frente, e por isso, o meu obrigado. Enquanto eu estudava "O desenvolvimento do jogar, segundo a periodização tática", de Marisa silva, não pude deixar de notar que a periodização tática segue o pensamento sistémico em vez do analítico..


Como não tinha a certeza do que tratavam os dois pensamentos, fui pesquisar, dando origem a este artigo. Vou tentar simplificar, de forma que todos possam compreender cada um dos pensamentos


       A periodização tática é um método de treino mais recente que os métodos habituais, mais difícil, mas também de melhores resultados, porque trabalha a equipa como um todo, onde nenhuma das partes é excluída. Em métodos gerais, como a periodização convencional, a dimensão física é sobrevalorizada quando comparada com as restantes dimensões (técnica, tática e psicológica). No entanto, o jogo não se baseia em 11 jogadores contra 11 jogadores, e ganha a equipa que tiver os jogadores mais altos, rápidos e fortes. O jogo de futebol é composto por ações técnico-táticas, envolve a capacidade física do jogador em realizar essas ações, exige que estes tenham técnica para controlar, passar ou rematar a bola, exige pensar o jogo, exige ter vontade, e exige que os jogadores tenham a capacidade e solidariedade de jogarem unidos em torno de um objetivo comum à equipa.

 




       Sendo assim, com tantas variáveis de jogo, nem tudo é uma questão de condição física e muitos treinadores ainda não compreenderam isso. O jogo exige tanta coisa do jogador, principalmente que este seja capaz de cumprir a sua função na equipa em função de sí mesmo e da equipa, que se torna praticamente impossível argumentar que o futebol é um desporto meramente físico. Este é um dos argumentos que dão força à periodização tática, que é um dos melhores métodos de treino para fazer os jogadores jogar como equipa, com inteligência, e com garra, sem que estes precisem de ser pinheiros de 1.92 metros ou correr quase tanto como o Usain Bolt.

 

       Mas, para continuar a compreender aquilo que é a Periodização tática, precisamos diferenciar o pensamento analítico e o pensamento sistémico. A periodização tática é regida pelo pensamento sistémico. Claramente, grandes líderes de empresas e grupos bem-organizados fazem as suas escolhas com base no pensamento sistémico, principalmente treinadores de futebol, uma vez que precisam organizar uma equipa em função das variáveis de jogo.


       O pensamento sistémico


       O pensamento sistémico procura juntar o todo em função de um objetivo, procura criar um sistema organizado, onde nenhuma parte fica de fora nem nenhuma parte é mais importante que o todo. No que diz respeito ao trabalho do treinador, quando selecionámos um modelo de jogo para a nossa equipa, devemos pensar sistematicamente, em que cada parte do modelo de jogo depende das outras partes, em que cada momento de jogo está ligado aos outros momentos, em que cada jogador cumpre uma função que sempre depende dos colegas de equipa e não de individualismos. Quando pensamos na equipa como um sistema organizado e fazemos essa equipa funcionar segundo esse sistema, utilizando a periodização tática, estamos a trabalhar segundo o pensamento sistemático, ou seja, estamos a desenvolver um sistema como um todo. E de facto, se pensarmos segundo a lógica, numa equipa trabalha como um todo, existem jogadores que não interferem diretamente na bola nem no centro de jogo em alguns momentos, mas eles precisam estar presentes, precisam fechar ou abrir o espaço, precisam de ter funções dentro do campo a todo o momento, uma vez que a bola, em segundos, tanto pode mudar de setor e/ou corredor, e esses jogadores entram em ação.




        Num recente jogo entre Manchester City e Chelsea, num segundo, a bola estava no meio-campo defensivo no Chelsea, e após uma excelente bola longa, aliada a uma movimentação em rutura de Wiliam que abriu um corredor para Hazard correr com a bola, de repente a bola passou do lado esquerdo do meio-campo defensivo do Chelsea para o lado direito do meio-campo ofensivo, que resultou num golo para o Chelsea. Isto aconteceu em segundos, terminando num golo, onde os jogadores das duas equipas que estavam no meio-campo defensivo do Chelsea deixarem de fazer parte da jogada, e passaram a fazer parte de uma nova jogada, os jogadores que ocupavam o meio-campo ofensivo do Chelsea. Futebol tem muito que se lhe diga.

 



       O pensamento analítico


       Naquilo que diz respeito ao pensamento analítico, acredito que também pode ser utilizado no futebol, não para montar uma equipa mas para estudá-la. Mas isto sou eu a pensar, pois acredito que um todo se possa dividir em partes, estudar essas partes, corrigir os erros e voltar a montar essas partes segundo o pensamento sistémico. Segundo o pensamento analítico, devemos dividir um todo em partes, até à mais ínfima parte, a fim de compreender cada uma das partes que compõem o todo. Então, visto que no futebol, nem todos os jogadores interagem sobre a bola a todo o momento, sabemos em determinados períodos de tempo uns jogadores vão interagir sobre a bola, e noutros períodos de tempo, outros jogadores vão interagir sobre a bola. Então, há períodos em que a equipa comete erros, que acaba por influenciar outros períodos de jogo da equipa. Precisamos estudar esses períodos, compreender o que se está a passar de errado, compreender o que devemos corrigir e voltar a encaixar esse período de jogo na equipa.




       Por exemplo, vamos supor que durante uma partida, a equipa não está a ter sucesso nas transições pelo lado direito do campo. Certamente que se estamos a criar situações de finalização pelo lado esquerdo e não pelo lado direito, não precisamos de corrigir as nossas ações pelo lado esquerdo, mas sim pelo direito, e para isso precisamos analisar a nossa transição pelo lado direito a fim de perceber o que está errado. Aqui, dividimos o modelo de jogo em partes, estudámos a parte que nos interessa melhorar em função das ações que surgem nessa parte do modelo de jogo e em função das outras partes que constituem o modelo de jogo, e depois voltamos a encaixar todas as partes para funcionarem como um todo.


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Categories: Treino

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3 Comments

Reply Walter Luciano
4:43 PM on August 30, 2016 
Gostaria de mais teorias agregados a pratica sobre sistemico e analitico.

Obrigado.
Reply Valter Correia
11:20 AM on February 20, 2014 
Olá Gibson.

Vou levar o seu comentário muito a sério e estudar mais profundamente, segundo os materais que recomendou. Um grande abraço
Reply Gibson Moreira Praça
10:39 AM on February 20, 2014 
Boa tarde. Inicialmente parabéns pelo texto. Gostaria, contudo, de salientar a parte final por ti apresentada. Quando citas que "devemos utilizar o pensamento sistémico para montar uma equipa, devemos utilizar o pensamento analítico para a estudar as partes, e depois voltar a encaixá-las segundo o pensamento sistémico.", na verdade você está apenas acessando o pensamento analítico durante todo o tempo, sem em momento algum considerar a natureza sistêmica do jogo de futebol. Ao tentar "encaixar" uma parte estudada separada no "todo" que compõe o jogo de futebol, o que está fazendo é exatamente o que pressuposto analítico diz. Do ponto de vista sistêmico - e algo que não foi comentado aqui - é nas interações estabelecidas entre as partes que o todo se engendra. Logo, não existe esse "encaixe" de uma parte no todo, e sim uma nova relação que se estabelece a partir da modificação de um componente. Trazendo para a prática, ao treinar separadamente seu lado esquerdo ou direito, o que verás é que na hora de transpor para o jogo, há princípios que regulam as interações estabelecidas entre os lados do campo que são negligenciados pelos atletas, visto que não tiveram acesso à informação como um todo. Nunca ti esqueças que o pensamento sistêmico não se funda no todo, e sim nas RELAÇÕES estabelecidas entre as partes. Sugiro, caso se interesse, que leias "Teoria Geral dos Sistemas", Bertallanfy, "Abordagem sistêmica do jogo de Futebol", Julio Garganta, a tese de doutorado do prof. Rodrigo Leitão na UNICAMP e a coletânea "O Método", de Edgar Morin. Estou à disposição para outras conversas. Att