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Descubra um metodo para inserir o seu modelo de jogo na sua equipa

Posted by Valter Correia on June 16, 2013 at 2:35 PM

       Para todos os que me conhecem, e para os leitores que acompanham constantemente o meu espaço, é notável a paixão pela organização tática e pelo conhecimento pelo futebol, que espero um dia igualar com os profissionais deste desporto coletivo. Enquanto isso, estudo, escrevo, compartilho, desenho as minhas ideias.

       Não é difícil desenhar modelos de jogo para usar ou compartilhar com os nossos amigos, porque um modelo de jogo básico ou mesmo um modelo de jogo complexo não necessita de muitas regras nem princípios para ser desenhado. Basta usar uma caneta e um papel, ou usar o Dossier de Treinador de Futebol, desenhar um esquema e escolher algumas movimentações.

       Mas, para desenhar um modelo de jogo eficaz, a teoria não é assim tão simples de compreender. Para desenhar um modelo de jogo complexo e eficaz, necessitamos de princípios, análises e saber como explorar os limites que nos são impostos durante a competição. Deixo até ficar uma dica em cima da mesa, valendo como uma estratégia para desenhar ótimos modelos de jogo.




 

     Primeira fase: analisar as condições para escolher um modelo de jogo

       Sem escolher uma boa árvore, nem o melhor pássaro sabe como fazer o ninho


       Em alguns artigos anteriores, já falámos da importância de analisar previamente ao fazer. Por exemplo, na primeira parte da série "Como preparar a época desportiva", fizemos exatamente o que vamos explicar neste ponto: começámos por analisar a competição. Se ainda não leu o artigo, aconselho a leitura, aprofundando o seu aprendizado com este artigo.

       Existe uma importância muito elevada em observar antes de realizar jogos e treino, assim como observar antes de criar modelos de jogo. Pode ser que não faça sentido para muitos, mas usar bem o tempo é uma arte, e uma arte rara. Existem imensas pessoas que não sabem como gastar o seu tempo, optando imediatamente por resultados sem sequer estudar o meio envolvente para alcançar esses resultados, preferindo queixar-se e colocar defeitos na realidade, em vez de encontrar uma forma de lidar com essa realidade.

       Por exemplo, o modelo de jogo em 4-3-3 que já publicamos na nossa comunidade, pode ser um excelente modelo de jogo numa competição e levar uma equipa a excelentes resultados, como pode ser um modelo de jogo péssimo em outra competição, porque não se adapta a essa competição. Existem vários pontos de grande importância para analisar quando escolhemos um modelo de jogo, tais como:

 

       >>> A competição

       Sempre que iniciamos uma nova competição, precisamos reconhecer que tipo de futebol vamos encontrar. Por exemplo, muitas competições são formadas por equipas que praticam futebol técnico, outras ligas são formadas por equipas que praticam futebol tático, outras ainda são formadas pelas equipas de futebol físico, e existe ainda as ligas onde falta a cultura tática e desportiva para que seja considerada uma liga profissional. Neste sentido, o treinador profissional pode ter o melhor modelo de jogo no mundo de forma geral, e esse modelo de jogo pode ser extremamente eficaz numa determinada competição. Entretanto, pode dispor dos mesmos métodos de treino e dos mesmos jogadores, mas é certo que esse modelo de jogo dificilmente terá sucesso em outra liga diferente. Por exemplo, em Espanha, o futebol tem caráter técnico. O treinador pode escolher um modelo de jogo que seja eficaz contra o futebol técnico, mas quando joga com esse modelo de jogo contra uma equipa que não seja espanhola, a probabilidade de não vencer a partida é maior, porque o estilo de jogo adotado através do seu modelo não encaixa noutros estilos de futebol, isto na teoria.


       >>> O plantel

       Este é mais um ponto muito importante na hora de escolher um modelo de jogo. Novamente vamos simplificar conceitos, e usando apenas o futebol físico e o futebol técnico para compreender este ponto. Quando escolhemos um modelo de jogo em função do plantel disponível, observámos se os jogadores têm caráter técnico ou caráter físico, e escolhemos um modelo de jogo baseado no estilo de jogadores que temos. Por exemplo, se os jogadores têm caráter técnico, precisamos escolher um modelo de jogo que potencie as habilidades técnicas do plantel, porque é uma forma que os jogadores estão habituados a jogar, e é dessa forma que será mais fácil fazer os jogadores jogar. Se o nosso plantel é técnico, e tentamos inserir um modelo de jogo próprio para jogadores de caráter físico, o nosso plantel não responde com bons resultados porque não está preparado para isso.

       O que se passa aqui, é que os jogadores treinaram anos e anos para evoluírem a sua técnica, e será mais fácil para eles fazer uso da técnica em vez do uso do seu porte físico, porque foi algo que eles aprenderam a fazer. Aprender, requer tempo, e não é possível ensinar um estilo totalmente diferente a um jogador que possui o seu estilo há anos. Isto é, se desde os 12 anos que treina o futebol técnico, e já leva 25 anos de idade por exemplo, não será um modelo de jogo e meia dúzia de meses de competição que o farão deixar de usar o seu futebol técnico para usar o futebol físico. É tudo uma questão da capacidade do atleta.


       >>> Os meios disponíveis

       Por vezes, não dispomos de todos os meios para criar o nosso estilo de jogo na equipa. Gosto de dividir os modelos de jogo em dois grupos fundamentais: modelos de jogo preparados para a equipa jogar por si mesma e modelos de jogo facilmente adaptáveis aos adversários. A diferença entre estes dois estilos é que no primeiro estilo, não dispomos de um observador técnico para saber como joga o adversário. Então, escolhemos um modelo de jogo que se possa precaver contra possíveis dificuldades que irão aparecer. Já no segundo grupo, constituído por modelos de jogo maleáveis, dispomos de um observador técnico. Podemos então escolher um modelo de jogo onde podemos moldar consoante o adversário, mantendo sempre as diretrizes da equipa. Isto é, o nosso modelo de jogo tem o seu próprio estilo, mas consoante o tipo de adversário que vamos enfrentar, variamos um pouco o estilo de jogo para jogo.




     Segunda fase: analisar resultados

       Analisar com plena consciência leva a que erros sejam corrigidos ainda antes de aparecerem


       É importante compreender a importância de estudar a evolução da equipa consoante esta aprende a jogar o modelo de jogo que queremos, seja no treino ou na competição. Geralmente, alguns jogadores adaptam-me melhor ao modelo de jogo do que outros e nem todos evoluem da mesma forma. Cabe a nós, treinadores, avaliar em qual fase de evolução se encontram os jogadores, para que possamos desenhar exercícios que complementem o que os jogadores ainda não aprenderam a fazer.

 

       Analisar o treino leva a encontrar erros para corrigir. Com isto, ao encontrar esses erros, o treinador ganha tempo na modelação do plantel. Caso a evolução dos jogadores seja mal analisada, e pior que isso, nem sequer seja analisada, o treinador vai demorar muito tempo a corrigir erros infantis dos jogadores, ou pode mesmo nem chegar a identificá-los

 

       Mas como podemos fazer isso?

       Bem, eu aqui apenas representarei a minha forma de analisar a evolução de um modelo de jogo que está a ser inserido na equipa, isto pela ideia da função de um treinador responsável por alcançar sucesso. Observar jogadores individualmente, seria o método mais pormenorizado para saber em qual exato estado de evolução se encontra cada jogador. Entretanto, isso não é possível na maioria dos clubes de futebol, porque não dispõe de meios para o fazer. Nem o treinador deve depender desses meios para analisar os seus jogadores, porque um treinador sem a sua própria visão de jogo, não tem como tomar um elevado número de decisões de sucesso. Na minha forma de ver, a maneira como eu entendo que deve ser feito o acompanhamento da evolução dos jogadores, deve ser por grupos de jogadores, da seguinte forma:



 

       Quando separámos o todo pelas partes para treinar os jogadores, não estamos a treinar os jogadores individualmente, mas em grupos. Então, em vez de tentar analisar os jogadores individualmente, já que não temos tempo para isso, devemos sim, analisar grupos de jogadores. Ao analisar cada um desses grupos, a nossa primeira pergunta deve ser sempre: os jogadores estão a evoluir ou render o necessário? Caso essa pergunta encontre uma resposta negativa para determinado grupo, surge a pergunta: o que está a causar essa quebra de rendimento ou evolução?

       Ao responder a estas duas perguntas, encontrámos qual é o jogador que não está a render o que é necessário. Por vezes, esse jogador não rende por culpa individual, mas porque o processo de jogo utilizado no modelo de jogo não é o que se adapta da melhor forma a esse jogador. Assim, tanto podemos encontrar erros a corrigir nos jogadores, como encontrar erros a corrigir nos erros coletivos ou táticos.


     Terceira fase: evoluir o modelo de jogo

       A zona de conforto é a zona de risco. Cuidado!


       Bem, isto é um pouco estranho para muitos treinadores, e não envolve tática. A tática é que é envolvida pela terceira fase que aqui explicamos. Esta até é uma das razões porque devemos perceber muito mais além futebol do que apenas perceber de futebol. Existem coisas que os melhores treinadores do mundo sabem fazer, que não se aplicam diretamente ao futebol, mas que trazem ótimos resultados. Por exemplo José Mourinho, acerca o qual foi escrito um excelente livro, referiu nos seus tempos de treinador principal no início de carreira, que na primeira época, ensinava os jogadores a jogar em 4-3-3, e depois alternava para o 4-4-2 losango na segunda época. Mas, porquê ele dizia isso? Porque era um estilo mais difícil para os jogadores, e os obrigaria a esforçar-se mantendo a concentração psicológica e o nível de rendimento.

       Nada está mais certo. Acontece que, mesmo que um modelo de jogo seja muito difícil de inserir na equipa, será alcançado um ponto que todo o plantel aprendeu esse modelo de jogo, e por isso não fará dele dificuldade nenhuma. Toda a equipa deixou-se cair na rotina, e por mais difíceis que sejam os exercícios, os estímulos produzidos por estes nos jogadores são ligeiros, porque são estímulos que os jogadores já receberam anteriormente. Então busque alterações no modelo de jogo da sua equipa, desde que não sejam bruscas, oferecendo novos estímulos aos jogadores. Por exemplo, Pep Guardiola nos seus tempos no Barcelona, alternou do 4-3-3 para o 3-4-3. Manteve o estilo, mas ensinou novas dinâmicas aos jogadores. Os jogadores continuaram a fazer o que sabiam, mas desta vez atacavam e defendiam de forma diferente.

       O que quero dizer é, nunca deixe o jogador fazer o que está habituado. Faça-o evoluir, não de forma abismal, mas faça-o evoluir conforme a mente e o corpo desse jogador assim permitir. Acredite, fazê-los evoluir é o que os jogadores pretendem de você enquanto treinador, não que você perceba de futebol ou os faz praticar futebol bonito. Os jogadores são movidos pela emoção de se sentirem cada vez melhores e mais capazes. Dê-lhes essa emoção.


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Categories: Modelo de jogo

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3 Comments

Reply Ricardo Carvalho
4:56 PM on November 20, 2014 
Gostava que me desse um retrato fiel do que significa disposiçao vertical e horizontal a nivel defensivo e ofensivo numa equipa de futebol.
Reply Valter Correia
10:49 AM on August 4, 2013 
ObrigadoRoberto Farias,

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Cumprimentos
Reply Roberto Farias
11:29 AM on August 2, 2013 
Parabéns Valter

Gostaria receber essas matérias em meu Email, aqui no Brasil.
Grato