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Como orienta o tempo no treino dos atletas?

Posted by Valter Correia on September 7, 2013 at 12:55 PM

        Desde que a comunidade Teoria do Futebol foi fundada, já foram publicados imensos artigos acerca o treino do futebol. Pessoalmente acredito que o treino é mais importante que o jogo, uma vez que os jogadores passam mais tempo a treinar do que a jogar, e se treinarem mal, não vão jogar bem. Desta forma, lanço um desafio aos leitores: Como orientam o treino da vossa equipa? Vamos recordar as quatro vertentes gerais que diferem os jogadores: vertente tática, vertente técnica, vertente física e vertente psicológica. Estas vertentes devem ser treinadas em separado, ou em conjunto?


       Vertente técnica

       Se fizermos a habitual conta que já todos devemos saber, 90 minutos de jogo distribuídos por 22 jogadores corresponde a praticamente dois minutos de jogo com posse de bola por jogador. Isto é, de facto, pouco tempo para ter a bola nos pés e pouco tempo para resolver situações de jogo. Isso quer dizer que o atleta necessita ter uma técnica elevada para resolver cada uma das situações de jogo, elevando as hipóteses de toda a equipa se aproximar do alvo para fazer golo. Se o jogador falhar tecnicamente, falhará um dos vários processos de jogo que a equipa preparou para o jogo, e corresponde a menos uma oportunidade para alcançar a baliza. Por outro lado, se o jogador corrigir bem a situação, não aumenta as oportunidades da equipa alcançar a baliza adversária, mas aumenta a probabilidade da equipa ser bem-sucedida durante esse momento de jogo, o que pode fazer com que a bola vá à baliza.

       Desta forma, compreendemos que a vertente técnica é uma ferramenta para o jogador trabalhar a bola no jogo, de forma a receber, controlar e passar a bola a um colega de equipa para dar continuidade à jogada. Então, durante o treino, o jogador deve ter uma boa relação com a bola durante o treino, onde passa por várias situações diferentes onde é obrigado a receber a bola, controlar a bola e passar a bola. O fundamento desta ideia, é aproveitar ao máximo, os 2 minutos que tem a bola no pé durante uma partida de futebol

 




       Vertente tática

       Se os jogadores tem apenas 2 minutos para ter a bola no pé, isso significa que tem 88 minutos de jogo sem bola. Isso é muito tempo sem bola, onde cada jogador se vê obrigado a manter-se em apoio ao portador da bola e em permanente atenção os jogadores adversários, às movimentações dos jogadores das duas equipas, aos espaços mais abertos ou mais fechados, e por aí fora. É de facto muita coisa para o jogador observar e estudar. Mas, observar, não é por si só, jogo sem bola. O jogo sem bola é saber onde estar e como estar, para prestar apoio aos colegas de equipa que o rodeiam. Por exemplo, se a equipa está a sofrer um ataque pelo corredor central, o médio deve colocar-se em contenção e o defesa em cobertura defensiva. Ambos os jogadores estão sem bola no pé e em posições e funções diferentes, mas ambos estão a fazer jogo sem bola, através do posicionamento correto que é fechar o caminho para a baliza e a posterior tentativa de recuperação da posse de bola.

       Então, como organiza o jogo sem bola no treino? Utiliza exercícios onde realmente não tem nenhuma bola, ou ensina os jogadores através de exercícios simples, para depois os treinar em exercícios mais complexos e com mais oposição? Pessoalmente considero que o jogador deve ser capaz de identificar uma situação de jogo, identificar para onde se deve movimentar e porque razão se deve movimentar. Uma nota muito importante que devemos reconhecer. Caso a bola esteja na posse da nossa equipa, o portador da bola pode passar a bola para outros dez jogadores. Quanto mais perto estiverem, maior a probabilidade de a bola lhes ser passada. Isto quer dizer que, mesmo que um jogador se mantenha em apoio ao portador da bola, é mais provável que a bola não lhe seja passada. Mas, vai ser passada em outras situações, sendo por isso muitíssimo importante ao jogador estar sempre pronto para receber a bola para dar continuidade à jogada

       Artigo: Descubra um método para inserir o seu modelo de jogo na sua equipa


       Vertente física

       Esta vertente equivale também a uma ferramenta do jogador para se fazer jogar em campo. Se por um lado, a vertente técnica serve de ferramenta para controlar a bola, a vertente física serve como condição para o jogador controlar a bola e se movimentar pelo campo. Em todas as situações de jogo, sem nenhuma situação de exceção, a vertente física está presente no atleta. Precisa de força para correr, resistência para aguentar mais tempo a jogar, da mesma forma que precisa da força específica para passar a bola ou para a controlar. Por exemplo, ter mais músculos no corpo não significa que o jogador seja capaz de passar melhor a bola. Mas ter os músculos específicos para o futebol bem treinados, aliando a coordenação entre mente e músculos, sim, significa ter condições para passar melhor a bola.

       Aliás, mesmo após a introdução da periodização tática no treino onde a periodização convencional tem sido muito desacreditada, a vertente física não foi deixada de lado. Na realidade, foi treinada em condições diferentes, para um objetivo diferente, que é a condição da realidade do futebol ou forma desportiva se preferirmos chamar, em vez da forma física. O artigo Forma física vs Forma Competitiva faz essa distinção.




       Vertente psicológica

       Este vertente, a meu ver, é a mais importante de todas. Existem muitas características psicológicas que regulam a capacidade do jogador em participar nas imensas situações de jogo. A capacidade de leitura, a criatividade e a capacidade de decisão são apenas três características psicológicas muito importantes encontradas nos jogadores de futebol. Quanto melhor um jogador for capaz de ler o jogo, mais criativo será para resolver uma situação de jogo da mesma forma que será capaz de tomar uma decisão mais acertada. A motivação é também uma característica psicológica muitíssimo importante, uma vez que, um jogador motivado sempre terá melhores decisões que um jogador desmotivado. E tomar decisões significa agir corretamente no jogo, tanto corretamente quanto taticamente.

 

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       No entanto, a vertente psicológica não se treina num ginásio, como a vertente física. Treina-se sim, ao mesmo tempo que se treina a vertente tática e a vertente técnica. Todas estas quatro vertentes trabalham em conjunto onde, a vertente psicológica orienta as três vertentes restantes,  diretamente ou não. Há quem considere que a vertente psicológica seja orientada pela vertente tática. Pessoalmente, considero que se um jogador resolveu bem uma situação de jogo, resolveu-a primeiro na sua mente, estudando a situação e encontrando uma solução. Só depois tomou a atitude de resolver a situação de jogo, mas primeiro, precisou de a perceber mentalmente.

 

       Conclusão

       Após a análise das quatro vertentes de treino, chegámos a uma conclusão. Todas as vertentes devem ser treinadas em conjunto e não é possível treinar uma em separado. Bem, a condição física pode ser treinada em separado, mas isso é a condição física, não a vertente física. A periodização tática resolve este problema, treinando todas as vertentes em conjunto, direcionando um treino a um objetivo que é a formulação da equipa para o modelo de jogo, isto é, criar uma equipa em campo à imagem do modelo de jogo em papel.

 

 

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Categories: Treino

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1 Comment

Reply NETO
3:25 PM on November 17, 2013 
vertente