Teoria do Futebol

Tudo sobre Futebol, os metodos, os conceitos, os princípios, 
os processos e toda a organização tatica do futebol!

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Principio da alternancia horizontal em especificidade

Posted by Valter Correia on February 3, 2015 at 6:05 AM Comments comments (2)

     Todos nós sabemos que o exercício físico implica esforço ao nosso organismo, e por isso vários autores defendem que os atletas devem estar fisicamente bem treinados. Sim, a lógica da ideia é essa. Mas, como treinar bem um jogador de futebol? Será que fazê-lo correr mais, arrancar mais depressa, fará dele um jogador melhor? No futebol de hoje, não queremos onze jogadores, queremos uma equipa. Na periodização tática, não entendemos que devemos ter apenas jogadores fisicamente potenciados para ensinar o jogo que queremos jogar. Aquilo que entendemos é que os jogadores precisam estar frescos, tanto fisicamente como psicologicamente, para que possam aprender o máximo possível. O princípio da alternância horizontal em especificidade orienta os treinadores nesse aspeto.



     Princípio da alternância horizontal em especificidade


       Segundo Gomes (2006), este princípio reconhece que operacionalizar o nosso jogar tem exigências de esforço, e portanto, consequências específicas. Para a autora, o operacionalizar do nosso jogar deve estar assente na relação desempenho-recuperação que permita a melhor adaptabilidade dos jogadores.




 

       Treinar uma equipa a partir de um modelo de jogo, tem implicações a níveis físicos para os jogadores. Demasiado cansaço, tanto físico como psicológico, impede o jogador de treinar melhor e aprender mais. Se o nosso objetivo no treino é desenvolver um jogar, o jogador precisa de estar em condições para aprender esse jogar. Para isso, o esforço dos jogadores deve ser gerido entre ensinar e recuperar, para que os jogadores possam aprender mais hoje, mas continuarem frescos em outros aspetos para aprender amanhã.

 

     As contrações musculares


       Para Tamarit (2007), este princípio é encarregado de regular a relação existente entre o esforço e recuperação. Para isso, o treinador deve desenvolver o seu modelo de jogo variando a complexidade dos exercícios ao longo da semana. Tamarit (2007) afirma que é necessário que se obedeça a uma alternância horizontal ao nível do tipo de contração muscular, segundo as variantes de tensão, velocidade e duração da contração muscular.

 

       Sendo assim, temos três variantes de contrações musculares (tensão, velocidade e duração), nas quais devemos variar ao longo da semana, em função dos princípios que queremos treinar. Num dia, desenvolvemos exercícios cuja duração das contrações musculares e a velocidade das mesmas é baixa, mas que a contração é forte. Em outro dia, os exercícios devem apresentar-se fortes na velocidade das contrações musculares, mas estas devem ter pouca duração e baixa contração. Assim, estamos a treinar algo específico num dia, e evitamos que os jogadores se desgastem em demasia para outro dia, para que possamos treinar algo diferente, com melhor rendimento.

 

     Como aplicar o princípio da alternância horizontal em especificidade


       Segundo esta ideia, por exemplo se pretendemos treinar comportamentos intersectoriais , devemos desenhar exercícios em função no nosso modelo de jogo onde possamos trabalhar esses comportamentos. Para exigir o melhor dos atletas nessa situação, podemos desenhar um exercícioEsses com espaço idêntico ao da realidade do jogo. Por exemplo, se queremos treinar comportamentos na saída de jogo da nossa equipa, onde participam defesas e médios, devemos desenhar um exercício num espaço idêntico ao do jogo onde esses jogadores vão realizar as ações que pretendemos. Esses exercícios vão ter mais contactos físicos, mudanças de aceleração, travagens, saltos etc, uma vez que o espaço será mais reduzido . Por exemplo, se queremos treinar um momento ofensivo, podemos criar um exercício 5x5 em frente à baliza, para que aconteçam mais situações relacionadas com os comportamentos que queremos desenvolver nesse momento ofensivo.

 

       Se criarmos um exercício 9x9 num espaço maior, onde saímos a jogar, ou que demorámos algum tempo a transitar ao ataque, não só estamos a desperdiçar tempo fazendo aparecer menos situações para o momento ofensivo que queremos treinar, assim como estamos a desgastar os jogadores em outras variáveis físicas, como a duração da contração muscular, ao obrigar a movimentar os jogadores a movimentar muito mais. Ao focar num comportamento específico para uma situação do jogo, estamos a evitar sobretreino, deixando os jogadores frescos para outro tipo de exercícios no dia seguinte, onde pretendemos mais duração das contrações musculares e menos tensão das mesmas por exemplo. Podemos, assim, trabalhar um aspeto diferente do nosso jogar, uma vez que os jogadores estão menos desgastados em relação à variante física relacionada com esse aspeto.

 

     Conclusão


       Ao perceber isto, sabemos que devemos treinar um comportamento com uma determinada contração muscular num dia, e outro comportamento com outra contração muscular em outro dia. Assim, variamos o tipo de esforço físico, para que um dia possamos treinar um comportamento com mais rendimento com a contração muscular relacionada, e em outro dia possamos treinar outro comportamento com outra uma contração muscular relacionada diferente. Estamos, portanto, a gerir o binómio esforço/recuperação, rentabilizando os exercícios e as aprendizagens o máximo quanto possível. Ao mesmo tempo, ao trabalhar aspetos do nosso jogar a partir dessas variantes, estamos a respeitar o princípio da especificidade, e a orientar os comportamentos da equipa para aquilo que é o nosso jogar.

 

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O que são passes de qualidade?

Posted by Valter Correia on January 5, 2015 at 4:20 PM Comments comments (0)

 Quem me conhece, sabe que não sou mestre de futebol. Existe ainda muito para aprender, e quando tudo for aprendido, posso começar de novo, pois o futebol evolui. Evolui o futebol, mas nem todos acompanham esta evolução, pois muitos não buscam aprofundar os seus conhecimentos. Discutir futebol constantemente, procurar entender o conhecimento dos mais sábios, inventar problemas e procurar soluções, e mesmo questionar e acompanhar diferentes métodos de treino, com diferentes treinadores, tudo isso contribui para o desenvolvimento do nosso conhecimento acerca o futebol. Mas, o facto, é que o futebol é um desporto coletivo, mas muitos creem que o jogador deve ser trabalhado na sua forma física, ou seja, veem o futebol como um desporto individual.


 

       No outro dia, ouvi uma expressão, à qual propus a seguinte questão: o que são passes de qualidade? A expressão era exatamente esta, após um jogo do Sporting CP: “O Ryan Gauld fez três ou quatro passes de qualidade”. Só três ou quatro, durante um jogo todo? Então o que poderemos dizer do Enzo Pérez, no jogo entre Valência e Real Madrid, que acertou 30 de 33 passes? Terão todos eles, sido passes de qualidade? Jogos à parte, voltemos à nossa questão: o que são passes de qualidade?


       No futebol, o nosso objetivo é o golo. E para conseguir o golo, precisamos progredir com a bola até ao alvo, seja através da condução de bola ou através do passe. Então, através da correta manutenção da posse de bola, é possível chegar ao golo, e para isso, exige-se que seja reconhecida a máxima importância do passe. E vão perceber porque o passe não é apenas um gesto técnico. Há mais do que isso.




     Zonas de pressão


       Retirar a bola da zona de pressão - Princípio que visa valorizar a posse, evitando perder a bola imediatamente após a sua recuperação, ou em meio a posse e circulação, evitando em determinadas zonas, o confronto direto, procurando sempre um jogador nosso em espaço vazio para a manutenção da posse. (Organização de Jogo)


       Entende-se, então, que para não perder a bola, a equipa deve retirá-la da zona de pressão. Vamos imaginar uma situação, 4x2, junto à linha lateral, com bola para os dois atacantes. Estes, encontram-se em desvantagem numérica, nem tem espaço para progredir. A única solução possível, é o passe para trás, para manter a bola e relançar o processo ofensivo. Será este um mau passe? Pela cultura em Portugal, para alguns, qualquer passe para trás é um mau passe, mas adianta arriscar e perder a bola, e ultrapassar estes 4 adversários, 1 ou 2 vezes em cada 10 tentativas?


     Em frente à baliza


       Fico triste, quando muitos colocam o golo como objetivo principal no futebol num patamar tão alto, que o golo passa a ser o único objetivo, mais do que a construção de jogo ou a correta organização da equipa. Fazer golo é uma ação, mas depende muitas ações antecessoras, e por isso valorizo todo o processo até ao golo como valorizo o golo.


       Vamos supor uma situação, 2x1+GR, em frente a uma baliza, com bola para os atacantes. O remate será a melhor opção? E se o portador conseguir transformar esta situação e deixar o seu colega de frente para a baliza, apenas com o guarda-redes pela frente, não será mais fácil fazer golo? Neste caso, através do passe, o atacante aumenta as chances de fazer golo, ainda que diminua a sua notoriedade.


     Ultrapassar uma linha de marcação


       Para chegar ao golo é necessário progredir, e isso significa ultrapassar várias linhas de marcação até alcançar a baliza. Logo, a ação de ultrapassar a linha defensiva, com um passe para as suas costas, é a mesma que ultrapassar outra linha de marcação em outra zona do terreno. Cada passe para as costas de um ou mais adversários, retira-os do jogo, e obriga-os a recuperar terreno se pretendem manter o espaço fechado.


       Através do passe, é possível ultrapassar vários jogadores e aproximar a equipa do golo. Estes passes não se caraterizam apenas por serem passes na direção do alvo/linha de fundo. Durante os jogos, encontramos passes para a frente em várias situações, mas em contextos diferentes, sem oposição.


       A importância deste passe é levar a bola em direção ao alvo e deixar adversários para trás, facilitando o processo ofensivo. Um passe a rasgar a linha defensiva deixa um jogador isolado para cruzar ou finalizar. Um passe a rasgar a(s) linha(s) dos médios deixa os mesmos para trás, resultando apenas nos defesas para ultrapassar. Segue:




       Nesta imagem, retirada do jogo entre Valência e Real Madrid, o portador da bola ultrapassa 3 adversários de uma só vez. Estes ficam para trás, e existe agora mais espaço para progredir no terreno. A amarelo, este não ficou para trás, pois recuperou posições. Foi obrigado a fechar espaço, obrigado a se desgastar.


     Na saída de jogo


       Admiro quando as equipas saem a jogar desde trás de forma organizada e objetiva. Embora alguns pensem que os defesas só lá estão para defender, estes são os primeiros atacantes, e o golo, por vezes, depende deles, ainda na saída de jogo. Saber tratar a bola é defender bem, pois se não a perdermos, e a conseguimos aproximar do alvo, temos menos chances de a perder e mais chances de conseguir golo.


       Os defesas, sejam centrais ou laterais, estão de frente para o jogo, e devem por isso ser inteligentes a decidir o que fazer com a bola. Colocar a bola num médio só porque foi treinado durante a semana, sem importar se esse médio tem espaço ou não, e para fracos. Colocar a bola num jogador que seja capaz de a fazer progredir, é para os fortes. Neste caso, para os mais desatentos, não importa apenas o gesto técnico, mas saber a quem passar a bola, pois todo o processo ofensivo depende desta decisão.


     Então, o que são passes de qualidade?


       Passes de qualidade não dependem apenas do gesto técnico, ou se são passes bonitos ou feios ao olho do comum adepto. Passes de qualidade são bastante mais do que isso. O passe é a ligação entre dois jogadores, e para que esta ligação seja feita, a bola deve ser passada, e deve ser recebida, com condições para progredir o jogo. Por exemplo, passar a bola para um jogador marcado, sem hipóteses de progressão, será um bom passe?


       Então, um passe de qualidade, exige que o gesto técnico seja de qualidade, assim como possibilite a progressão. Digamos, um passe de qualidade, é sempre acompanhado de uma decisão de qualidade. Um bom passe, acompanhado de uma má decisão, é suficiente para perder a bola. Um mau passe, apesar da bola decisão, é suficiente para acontecer exatamente a mesma coisa. Não podemos dissociar passes e decisões. E isso consegue-se com treino, a enraizar hábitos aos jogadores. Não com corridas em volta do campo ou no terrível jogo frente aos cones.


       Mais



 

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No meio do futebol

Posted by Valter Correia on December 1, 2014 at 2:40 PM Comments comments (0)

 Estou a tentar perceber uma coisa, mas acho que é mais difícil de perceber do que o futebol. O que é perceber de futebol? Essa é a minha dúvida. Perceber de futebol é rotular jogadores e clubes, e dizer que este é jogador/clube é melhor do que aquele, sem apresentar uma explicação? Perceber de futebol, é conseguir ser ouvido por algumas pessoas, e acreditar que está certo? Ou por acaso, perceber de futebol, é deixar-se levar pelo mediatismo em volta de determinado jogador, treinador ou clube, e classifica-lo como mau treinador, por determinada imagem que passa à imprensa? Não percebo.

 

Iniciei o meu blog há algum tempo. Não fui o primeiro a fazê-lo, nem sou o melhor da área. Há mais blogs bons, como o Suor e Pensamento, Lateral Esquerdo ou Universidade do futebol por exemplo. Eu nem estou aqui para fazer o papel de moralista com ninguém. Apenas este blog representa o que aprendo no futebol, por matéria e conhecimento divulgado por profissionais, e não pela imprensa ou comentadores de televisão.

 

E confesso, é bem mais fácil decifrar o que um livro, escrito por um profissional, que fala acerca determinado assunto, do que decifrar muitos adeptos de futebol. O jogo é apenas um, acontece dentro de quatro linhas, mas tudo tem explicação para o que acontece dentro dessas quatro linhas, uma explicação sem sentido. E que tal, falar de José Mourinho? Ah e tal, o treinador do Chelsea é um arrogante de primeira, nunca mais vais ganhar nada, só ganha porque lhe dão os jogadores que ele quer, e por ai adiante. De facto é, que ele é tão arrogante, que quase todos os jogadores com quem trabalhou, “amam” trabalhar com ele. Nunca mais vai ganhar nada, mas por todos os clubes que passou, deixou sempre uma marca, e para cada clube que vai, enfrenta sempre um novo desafio. E treinar um Chelsea na Liga Inglesa, um Real Madrid na Liga espanhola, ou um Inter na Liga Italiana é um desafio muito maior, do que jogar Fifa e ser campeão, como muitos estão habituados a fazer. Porque colocar á frente de um plantel que vale milhões, exige infinitamente mais responsabilidade do que comprar o Ronaldo no novo Football Manager 2015. Ele mesmo disse que uma Final é para ganhar, e o trabalho do treinador é preparar uma equipa, para que esta tenha competências para tal.

 

Mas vamos a factos, com linguagem simples, e fácil de perceber. Durante o jogo, existem 4/5 momentos (como queiram considerar). Mas para muita gente, só existe atacar lá frente ou defender cá trás. Pior que isso, é saber que uma equipa não cria uma situação de finalização durante 45 minutos, teve 60% de posse de bola, sofre três contra-ataques e um golo, essa equipa domina o jogo, e a culpa é do árbitro. A equipa não é capaz de segurar uma bola em condições, não é capaz de criar uma oportunidade para marcar de jeito, mas domina o jogo porque tem mais posse de bola. Já do outro lado das bancadas, estão a jogar uma porcaria, e estão a ganhar por sorte, porque tem menos posse de bola. Quantas vezes eu já não vi isso.




 

Ou então, cada vez que uma equipa segue com a bola durante alguns metros, contam nas estatísticas como um ataque. E se está perto da área, contam como um ataque perigoso. E melhor ainda (os meus amigos benfiquistas que me perdoem, porque foi um comentador que disse isto): “Lá vai o Benfica a atacar”, quando a equipa estava com a bola na sua posse, dentro da própria área.

 

Sabem, é complicado. Grandes mestres dizem-me que o jogo tem a sua própria natureza, que deve ser explorada tal como ela é. Que jogar bem, depende do portador saber tomar decisões corretas, e dos seus colegas de equipa lhe oferecerem os melhores apoios. Jogar bem depende, mais do que tudo, treinar bem, treinar consoante a realidade do jogo. Faz sentido treinar para algo que não vai acontecer? Se eu tirar um curso de medicina, estarei apto para ser mecânico no fim do curso?

 

Pois bem, não sou nenhum mestre do futebol. Sei fazer umas leituras aqui e ali, e ainda me resta muito para aprender. E o meu sucesso, não será ganhar títulos, mas conseguir perceber o futebol. Não podemos ainda, traduzir o futebol pela Matemática, como se tratasse de uma ciência exata. Porque a percentagem de posse de bola ou ataques, não diz quem jogou melhor ou pior. Num jogo, por cada equipa, acontecem erros, constroem-se dinâmicas, organiza-se o espaço conforme se pode (porque o campo é demasiado grande para ser ocupado por 11 jogadores de forma equilibrada), buscam-se estratégias e assumem-se riscos. E os 10, 20 ou 30 anos de experiência dos jogadores, ou os 40 ou 50 anos de experiência do treinador, influenciam imenso nisso.

 

E antes que me esqueça: em cada notícia, sempre vem escrito “o treinador afirma”, “o jogador declarou”. E viram-se os adeptos dos clubes contra o próprio treinador. Mas eu pergunto: qual é o treinador que liga para um jornal e afirma seja o que for? Qual é o jogador que procura um jornalista no fim do jogo e declara alguma coisa? Muitos ainda não perceberam que nãos são os treinadores/jogadores que falam o que pensam porque assim o querem, mas porque respondem às perguntas dos jornalistas. Estes, podem não mentir, mas omitem a informação consoante lhes dá mais jeito, e o povo vai na cantiga. Mais interessante que tudo isso: queixam—se dos jornalistas, e vão na cantiga deles.

 

Não cometam o mesmo erro que eu cometi. Não pensem que percebem de futebol. E quando o fizerem, procurem perceber mais ainda. Muitos não fazem ideia da real posição que ocupam no meio futebolístico.


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Defesas ajudam a atacar, atacantes ajudam a defender. Não existem jogadores com funções isoladas

Posted by Valter Correia on November 24, 2014 at 1:35 PM Comments comments (2)

 Muitas vezes, ouço barbaridades tais como os atacantes só servem para atacar e os defesas só servem para defender, que de certa forma, de deixa assustado. O futebol não é mais complicado do que pensamos, porque nem é difícil parar por um momento, observar, e perceber. No entanto, é mais complexo do que julgamos, porque infelizmente, muitos de nós nem tiram tempo para observar esta modalidade. A muitos, recomendo parar, estudar e observar o jogo tal como ele é, e deixar de táticas que eu não consigo perceber de onde vêm.

 

     Os defesas a atacar


       Vamos começar por quebrar o mito dos defesas que só servem para atacar. Muitos modelos de jogo são de tal forma limitados, que diminuem as suas opções ao portador da bola, de tal forma, que este tem poucas escolhas para fazer.


       No futebol, no que diz respeito às movimentações ofensivas, temos a transição ofensiva, que é quando levamos a bola para o ataque, assim como o momento ofensivo, que é quando temos a bola no ataque e queremos marcar golo. Porém, nem sempre existem condições para marcar golo, e continuar a tentar conduzirá a equipa a perder a posse de bola.




       Nesse caso, existe o relançamento do processo ofensivo, que é quando participam ativamente os defesas. Esta fase é idêntica à saída de jogo, pois a equipa parte com a bola controlada dos jogadores mais recuados, em zonas onde existe mais espaço para pensar e agir, logo, onde existe mais espaço para tomar decisões corretas.


       Então, os defesas tem extrema importância na saída de jogo e no relançamento do ataque, uma vez que estes se encontram de frente para o jogo, e é dos pés deles que se vão iniciar os ataques. Logo, estes jogadores, devem ser capazes de ler o jogo como se fossem médios, e ter capacidades técnicas, de passe por exemplo, como se fossem atacantes.


     Os atacantes a defender


       No sentido inverso, a lógica é a mesma. No futebol, temos a transição defensiva, e a organização defensiva. No entanto, as ações com bola não são feitas pela nossa equipa, e por isso, precisamos importunar as ações do adversário e/ou fechar espaços. Algumas equipas preferem fechar espaços, e preparar para contra-atacar, outras equipas preferem importunar adversários e limitar as ações do portador da bola. Depende da estratégia.


       Nesta situação, os atacantes devem ser capazes de fechar espaços durante a transição, devem ser capazes de entrar em contenção e dificultar as escolhas ao portador da bola, e ainda tentar o desarme quando possível. Isto são ações defensivas, realizadas no meio-campo, por jogadores de caráter ofensivo.


     Conclusão


       Para alguns pode soar estranho, mas isto não é mais do que a natureza do jogo. O modelo de jogo, deve ser dinâmico, ao ponto que os jogadores possam e cumpram várias funções, assim como deve ser dinâmico, ao ponto que os jogadores tem a hipótese de escolher a melhor decisão possível, invés de jogar mecanizado. Nem sempre surge a mesma situação no campo, logo, os jogadores não podem tomar sempre a mesma decisão. O modelo de jogo deve ser um apoio aos jogadores, e não um plano rígido e constante, como se de uma linha de produção de uma fábrica se tratasse. Esta breve análise ao Bayern Munique, pode provar toda a dinamica que os jogadores devem ter.

 

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A importância da relação com bola

Posted by Valter Correia on November 19, 2014 at 3:40 PM Comments comments (2)

        Muito tenho eu, ouvido falar na dimensão física, como uma caraterística do jogador de total importância para o rendimento do atleta. Não nego que esta afirmação seja verdade, nem discordo com a mesma, mas acredito que esta afirmação não esteja completa. Físico, no futebol, não é tudo. Existe tanto para ser trabalhado nos jogadores e na equipa, que é impossível dar total importância à dimensão física do jogador, e dar menos importância a outras dimensões. Podemos, de certo modo, afirmar que a dimensão física é uma das bases de um edifício a que chamamos de equipa, isto porque a dimensão tática, técnica e psicológica, também suportam esse edifício.


       A importância da relação com a bola


       Desde já, não pretendo que compreendam a relação com a bola como a dimensão técnica, porque não basta que o jogador saiba ter a bola no pé. Quando me refiro à relação com bola, acredito que o jogador deve ser capaz de ter a bola no pé, assim como saber o que fazer com ela, e ter condições com os seus colegas para que toda a equipa seja capaz de ter a bola. Então, acredito que a relação com a bola, não é uma caraterística individual, mas uma caraterística coletiva, porque uma equipa só é capaz de ter a bola na sua posse e efetuar ações de qualidade, se vários membros da equipa forem capazes de jogar com a bola no pé, no que diz respeito a capacidade técnica e organizacional. Acrescento também, que não importa apenas a capacidade de determinado jogador em tomar decisões, assim como a capacidade da sua equipa em favorecer condições para escolher mais decisões e tomar mais decisões. Isso é a relação com bola da equipa. Vamos a exemplos.




       1. Saber jogar fora de zonas de pressão


       Muitas equipas, incluindo algumas das maiores equipas da europa, não costumam colocar a bola fora de zonas de pressão. Algumas preferem até, arriscar mais vezes e perder a bola mais vezes (fazendo a mesma circular por zonas extremamente complicadas), do que usar rotinas ou processos com melhores oportunidades de alcançar a baliza. Os princípios de jogo, dizem-nos que devemos procurar o caminho mais perto para a baliza. Mas esse caminho, não tem necessariamente de ser o mais rápido possível, nem o mais direto possível. Importa é o caminho mais perto, mesmo que seja preciso desviar a bola do caminho direto.


       Como tal, por vezes, tentar atacar não é a melhor opção, seja por opção do portador da bola, seja por indicação do treinador ou modelo de jogo. Muitas vezes, vemos 2 jogadores com a posse de bola, a tentar ultrapassar quatro ou cinco jogadores. Em 10 tentativas, 1 ou 2 terão sucesso, e o resto traduz-se em perder a posse de bola. Como é possível que haja treinadores a tentarem este tipo de recurso para alcançar o golo, que ao mesmo tempo defendem que o físico é o mais importante? Então, a ideia de jogo desses treinadores, é treinar o físico sem sequer usarem uma ideia de jogo inteligente, fazendo os jogadores perder a bola e correrem atrás dela? Correr atrás da bola não significa que vamos conseguir fazer golo ou defender bem, porque chega uma altura de jogo em que os jogadores estão de tal forma fatigados, que nem defendem nem atacam.


       No que diz respeito à organização da equipa, levar a bola para zonas de pressão pode ter consequências negativas para a equipa. Ter a bola com qualidade não é a mesma coisa que ter a bola durante muito tempo. Algumas equipas são capazes de fazer a bola circular entre corredores laterais e central e entre meio-campo defensivo e meio-campo ofensivo, e criar um ataque rápido bastante perigoso para o adversário. Outras equipas unicamente limitam-se a circular a bola de forma mecanizada, sem criar desorganizações na estrutura adversária nem a explorar os seus espaços mais fracos.


       Como podemos desorganizar o adversário durante a nossa saída de jogo? Essa deve ser sempre uma questão ao treinador quando este elabora um plano para o jogo, porque em futebol corrido, os golos acontecem porque existe uma saída de jogo de qualidade. Se a equipa é capaz de levar a bola para o meio-campo ofensivo de forma qualitativa, a probabilidade de alcançar a baliza é muito maior. E levar a bola para o meio-campo ofensivo significa, por exemplo, evitar zonas de pressão, ou seja, evitar caminhos desnecessários, onde a maior parte dos acontecimentos é perder a bola.


       Por exemplo, na situação abaixo, num jogo entre Liverpool e Chelsea FC, com posse de bola para o Chelsea:



 

       Nesta imagem, o Chelsea, através de Matic, não dispôs de opções para continuar o seu processo ofensivo. Serviria de alguma coisa, tentar ir mais longe, ou a melhor opção seria mesmo levar a bola para os defesas centrais, e ocupar zonas sem pressão, onde podemos relançar o processo ofensivo? Porquê perder a bola desnecessariamente? Não é suposto controlar o jogo? Ou é suposto perder a bola? Deixo estas questões para refletirem.

 

       2. O relançamento do processo ofensivo


       Se queremos atacar, e não temos por onde atacar, unicamente devemos relançar o ataque. Nada mais simples do que isto. Porque razão devemos arriscar em algo que não teremos hipótese mínima de sucesso?


       Se não há espaço para atacar, então não devemos atacar. Devemos criar espaços para que tal seja possível. Devemos relançar o processo ofensivo, do que tentar atacar por onde as possibilidades de alcançar a baliza são baixas e as possibilidades de perder a bola são altas. O portador da bola deve ser inteligente, e avaliar o quanto é possível essas duas possibilidades. Segue mais um exemplo abaixo, onde o Chelsea volta a tirar a bola da zona de pressão, relança o processo ofensivo a partir da defesa, e faz golo:



 

       3. Conclusão

 

       Eis a importância da relação com a bola. Através de um argumento básico e lógico, só marcamos golo se a bola entrar na baliza, conforme mandam as regras do jogo. Então, para fazer golo, temos de levar a bola para zonas perto da baliza, ou seja, devemos ter processos de qualidade, tanto defensivos para recuperar a bola, como ofensivos para levar a bola para a zona de finalização. Caros treinadores, aprendam a fazer a vossa equipa a retirar a bola da zona de pressão, e a relançar o processo ofensivo, invés de atacar desnecessariamente. Só isso.

 

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Não se consideram jogadores por posição. Consideram-se funções por jogadores. Descubra porquê.

Posted by Valter Correia on October 9, 2014 at 4:50 PM Comments comments (5)

 Tenho reparado que existe uma grande fatia de pessoal, que compreende o jogo de forma muito simples para a realidade que compõe o futebol. Não os julgo por isso, pois cada um é livre de tentar perceber o futebol como bem entender. Sabemos que existe aquele Zé que explica muito do jogo, mas que não percebe rigorosamente nada, sabemos que existe aquele João, que percebe algumas coisas do jogo, e considera-se já uma figura pública, assim como existem outros com as mais variadas personalidades. No entanto, a única coisa que podemos fazer é ser humildes e continuar a aprender, porque o futebol será sempre maior do que alguém que nele trabalhe ou que o ame. O sucesso, só vem com conhecimento. Podemos até entrar em grande no futebol, mas sem desenvolver as nossas capacidades, a carreira de topo será curta. E realmente, poucos são os treinadores que consegue manter-se no topo. Qual é o segredo?


       Os segredos são muitos, mas um deles, fica aqui hoje partilhado, mas para quem milita no futebol profissional, obviamente não é segredo nenhum. Por vezes, ouço expressões tão bizarras vinda de pessoas que querem dar a mostrar que percebem de futebol, que eu não sou capaz de responder. Se tentamos corrigir, atingimos o nível ridículo de tentar corrigir um “conhecedor de futebol”, e se não tentamos corrigir, temos pena que o conhecimento se mantenha sempre num nível baixo durante décadas. Felizmente, tem surgido excelentes blogs e livros, que podem mudar esse rumo com o tempo.




       E que tal a expressão: “se o meio-campo não funciona, a equipa não funciona”, ou então “os atacantes só servem para marcar golos”, e ainda algo como “os defesas só servem para defender”. Vindo de “conhecedores de futebol”, arrogantes e que sempre tentam ficar por cima, é pena ouvir isto, não concordam? Vamos usar estas expressões, que certamente todos ouvimos, mas que na maior parte do tempo, não demonstram em nada o que é o verdadeiro futebol.


     Se o meio-campo não funciona, a equipa não funciona - errado


       Às vezes, podem ter razão, quando os médios realmente não estão a render o necessário. Mas no futebol, tudo trabalha em conjunto, e para cada situação singular, existe um conjunto de caraterísticas que influenciam essa situação, o que pode não acontecer numa situação seguinte. Por vezes, a melhor decisão é passar, outras vezes, é correr e saltar. A condição física, o estado de espírito, a habilidade técnica, a organização tática com os seus colegas de equipa, tudo isso trabalha em conjunto para que um jogador tenha sucesso numa situação que dura apenas três segundos. Depois vem outra situação e tudo precisa começar de novo: ou tem sucesso, ou não tem sucesso. É um ciclo inconstante mas infinito dentro de um jogo de futebol.


       Uma vez que tudo trabalha em conjunto, então é completamente errado dizer que uma equipa depende inteiramente do seu meio-campo. Então, e os defesas, não são os primeiros a sair com a bola? Se um defesa não sabe passar uma bola em condições, não dificulta a ação do meio-campo? Os atacantes não se devem movimentar para fomentar a construção de processos ofensivos de qualidade?


       Quando um jogador tem a bola no pé, a questão de quem é médio, defesa ou atacante, torna-se irrelevante. Para quem tem a bola, importa mais se pode progredir com a mesma, se pode passar a alguém que possa desenvolver o ataque da equipa, ou se tem alguém para quem passar e manter a posse de bola controlada. Por outras palavras, a organização tática da equipa exige que haja opções para o portador, assim como proteção ao mesmo. Isto quer dizer que depende mais do que do meio-campo. Depende de toda a equipa. Acredito, por isso, que a questão do meio-campo não funcionar, por vezes, são alguns membros do resto da equipa que não estão a cumprir a sua função, fazendo o meio-campo jogar pior do que aquilo que está capacitado. Antes de cair na ilusão que dois ou três jogadores estão a jogar mal, convém avaliar toda a equipa primeiro.

 




     Atacantes só servem para marcar golos – errado


       Só existe um atacante que apenas serve para marcar golos: é aquele que cada vez toca na bola, faz golo. Mas infelizmente, esse atacante ainda não nasceu. Pensar que um atacante serve apenas para marcar golos é uma crendice. Talvez seja porque atacante deriva de atacar, e por isso deve fintar e fazer golos.


       Mas no futebol, consideram-se momentos e princípios de jogo para organizar a equipa. Considera-se que devemos criar vantagem numérica, numa estrutura organizada em determinada situação, para que a possamos resolver com as melhores ações técnico-táticas disponíveis. Por exemplo, na transição ofensiva, um atacante desce para vir buscar a bola, e fica até em cobertura ofensiva. Oferece apoio aos outros jogadores, como um médio que entrou na sua posição para tentar finalizar, assim ao estilo do carrossel holandês. E então, não está a jogar para marcar golos pois não?


       E se for no momento defensivo? Para defender com vantagem numérica, podemos apenas defender com 11 jogadores. Mas, para isso, os atacantes devem descer e ajudar a defender. Defender, é completamente o oposto de marcar golos, mas é um requisito para recuperar a bola, para que se possa então tentar marcar golos. Dentro do campo, tudo funciona de uma vez só, e a expressão que um jogador apenas serve para uma determinada função, está completamente errada.


     Os defesas só servem para defender – errado, completamente errado


       O futebol, não vai parar de evoluir. Não se marca a mesma quantidade de golos como há 60 anos, mas a organização está muito melhor. Não temos apenas o golo. Agora temos a organização, e é através da organização bem elaborada que devemos procurar o golo, assim como evitá-lo.

 



       Nesta situação, o Chelsea encontra-se com bola, mas o seu adversário vai fazer pressão forte. O que precisamos para que esta situação se desenrole da melhor forma? Não são atacantes, nem médios, mas são os defesas que tem a bola no pé, e são estes que devem ser capazes de tomar uma solução de qualidade com a bola, porque não tem ninguém atrás deles para os proteger.

 

 


       Mais uma vez, defesas com a bola, desta vez com o apoio de dois médios. A baliza contrária está longe, e a função de marcar golos, geralmente não é para os defesas. No entanto, na transição ofensiva, é da sua inteira responsabilidade pensar o que devem fazer com a bola, entre segurar a bola, variar o flanco do jogo e coloca-la no ataque com hipóteses que haja sucesso de alcançar a área adversária.


       Estas situações, com mais ou menos pressão, com mais ou menos apoio dos médios, com maior ou menor velocidade na transição, acontecem milhentas vezes no futebol. É algo que faz parte da natureza do mesmo. Se os defesas não tem habilidade para jogar a bola, se não tem apoio dos médios nem dos atacantes, se não se criam oportunidades para tomar as melhores decisões possíveis, como é que então podemos afirmar que os defesas estão no jogo apenas para defender?


       No campo, não vale a pena considerar jogadores por posições, porque o jogo lhes pede mais do que isso. No entanto, em função da fase do jogo em que a equipa se encontra, e do que pode suceder de seguida, é extremamente importante considerar as funções dos jogadores. Isto é, na saída de jogo, os defesas tem um papel fundamental, e os atacantes devem criar linhas de passe para os ajudar. Na finalização, alguém deve ser capaz de finalizar, se possível, com êxito, mas os defesas devem estar nas suas costas para os proteger. É a natureza do jogo.


       Todos tem uma responsabilidade, durante 90 minutos. E todos tem funções quando a equipa tem a bola, e quando a equipa não tem a bola, quando a bola se encontra no meio-campo defensivo ou no meio-campo defensivo. É a natureza do jogo


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O conhecimento tático e a leitura de jogo do treinador

Posted by Valter Correia on October 7, 2014 at 4:25 PM Comments comments (1)

          Parece que o futebol não tem um fim. Quanto mais se estuda, mais se aprende. E quanto mais sabe, mais acesso tem à informação, ou seja, mais tem para aprender. É um desporto emocionante, fascinante, mas que precisamos velar com clareza, pela razão, para que o possamos compreender e desenvolver. Já não basta ter uma bola a correr no campo, na direção da baliza adversária, e procurar o golo. É preciso criar uma razão para que a bola se mova, levá-la para um espaço específico, às vezes dois ou três, até conseguir aproximar a redondida da baliza adversária, e então, rematar à baliza. Sempre considero o processo de jogo como o objetivo principal e o golo como objetivo final, porque sem um jogo de qualidade, as hipóteses de finalizar à baliza são bastante menores

.       Dito isto, poderia enumerar imensas caraterísticas que podemos avaliar nos treinadores. No entanto, vou avaliar apenas duas, que relacionam o treinador com o jogo, deixando a liderança do grupo ou o treino de lado. Não quer dizer que seja menos importante, porque o é, porque a forma como o treinador se relaciona com a natureza do jogo está assente em imensos fundamentos.




       1. O conhecimento tático do treinador


       Conheço alguns treinadores que apresentam melhor capacidade para treinar do que para compreender o jogo. São capazes de organizar um bom treino, mas o seu conhecimento tático está aquém daquilo que realmente acontece dentro do campo. Muitas vezes, no jogo, acontecem coisas incompreensíveis para a maior parte dos espetadores. Fintas e passes, ou melhor, ações técnicas, estas são fáceis de perceber, porque são ações físicas, e que encantam o adepto comum. No entanto, uma ação não se desenvolve apenas em função de uma finta ou um passe. Existem ligações aos colegas de equipa, existe a situação momentânea em que acontece essa ação, existe o porquê de realizar essa ação nesse momento, existe tanta coisa a ter em conta, que torna a avaliação dessa ação muito mais complexa.


       Ter conhecimento tático não é perceber que uma equipa joga em 4x4x2, porque o 11 inicial tem 4 defesas, 4 médios e 2 atacantes. Ter conhecimento tático, tem muito que se lhe diga. Existem movimentações, existem fases, existem comportamentos para cada situação similar a tantas outras, existem princípios, existe tanta coisa que é impossível resumir organização tática a um 4x4x2. Honestamente, acredito que cada vez há mais pessoas com um conhecimento tático suficiente para trabalhar em jornais desportivos e realizar análises em condições. No entanto, nos jornais, não encontrámos nenhum conhecimento tático digno de uma análise de futebol. Se a ideia é utilizar a mesma linguagem do adepto comum, com o intuito de vender papel, lamento por isso


       2. A leitura de jogo do treinador


       No entanto, por muito conhecimento que o treinador apresente, importa também saber interpretar o que acontece no jogo. Um treinador pode conhecer todos os conceitos táticos de cor e salteado, mas não ser capaz de os perceber quando acontecem no jogo. Conhecer o jogo e ser capaz de o ler, vale o mesmo que saber a teoria e ser capaz de a aplicar na prática.


       Existe muita gente que tem uma interpretação do jogo engraçada. Aquele que corre melhor, e que marca mais golos, ou que desarma mais vezes, é considerado sempre o melhor jogador. Mas, talvez aquele que corre melhor, é aquele que não sabe qual é o seu espaço dentro do campo, e que deixa passar imensas bolas pelo espaço onde deveria estar; talvez aquele marque mais golos, porque o coletivo, como um só, é capaz de fazer a bola chegar à baliza adversária; e talvez aquele que desarma mais vezes, o faz, porque há um jogador na sua frente que não sabe ocupar o espaço, o tal jogador que corre bastante. Também existe aquele, o “fintinhas”, que passa a vida a perder a bola, mas faz um grande golo de três em três jogos, e é considerado o melhor jogador.


       No futebol, nem tudo é uma questão de organização tática. Mas, é através da organização tática, que o treinador se faz usar do seu poder para organizar um grupo, para fazer sobressair as mais fortes habilidades dos jogadores. Jogar em coletivo, como um só, onde defesas são os primeiros a atacar, na saída de jogo, os atacantes são os primeiros a defender, pressionado, notamos até algumas alturas do jogo onde temos 11 defesas ou 11 atacantes. Os jogadores tem habilidades físicas e técnicas, que facilmente são demonstradas quando estes jogam dentro de um coletivo que os potencialize. Uma estrutura nos momentos de jogo, uma estratégia para o jogo, princípios para as várias situações similares e comportamentos para as várias fases do jogo. O que fazer com a bola, para onde se movimentar sem a bola. Faça estas duas questões durante o jogo completo, para todos os jogadores, quer a equipa tenha a posse de bola, quer não tenha. Isso é organização tática.

 

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Importância da habilidade técnica, das coberturas ofensivas, o jogo lateralizado e o perfil de jogador

Posted by Valter Correia on October 5, 2014 at 9:20 AM Comments comments (1)

 Nada é mais encantador num jogo de futebol do que ser jogado naquilo que a realidade pede para jogar. Indiferente de ser ataque rápido ou posicional, indiferente da quantidade de ocasiões de golo que são criadas, a estrutura que a equipa organiza, por onde faz a bola circular e a qualidade das situação de finalização que a equipa é capaz de criar, tudo isso é mais importante. Partir de uma base, criar uma estrutura, servir-se dos princípios de jogo para organizar uma equipa inteira, tudo isso é mais importante que os golos.


 

       A capacidade técnica de um defesa, e a sua influência na equipa

 

       Em todos os momentos de jogo, existem duas caraterísticas dos jogadores que quase sempre influenciam no comportamento da bola: a capacidade do jogador em se movimentar e a capacidade do jogador em ter a bola, ambas aliadas à capacidade de decisão do jogador, com ou sem bola. Seja na saída de jogo, na fase de construção ou nas situações de finalização, facilmente encontramos situações onde não vale a pena distinguir qual é a posição dos jogadores. Na saída de jogo por exemplo, um defesa central não apresenta qualquer caraterística defensiva, devendo por isso, ter habilidade técnica e decisional para colocar a bola no ataque em condições. É, por isso, um primeiro atacante. A sua capacidade de desarme não lhe servirá para nada nesta situação, ao contrário da sua habilidade no passe e na leitura do lance, que são extremamente importantes. A capacidade da equipa em sair a jogar, desde a habilidade na movimentação de quem recebe, e da capacidade técnica e decisão de quem passa a bola, é extremamente importante para criar situações de finalização de maior qualidade, e em maior quantidade.

 



       A capacidade da equipa em ter a bola na sua posse


       Nem sempre é importante tentar chegar perto da baliza. Se não dá para atacar nesta zona, é preferível tirar a bola dessa zona do que perdê-la sem ter a mínima hipótese de alcançar a baliza. Sempre vale a pena avaliar entre risco de perder a bola e probabilidade de alcançar a baliza, e decidir se vale a pena atacar.

       Quando um treinador pede para tirar um cruzamento, e o jogador tenta cruzar perante quatro adversários, a isto eu chamo jogo mecanizado, porque seria mais importante tirar a bola dali do que tentar um cruzamento que não terá sucesso nem sequer 1 em cada 10 oportunidades.

       Por isso, ter jogadores em cobertura ofensiva é sempre importante. Se não for a 5 metros de distância, que seja a 20, mas que forneça sempre opções seguras ao portador, e por consequência, à equipa. É mais fácil fazer um passe para trás e decidir novamente o que fazer com a bola, do que tentar fazer um lance sem nexo e fazer demasiado esforço físico face a um contra-ataque.

 



       Lances junto à linha, e os lances no centro do terreno


       No centro do terreno, existem opções de passe para todo o lado. A partir daqui, se pode lateralizar o jogo para procurar cruzamentos, atrasar para relançar o processo ofensivo, ou tentar penetrar em zonas imediatamente em frente à baliza.

       É importante ter jogadores com habilidades para esta zona do terreno, como a capacidade em segurar a bola, em distribuir o jogo, em fazer a bola circular e em criar opções antes da fase de finalização. Criar amplitude, obrigando o adversário a desorganizar e a criar opções mais vastas à própria equipa, é sempre um bom processo ofensivo, e sempre será necessário para qualquer equipa. É um excelente princípio de jogo no que diz respeito à estrutura da equipa.

       No entanto, não existe nenhum princípio de jogo que consiga levar a equipa para além das quatro linhas. Mesmo que a equipa crie a máxima amplitude, o jogo sempre será limitado pelas linhas laterais, e pelas últimas linhas defensivas (e mesmo esta, limitada pelas linhas de fundo). O jogo constrói-se a partir das regras, logo os princípios são adaptação às regras. Então, se a equipa é capaz de ter a bola várias vezes no corredor central, terá muitas mais opções do que nos corredores junto à linha.


       O perfil de jogador ideal


       Não existe um perfil de jogador com critérios para jogar em todas as posições. Os defesas pedem determinadas caraterísticas, ou atacantes pedem outras e os médios pedem outras. No entanto, a habilidade do jogador em ocupar o espaço de forma inteligente, em função da fase do jogo em que se encontra, e a sua habilidade em receber, ter a bola e soltar a bola, estas caraterísticas são comuns a todos os jogadores. Todos devem ser capazes de receber e passar a bola, em função do espaço que ocupam e da fase do jogo em que se encontram.


       Um defesa, não precisa ter apenas o melhor desarme. Também precisa ser capaz de ter a bola no pé, precisa saber entrar em contenção ou cobertura defensiva quando o jogo assim lhe pede. Um atacante, não precisa apenas ser capaz de marcar golos. Deve saber movimentar-se no espaço, criar desequilíbrios, receber, devolver, aguentar a bola no pé, mais do que rematar à baliza. Terminando, não existe um jogador com um perfil ideal, mas movimentar no espaço, e saber ter a bola são as duas habilidades comuns a todos os jogadores, em todos os momentos no espaço, guarda-redes incluído.

 

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A comunicação no futebol, é um poder sem limites

Posted by Valter Correia on September 14, 2014 at 7:55 PM Comments comments (0)

        Mais um tema importante. Estudar futebol, não tem fim mesmo. São tantas coisas para estudar, mas o conhecimento adquirido torna-se tão grande, que se torna uma paixão. Comunicar, é ligar duas pessoas, e através desta ligação, se pode unir uma equipa inteira. Por muito que sejam valorizadas as quatro dimensões, (físico, técnico, tático e psicológico), nenhuma desta se desenvolve sem comunicação. Nem a organização se desenvolve sem comunicação entre jogadores e treinador.


       A comunicação no treino


       Ora vejamos: o treinador desenha um exercício prático e interessante, e pede aos jogadores para irem para dentro dos pinos e fazer o exercício. Até aqui, nada de anormal. Mas, quando acaba o exercício, o treinador não corrigiu os jogadores uma vez apenas. Claro que, mesmo sendo o exercício muito bom, se o treinador não os corrigir, se não os organizar, os jogadores não vão ter o máximo rendimento como equipa. A comunicação não pode falhar neste aspeto




       A comunicação no jogo


       Um jogo, são 90 minutos, pelo menos. E durante esse tempo, podem acontecer coisas variadíssimas. Uma delas, é tudo mudar de um momento para o outro. Outra coisa que também pode acontecer, é a equipa adversária variar no estilo de jogo, e a nossa equipa precisar de fazer mudanças. O treinador, em conjunto com a equipa técnica, é responsável pela organização da equipa, e precisa dar ordens para dentro do campo constantemente. Não vai acontecer a mesma coisa durante o jogo inteiro. O jogo está sempre a mudar, e o treinador precisa estar sempre atento e a corrigir as diversas falhas e alterações que vão aparecendo. Um treinador, por muito que perceba de treino e de jogo, se não corrige a equipa e fica calado dentro do campo, está a falhar no aspeto comunicativo.


       A forma como comunica


       Alguma vez viram um colega vosso a falar com uma voz muito baixinha e até parece que tremia? Pois, pode dizer a maior verdade do mundo, e até dizer todas as verdades do universo, mas não convence, porque a sua forma de comunicar não é convincente. Por exemplo, quem não sabe ler chinês, pode até ter a mensagem que vai mudar a vida mesmo à sua frente, mas como não a consegue ler, não a vai perceber. Um treinador, se falar chinês para os jogadores, estes não vão entender a mensagem. Não basta ter a mensagem correta pronta a enviar. Importa também, a forma como esta é transmitida. Voz baixa, linguagem pouco acessível, arrogância, e muitos outros fatores, tudo isso inflaciona a mensagem transmitida, por mais que esta seja a correta.


       A comunicação corporal


       A forma como nos comportarmos, diz muito acerca de nós. Um treinador que não acredite nas suas ideias, pode saber utilizar as palavras certas, mas se a sua linguagem corporal não combina com a mensagem, esta não terá a mesma qualidade. Falar de ombros baixos, ficar de mãos no bolso durante o treino, nunca pode ser tão acreditado como um treinador que levanta os braços na hora de falar. Mas não é a parte consciente do ser humano que percebe isto. É a parte inconsciente, e nós acabamos por dar menos credibilidade à pessoa quando esta tem a linguagem corporal errada, mesmo sem dar por conta disso. Achamos que são pessoas pouco convincentes.

 



       A voz do comunicador


       Existem algumas dicas dos especialistas para se comunicar bem, e uma delas é nunca falar rápido de mais. A nossa mente, pode ser muito boa a entender o que dizemos, mas os nossos colegas não tem os mesmos conceitos assimilados na sua mente como nós. Isso quer dizer que, ao comunicar, muitos de nós, além da mensagem, precisamos perceber como encaixam os vários conceitos que nos são transmitidos, isto é, precisamos organizar a mensagem para depois a compreender. Se alguém fala demasiado rápido, as pessoas vão demorar mais tempo para o entender, por mais rápida que seja a sua mensagem.


       O tom de voz, é também importante. Falar baixinho ou falar triste, não conta. Interessa é falar com voz que se oiça (sem andar desesperado aos berros) e falar com entusiasmo. As emoções também se transmitem pelo tom de voz e influenciam imenso na comunicação. Como quer o treinador, que as suas ideias sejam acreditadas, se ele mesmo fala como se não acreditasse nelas?


     O momento certo para comunicar


       Muitos adeptos dizem que os treinadores falam pouco. Talvez não saibam ler o jogo para dizer isso, porque nem sempre falar muito é sinónimo de falar bem, principalmente durante os jogos. Assume-se uma estratégia, e dá-se tempo aos jogadores para a colocar em jogo. O treinador não pode ser interventivo durante 90 minutos, porque são os jogadores que precisam pensar o jogo. O treinador precisa de os deixar pensar, sempre, pois são eles que realizam as ações dentro do campo. São os jogadores que precisam decidir.

 

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O aquecimento preparatório para o jogo

Posted by Valter Correia on September 11, 2014 at 2:00 PM Comments comments (6)

 Ser treinador, é fácil, basta treinar. Ser treinador de sucesso é difícil pois é preciso saber muito, trabalhar muito, ter recursos disponíveis e saber como utilizá-los. Mas ao mesmo tempo, é também uma tarefa muito gratificadora, que prefiro olhar como um projeto pessoal do que uma profissão. Para se ser treinador de elite, nunca podemos deixar de estudar e querer saber mais. É como se cada jogo fosse o exame final da faculdade e o treino fosse o estágio. Porém, cada um é livre de tomar decisões na sua vida, e se alguns veem o futebol com o único intuito de ganhar dinheiro, então o sucesso pode realmente ser difícil de alcançar.

       Uma vez que o futebol evoluiu, sabemos hoje que o treinar é diferente, a organização é diferente, e os métodos de trabalho são diferentes. Já não se trabalha as dimensões (físico, técnico, tático e psicológico) em separado, treina-se de acordo com o jogo, faz-se observações para conhecer melhor os adversários e a própria equipa, e realizam-se estudos para procurar novas e melhores soluções. É complicado ficar parado no meio disto sem ficar para trás. Então, em virtude desta ideia, sabemos que existem treinadores que treinam uma coisa durante a semana, e no jogo, pedem outra aos jogadores. Não treinam princípios, nem organização, mas pedem-lhes para jogar organizados. Isso não faz sentido, porque o treinador está a pedir algo para o qual não estão preparados.




       O aquecimento preparatório do jogo de futebol


       Da mesma forma, o aquecimento para o jogo, muitos treinadores realizam aquecimento em condições diferentes das condições do jogo. Arrancadas, finalizar um de cada vez e outros tantos exercícios físicos que em pouco vão dar, a não ser mesmo para aquecer o corpo. E a mente dos jogadores? Eles não vão entrar no jogo e pensar? O aquecimento serve só para aquecer os músculos, como se fosse atletismo, com o maior respeito por esta modalidade?

       Se vamos para um jogo de futebol, o aquecimento deve estar centralizado naquilo que acontece no jogo de futebol. Se praticamos posse de bola, então fazemos um aquecimento com posse de bola. Se vamos ter um jogo complicado, então fazemos um pequeno exercício para relaxar a mente dos jogadores e melhorar a sua concentração, como um exercício de passe com três ou quatro jogadores, sem oposição.

       Certamente que já viram aquele treinador, com os jogadores em volta dele, a obedecerem às suas ordens, como saltar numa só perna, arrancar e parar e uma série de outros movimentos sem bola. “Mas tu não vês os jogadores a saltar e a arrancar no campo?”- perguntam os céticos e os desconfiados. Sim, mas também os vejo a saltar para tentar ganhar uma bola no ar ou a arrancar para se desmarcarem de um adversário. Não os vejo a saltar em círculos durante o jogo. Aliás, um exercício de posse de bola faz os jogadores arrancar bastantes vezes, desde que o treinador esteja sempre por perto a pedir desmarcações.

       Pode ser que talvez um dia, alguém se lembre de utilizar as análises dos adversários, e preparar um aquecimento parecido com a dificuldade que vão encontrar no jogo. Existe muito por onde evoluir no futebol.




       Enquanto isso, não vale apenas aquecer o corpo do jogador, se este vai precisar de tocar na bola, se vai precisar decidir, aguentar a pressão no jogo ou estar sempre atento para se manter dentro da estrutura da equipa. São quatro componentes que é preciso levar em conta, mais do que saltos e arrancadas. Para isso, os jogadores deixavam de treinar futebol, e iam para os 400 metros barreiras, para saltar e correr. Uma vez, Vitor Frade disse que um pianista não precisa correr em volta do piano para o aprender a tocar. E eu completo, quando esse pianista não vai tocar guitarra quando se prepara uma sessão ao público. Então, se queremos contruir jogo de qualidade, não só devemos treinar em especificidade, como preparar a equipa em função do jogo, não em função do jogador isolado.

 

       Conclusão


       O futebol é pensado. De nada vale tentar algo diferente e que não acontece no jogo. Existem muitas direções a tomar, muito por onde levar a carreira e para onde direcionar o conhecimento, desde que se siga a lógica do jogo. O próprio jogo nos diz o que devemos fazer. Se não sabemos o que fazer, apenas precisamos de parar por momentos e refletir, mas sem medo.

 

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O fator de decisão no futebol

Posted by Valter Correia on September 9, 2014 at 4:20 PM Comments comments (0)

 Apaixonado como sou pela leitura, muitas vezes vou a lojas procurar livros novos, para satisfazer o meu apetite. E já tenho uma boa coleção, mas com o tempo, estão sempre a sair livros novos, e a coleção nunca está completa. No entanto, no Brasil e em outros países não sei, mas em Portugal, poucos são os livros de futebol que falam do jogo, treino ou algo envolvente. Aparecem imensos livros dos clubes, mas dos mesmos assuntos que escrevemos na nossa comunidade, são poucos infelizmente. No entanto, num desses livros, o Preparar para Ganhar, de José Neto, contém excelentes conteúdos, e vou retirar um pequeno excerto, com todo o respeito pelo autor. Quem estiver interessado em adquirir o livro, pode fazê-lo aqui, e recebê-lo em casa.



       Como Mahlo (1969:33) refere, a ação tática ou a ação de jogo, é a “combinação significativa, mais ou menos complicada, de diversos processos motores e psíquicos, indispensáveis à solução dum problema nascido na situação de jogo”. Visto que o jogo é uma sucessão de problemas situacionais, e a solução para estes problemas antes de ser motora, ser sensorial e mental, facilmente se depreende o importante papel desempenhado pela inteligência no futebol. Podemos assim caraterizar a ação de pensamento tático em três fases, que segundo Mahlo (1969:41) “corresponde melhor à maneira como os jogadores tem noção das suas ações”:

1- A perceção e a análise da situação (sendo o seu resultado, o conhecimento da situação)

2- A solução mental do problema (sendo o seu resultado, a ação de uma tentativa)

3- A solução motora do problema (sendo o seu resultado, a ação prática).


       Infelizmente, muito se fala só de organização tática, e alguns não sabem sequer o que dizem. No que diz respeito a blogs, muitos publicam apenas os sistemas táticos utilizados, duas ou três movimentações, e fazem disso, uma verdadeira análise de futebol. Mas pelo excerto do livro referido, facilmente sabemos que existe algo mais do que organização tática. Existe pensar o jogo, pela parte do treinador, e pensar o jogo pela parte do jogador, que é por este membro que se desenrolam as situações dentro de campo. Ora, se é o jogador, que desenrola as ações que podem levar a sua equipa a marcar ou a não sofrer golo, este precisa saber pensar o jogo, conhecê-lo e saber o que fazer em cada situação, o mais rapidamente possível. De facto, é uma tarefa complicada, e cada vez existe menos espaço para erros.


       Esta é uma razão extremamente importante do porquê do treino, onde se engloba a ação técnica, a ação tática, o fator psicológico e o fator físico. São quatro variantes, que trabalham todas em conjunto, e que não podem ser treinadas de parte. Não só não faz sentido treinar em partes, como não é possível fazê-lo para criar o alto rendimento.


       1- A perceção e a análise da situação


       Esta etapa, diz respeito ao jogador, que se encontra numa determinada situação, perceber o que se está a passar, da forma mais correta como possível. Analisar, não chega. É preciso ser rápido a analisar e perceber o que está a acontecer no jogo, para que a sua decisão nem a sua ação sejam erradas. Por isso é que existem treinos em especificidade, onde o treinador precisa ser sempre interativo com os jogadores, e por isso é que existe um modelo de jogo, para orientar o treino em especificidade.


       Se queremos ganhar, precisamos ser organizados, e a única forma de o conseguir, é fazer com que os jogadores saibam jogar organizados. Em algumas situações, todos os jogadores precisam compreender que devem organizar para defender. Em outras, apenas jogadores próximos à bola é que precisam fazer algo, como desmarcar ou entrar em contenção. Os comportamentos não são todos iguais para todos os jogadores, nem há uma ordem daquilo que vai acontecer no jogo. Não sabemos quando vamos perder a bola, ou quando vamos ganhá-la, nem sabemos se um passe ou um cruzamento vai sair bem. Por isso é tão importante que os jogadores reconheçam o que vão fazer.


       Podem existir dezenas ou centenas de situações diferentes no jogo, e cada jogador precisa perceber em qual se encontra. Esta etapa é a base do edifício, e se não for bem tratada por parte dos jogadores, e previamente pelo treinador durante o treino, então não temos como construir essa casa, que é resolver bem a situação de jogo. Como disse Mourinho: "Um grande pianista para ser bom não precisa de andar a correr à volta do piano ou de fazer flexões em cima do piano. Para ser bom basta tocar piano"



 

       2- A solução mental do problema


       Esta é a segunda fase da ação de decisão de um jogador, e é nesta fase que o jogador vai decidir bem ou decidir mal, em função daquilo que sabe de futebol e em função do que analisou na primeira etapa. Por exemplo, se o jogador vê um jogador desmarcado e um jogador marcado, e está sob pressão, precisa passar a bola a um deles. Se os seus conhecimentos não lhe permitem distinguir qual é a melhor linha de passe, ou se este não viu que um colega de equipa está marcado, e faz um passe errado, a decisão é má e a equipa pode perder a bola. Mas, se os seus conhecimentos lhe dizem qual é a melhor linha de passe e o jogador avaliou bem qual a linha de passe que deve tomar, então escolheu bem e vai realizar a ação logicamente correta.


       Se analisar mal, a sua decisão tem muitas mais hipóteses de ser a errada. Mas mesmo que faça a análise correta, pode tomar a decisão errada, pois a escolhe em função daquilo que percebe/conhece de futebol. Mais uma razão, porque o treino é tão importante, e devemos procurar fazer equipas jogar à bola em situações parecidas com as do jogo em vez de fazer um treino qualquer apenas para queimar calorias.

 

       3- A solução motora do problema


       Agora, não basta apenas conhecimento, nem visão de jogo. Agora é necessário que o jogador saiba concretizar aquilo que viu. Agora entra a dimensão técnica do jogador, pois vai realizar aquilo que decidiu fazer. Entre as duas linhas de passe, escolheu uma e vai tentar passar a bola. Mais tempo de treino com a bola no pé, ajuda o jogador a ter melhor capacidade de passe. E se o treino está orientado para todas as dimensões, mais fácil ainda será realizar a linha de passe escolhida. Agora, se o jogador não sabe passar a bola, por muito simples e fácil que seja detetar e escolher uma linha de passe, o passe sai torto, com força a mais ou a menos, ou difícil de receber, e o que pode traduzir numa perca da bola.


       Mais uma vez insisto no treino em especificidade, onde se procura desenvolver as dimensões em função do jogo. Fazer os jogadores correr em volta do campo, não os vai ensinar a decidir melhor, nem vai ajudar a treinar o passe, para esta situação que foi aqui descrita. Jogar, em função do jogo, com níveis de intensidade das ações e volume das ações que condicionam e desenvolvem o jogador, isso sim é treinar.


      Conclusão


       Deixei aqui um exemplo do livro, que são apenas algumas linhas de texto, mas que traduzem muito conhecimento. Claro que, apenas a leitura de um livro não é suficiente, nem de dois, nem de três, para se ser profissional. É necessário compreender diversas áreas, como treino, psicologia, organização tática, anatomia, e outras, e depois saber aplica-las. Ser treinador de sucesso não é fácil, mas é alucinante.

 

 

 

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O modelo de jogo no clube

Posted by Valter Correia on September 6, 2014 at 8:25 AM Comments comments (0)

 Já lá vão tantos anos de futebol e ainda há quem considere que um 4x3x3, é um modelo de jogo. Entretanto, o futebol evoluiu, fala-se em tática mais do que nunca, mas muita gente ainda assemelha modelo de jogo aos processos de jogo ou esquemas táticos. No entanto, modelo de jogo é mais do que isso, e pode ser levado muito mais longe do que alguns pensam. Mesmo muitos dos que trabalham dentro do futebol, não tem de todo uma ideia de como utilizar um modelo de jogo. E em Portugal, são mesmo poucos clubes que usam o modelo de jogo em todas as suas vertentes.


Antes de mais, um modelo de jogo tem vários pontos por onde se trabalhar e para se diagnosticar. Depende essencialmente da ideia do treinador, mas a cultura do clube, jogadores disponíveis e condições de treino, são alguns fatores que tem peso na forma de jogar de uma equipa. O treinador pode ter uma ideia para a sua equipa, mas os jogadores não tem todas as caraterísticas para o implementar. Ou então, o seu modelo de jogo, não condiz com a cultura do clube, desde filosofias internas até adeptos, o que não permite que este seja trabalhado da mesma forma, como sucede com Pep Guardiola no Bayern Munique.




       No entanto, poucas são os clubes que levam um modelo de jogo até aos seus limites. Bem espremido, os resultados podem ser bastante animadores, e podem até ficar destacados na história, por razões positivas, principalmente. Isto porque um modelo de jogo, pode ser um peso super elevado num clube, entre resultados desportivos e resultados económicos. E ter o modelo de jogo num clube, mas encaixado da forma certa, pode resolver imensos problemas, tal como a motivação dos atletas jovens, excelentes reforços para a equipa, e até ao nível de seleções podemos encontrar resultados animadores. Vejamos alguns pontos extremamente importantes, condizentes com modelos de jogo:


       A- O modelo de jogo no clube

 

       A.1- O modelo de jogo como imagem de marca de um treinador

       Hoje em dia, um treinador que não tem um modelo de jogo ou não operacionalizar o seu modelo de jogo, não tem sucesso, principalmente nas ligas maiores. Isto acontece porque, para enfrentar-mos uma organização, só o podemos fazer com qualidade, se também tivermos uma organização. E quanta mais qualidade tiver a organização adversária, mais organizados precisamos ser. Nas ligas maiores, praticamente todas as equipas tem os seus modelos de jogo, ou seja, são organizadas. Então, um treinador que não tem um modelo de jogo definido, ou seja, que não tem ideias para um jogar, nem as implementa, não terá sucesso numa liga grande, porque não tem a própria organização como arma.


       A.2- Clubes distintos, modelos de jogo distintos

       Muitos acreditam que um modelo de jogo, pode ser copiado. O que podemos copiar, são ideias, não modelos de jogo. Podemos copiar a posse de bola do Barcelona, mas não podemos copiar o seu modelo de jogo, porque não temos Xavis, Messis nem Iniestas. Usar o mesmo de jogo de uma grande equipa, apenas porque fez sucesso, não vai dar em grande coisa, porque os jogadores são diferentes, a equipa técnica tem um entendimento diferente, e até mesmo a cultura do clube pode interferir nisso.


       A.3- Modelo de jogo, por vezes, não é mais do que a cultura do clube

       Em Espanha, temos um estilo de futebol. Em Portugal, temos outro estilo. Em Inglaterra, o estilo é também diferente, e não importa para que país viajarmos, que cada comunidade tem a sua cultura desportiva. Muitos treinadores são escolhidos em função do seu modelo de jogo, pois é necessário que este coincida com a cultura que envolve o clube. Por exemplo, o Barcelona, não vai contratar um treinador que se opõe à posse de bola. A posse de bola, é a cultura de Espanha, e os modelos de jogo adotados pelos treinadores, necessitam coincidir com essa cultura.


       A.4- Modelo de jogo como modelo de formação

       Existem treinadores, como José Mourinho, que defendem que o modelo de jogo deve ser o mesmo em todos os escalões do clube. Isto deve-se por uma razão muito simples: a formação de novos jogadores. Não existe em toda a história do futebol, um jogador que já foi o melhor do mundo, e que não aprendeu a jogar futebol! Todos aprenderam, e todos precisaram de oportunidades. Se desde pequenos, vão subindo de escalão, e aprendem a jogar futebol, como a se adaptarem a ambientes mais difíceis, quando chegam a séniores, estão preparados para enfrentar um desafio ainda maior. Por outro lado, se em miúdos jogam de uma maneira, e quando chega o momento de os lançar a séniores, jogam de outra, será muito complicado em se lançarem como jogadores de qualidade, porque enfrentam uma qualidade que não estão habituados. Praticar o mesmo modelo de jogo em todos os escalões do clube, é uma excelente ideia para formar novos jogadores. Da mesma forma, este meio de trabalho pode garantir que o clube encontre os jogadores para cobrir as lacunas do plantel sénior, apenas por ir buscar os jovens da sua academia.




       Acrescento que acredito que este é um excelente meio de trabalho para evitar muitos problemas com jovens. Quando um jovem anseia por ter oportunidades na equipa principal, isso torna-se mais fácil se existir um meio-ambiente propício a esse jovem. Se o jovem jogador está rodado no mesmo sistema, quando chega aos séniores, a sua estreia torna-se bastante mais fácil. Assim, evitamos problemas com jogadores dos escalões sub-19, prontos a entrar nos séniores, porque estes não ficam frustrados por não terem oportunidades. Eles tem oportunidades, logo, trabalham moralizados.

 

       A constituição do modelo de jogo

 

      Continuando a conversa, muitos não sabem o que é um modelo de jogo. Facilmente associam a esquema tático, e tiram conclusões a partir daí. Entretanto, modelo de jogo não é o esquema tático, mas o esquema tático faz parte do modelo de jogo. Esquema tático, são números, como 4x3x3, 4x5x1, x4x4x2, 4x2x3x1, e por ai adiante. É uma ideia, ou uma estrutura, para organizar os jogadores, e começar a criar processos a partir desta estrutura. Sabemos, por exemplo, que não vamos usar os mesmos processos de jogo numa estrutura de 4x4x2 como numa estrutura de 4x3x3. Mas podemos usar processos diferentes dentro a partir do mesmo esquema tático. Por exemplo, podemos escolher usar um 4x4x2, mas utilizar mais posse de bola ou ataques rápidos, assim sem aprofundar para processos bem mais complexos.


       O modelo de jogo, portanto, depende de uma estrutura, o tal esquema tático, e de processos de jogo, ou movimentações, se assim preferirem. Mas, as movimentações não são feitas à ordem. Para isso, existem momentos de jogo (momento defensivo, transição ofensiva, momento ofensivo, transição defensiva e bolas paradas) que orientam os jogadores para usar determinado processo e em que altura. Tudo isto são orientações, em busca de criar uma organização para a equipa que se treina.


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Posse de bola: um mito?

Posted by Valter Correia on September 3, 2014 at 3:30 PM Comments comments (0)

 Após declarações de Pep Guardiola, que gerou imensas opiniões, críticas e discussões em relação ao tiki-taka, vamos aprofundar mais um pouco daquilo que é a posse de bola. Nos parágrafos seguintes, retiramos excertos de artigos que já foram publicados em outras alturas, e declarações de Pep Guardiola. Como o Pep Guardiola chegou tão longe? Foi por ter conseguido atingir mais de 60% de posse de bola em quase todos os jogos? Porque é que ainda existe muita gente que acredita nesse mito? Não é a posse de bola, são os princípios que dão forma ao modelo de jogo. Por favor, parem de fazer equivalências entre elevada posse de bola e vencer. Continuando com os excertos:

 

       Em 25 de Abril de 2014, no artigo "Ainda acredita que a equipa que domina a posse de bola, domina o jogo?" - A qualidade de como a equipa defende, de como ataca e de como transita entre momentos, tem muito mais peso para ter sucesso do que a percentagem de posse de bola. A mim, pouco me importa ter a bola se não consigo passar do meio-campo.....

       Se temos um modelo de jogo que pede para alguns jogadores entrarem em finta, de pouco nos serve fazê-los e entrar na finta se estes não tem espaço para o fazer. Estamos a queimar uma oportunidade de progredir em vão ao fazê-lo. Mas, se a equipa se sabe movimentar, se sabe abrir espaços para esse jogador entrar na finta, então tem muitas mais probabilidades do jogador obter sucesso e parecer melhor do que realmente é.

       Isto quer dizer que, para que um jogador tenha mais hipóteses de ganhar um lance, toda a equipa precisa de o apoiar direta e indiretamente. Então, jogar em posse não representa ter uma elevada percentagem de posse de bola. Isso é apenas a consequência da equipa jogar em apoio durante 90 minutos. Novamente, jogar em posse de bola, representa pensar o jogo, procurar espaços, procurar ocasiões, procurar momentos certos, e fazê-lo tantas vezes que a percentagem da posse de bola acabará por ser elevada.


       Em 30 de Janeiro de 2013, no artigo "Qual a diferença entre equipa que domina a posse de bola e equipa de domina o jogo?" - Existe uma grande diferença entre dominar a partida e ter mais posse de bola.....Posse de bola é apenas uma estatística e uma parte do modelo de jogo....




       Pep, em 8 de Junho de 2014: "Odeio o 'tiki-taka'. A posse de bola é apenas um método para ordenar a equipa e desmontar o adversário. Se não há uma sequência de 15 passes, é impossível fazer a transição defesa-ataque de forma correta. O 'tiki-taka' é um termo pejorativo, de tocar a bola sem objetivo, apenas por divertimento"


       Pep, em 2 de Setembro de 2014: "Odeio isso de passar a bola porque sim, isso do “tiki-taka”. É uma porcaria que não serve para nada"

 

       Os excertos dos artigos aqui publicados, fazem parte de artigos que foram publicados antes das declarações de Pep Guardiola virem a público. Não quer dizer que por estes lados, se percebe tanto de futebol quanto o espanhol, mas que estamos no mesmo rumo dos melhores do mundo, que os excertos e as declarações estão em sintonia. Posse de bola, não precisa necessariamente de ser trabalhada em quantidade. Necessita sim, é ser trabalhada pela qualidade, com princípios, com estrutura para os organizar, com inteligência e leitura de jogo da parte dos jogadores. No FC Barcelona, aconteceu vencerem imenso com uma posse de bola tão elevada, mas isso não quer dizer que seja um remédio santo para vencer, como muitos ainda acreditam e vão continuar a acreditar por muito tempo. Mas no jogo, por vezes nem interessa ao treinador, a quantidade de posse de bola. Se tem mais ou menos, ainda vá, mas a percentagem de posse de bola não é um fator de peso para vencer. A forma como tratamos a bola, independentemente de ser uma percentagem elevada ou baixa, é que conta.


       A posse de bola, não é um mito. É uma ferramenta, que pode ser bem ou mal usada


       Existem fases de jogo onde a bola é tratada de forma diferente de fase para fase, assim como existem fases de jogo onde os princípios e a estratégia varia de fase para fase. Por exemplo, podemos escolher subir em bloco com a bola no pé, e fazer alguns passes para impedir que o adversário recupere a bola. Acabamos por ter a bola durante algum tempo em nossa posse, a percentagem subiu, e temos a bola na nossa posse no meio-campo. Em outro caso, fazemos uma saída de jogo, rápida, com máxima amplitude, e mal conseguimos colocar a bola no meio-campo, retiramos a bola da zona de pressão enquanto todos sobem em bloco. No fundo, acabamos também posicionados no meio-campo, em bloco, com a bola na nossa posse, mas com menos tempo de posse de bola.


       O que mais interessa, é a qualidade de ações de sucesso que realizamos com a bola na nossa posse. Não é a primeira vez, nem a segunda, que aqui defendemos que existe uma sequência de ações, desde recuperar a bola até rematar, para conseguir o golo. Para conseguirmos realizar toda essa sequência, precisamos que as nossas ações sejam de qualidade, uma vez que, cada vez que conseguimos realizar uma ação dessa sequência com sucesso, outra se segue, mais difícil porque estamos perto da baliza. mEntão, ter a bola em nossa posse não significa que estamos a evoluir no terreno de jogo e a aproximar a equipa da baliza adversária. Criar ações de sucesso, com princípios, e com racionalidade, isso significa que estamos a aproximar da baliza adversária, mesmo que acabemos por ter muita posse de bola.


       Existem muitas formas de atacar com sucesso, mas nem todas implicam ter a posse de bola. O Tiki-taka é apenas um termo que significa trocar a bola constantemente. Agora, no FC Barcelona, não vimos apenas a bola a ser trocada constantemente. Vimos princípios que foram treinados, estruturas que organizam esses princípios, movimentações, apoios, linhas de passe. Vimos tanta coisa que poucos se aperceberam, além de estar sempre a passar a bola. Isso é o futebol de qualidade, não é a elevada quantidade de posse de bola.

 

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8 conselhos importantíssimos para apostadores

Posted by Valter Correia on August 31, 2014 at 1:05 PM Comments comments (1)

        É impressionante como o mundo de apostas desportivas evoluí nos últimos tempos. Existem até, apostadores profissionais que ganham bem mais dinheiro do que muitos empresários bem sucedidos. E podemos provar que as apostas desportivas são um sucesso, porque existem vários clubes que são patrocinados pelas casas de apostas há muito tempo. E em vários países. No entanto, nunca podemos sonhar em ganhar dinheiro com apostas desportivas, porque isso não depende de sorte ou de tentar. O mais importante nas apostas desportivas, é saber apostar de cabeça fria, saber pensar, e trabalhar para evoluir.


       Os profissionais, nos primeiros tempos, quase todos eles perderam dinheiro. Passaram pela fase de amadores, mas precisaram errar para aprender. Não chegaram a profissionais apenas porque sim. Seguem algumas dicas extremamente importantes, para quem está a começar, e deseja ganhar dinheiro com apostas desportivas.

 

     1- Nunca considero uma aposta como certa


       Os treinadores sabem que tudo pode acontecer no futebol, porque é um desporto imprevisível. Os apostadores, também nunca devem ter certeza absoluta de um resultado, porque tudo pode virar a qualquer momento. O que quero dizer com isto é: se apostou numa equipa que estava praticamente certa para ganhar, e a equipa sofreu uma reviravolta, não se revolte com isso. São coisas que acontecem no futebol. Todos os jogos são para ganhar, mas nem todos se conseguem ganhar. É desporto, é natural que isso aconteça. Saber apostar de cabeça fria, é o mais importante.

 

     2- Não aposte pela sorte. É melhor conhecer as equipas


       Muitos apostadores apostam num Barcelona porque é o Barcelona, apostam no Real Madrid porque é o Real Madrid, e apostam em outras equipas apenas porque são grandes. Mas nem sempre ganham os grandes. Vejam por exemplo, o caso do Manchester United, que sofreu uma pesada derrota perante uma equipa bastante inferior. Estas coisas acontecem no futebol, e apostar nos grandes porque são grandes, nem sempre é garantia de conseguir vencer a aposta. É provável que as equipas grandes ganhem a maior parte das vezes, principalmente quando estão em boa forma. Mas quando não estão em boa forma desportiva, a probabilidade de ganhar não é tão grande quanto isso. Acompanhe as notícias com frequência. Isso ajudá-lo-á a saber qual a forma desportiva das equipas, e se existem mais ou menos hipóteses de fazer uma aposta de valor.

 

     3- Nunca aposte tudo de uma vez só


       Pela internet fora, tem grandes apostadores a fazer grandes prognósticos. Mas nenhum deles aposta toda a caixa de uma só vez. Caro apostador, nunca faço isso, mesmo que leia em algum lado que determinada aposta é de valor. Grandes apostadores sabem escolher as melhores apostas, e quase sempre estão corretos. Mas imagine que aposta 500€ numa só aposta, que é todo o dinheiro disponível que você tem para apostar, e que por acaso, a equipa perde ou empata. Acabou de perder 500€ e não tem mais dinheiro para o recuperar. Foi um investimento sem qualquer tipo de retorno. Seja inteligente, aposte no máximo 5 ou 10% numa só aposta, e garanta sempre que sobra dinheiro para recuperar o que perdeu.

 

     4- Evite fazer apostas combinadas com mais de três equipas


       Quantas mais apostas fizer de uma só vez, numa só aposta (as tais apostas combinadas ou múltiplas), maior é o lucro que pode tirar, e ao mesmo tempo, menos hipóteses tem de ganhar. Isto acontece porque, quantas mais equipas apostar, mais são as equipas em que uma delas pode perder. E basta falhar uma aposta para perder todas as outras. Equilibre entre risco e lucro. Pode chegar bem mais longe, principalmente se estiver a iniciar nas apostas múltiplas.



 

     5- Crie um registo de apostas


       Conforme aposta, mantenha todo o registo das apostas que efetuou. Da mesma forma que os treinadores gravam vídeos da própria equipa, para corrigir os erros, anote tudo o que apostou para descobrir onde você erra também. Não existe um método perfeito para ter sucesso nas apostas desportivas. A melhor forma de conseguir ter sucesso, é pela experiência, e paciência para escolher as melhores apostas. Eu não vou aconselhá-lo a seguir este método ou aquele. O melhor método que pode utilizar, é o seu método. Não existe outro, apenas existe o seu, porque você nunca saberá apostar como os outros, apenas à sua maneira. Pode aprender com os outros a apostar, mas só terá sucesso quando apostar à sua maneira, com os seus princípios. Encontre a sua forma de apostar.

 

     6- Faça análises antes de apostar


       Você é daquele que aposta pela sorte? Por favor, não me diga isso. Se aposta pela sorte, suplico-lhe para parar imediatamente, pois está a perder muito dinheiro. Mas muito dinheiro mesmo. Experimente analisar as equipas antes de fazer apostas, e encontre as melhores odds no mercado. Demora algum tempo, mas o retorno é maior.

 

     7- Saiba perder


       Como já foi escrito, não vamos ganhar sempre. É assim nas apostas, é assim, no futebol e é assim na vida. Ninguém tem o seu caminho feito apenas de sucesso. Toda gente, em algum momento das suas vidas, acaba por perder alguma coisa. A parte boa, é que podemos aprender a perder e saber lidar com a derrota. Alguns apostadores amadores, perdem uma aposta e nunca mais desistem, Outros, apostam logo tudo a seguir, na esperança de conseguir tanto lucro quanto possível. Saiba perder, apenas. Quando falhar uma aposta, não vá a correr para outra. Espere por uma aposta que acredite ter valor, e então aposte. Cabeça fria, é o segredo.


     8- Não faça disso um emprego


       Pelo menos tão cedo, ou se não estiver preparado. Existem muitas formas de ganhar dinheiro. Umas são mais fáceis, quando trabalhamos para alguém. Nas apostas desportivas, trabalhamos por nós mesmos, e não temos quem nos pague um salário no fim do mês. Estamos por nossa conta e risco. Se ainda não tem experiência nem tempo para fazer disto a sua vida, vá apostando, estude bastante, aprenda, e essa altura irá chegar. Confie em mim.

 

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10 dicas para organizar o trabalho de treinador

Posted by Valter Correia on August 29, 2014 at 10:30 AM Comments comments (0)

 

Muito se fala em organização tática por este mundo fora, mas há outras coisas que também fazem parte do trabalho do treinador. No treino por exemplo, já não se fala tanto como a organização tática, e no saber pensar ou saber organizar o trabalho, menos ainda. Mas todos os fatores são importantes para o sucesso do treinador, e se um destes falhar, os outros estão comprometidos, pelo menos em parte.

Caro leitor, se você é treinador, alguma vez pensou em como pode organizar o seu trabalho da melhor forma possível, com vista a aumentar o rendimento do seu trabalho, ou os seus resultados? Confira algumas dicas importantes para conseguir melhorar os seus resultados.


 

     1.Saiba estudar


       Estudar muito nem sempre é sinónimo de estudar bem. Por vezes, aquilo que estudamos não tem nada relacionado com aquilo que precisamos enfrentar. Por exemplo, de que serve um olheiro estudar uma disciplina que nada tem a ver com a análise do jogo? É uma perca de tempo, que podia ser usado para outras coisas mais importantes. Para quem trabalha no futebol, o melhor que deve fazer é manter-se atualizado em assuntos que dizem respeito ao futebol, para não ser deixado passar à frente por outros colegas da área. Ao longo do tempo, vamos juntar livros acerca futebol num só sítio, aqui no nosso espaço, para criar uma grande base de dados de fontes de estudo. Confira


     2.Tenha sempre um bloco de notas e uma caneta no bolso


       Certamente que todos nós, por vezes, temos alguma ideia excelente para melhorar o nosso trabalho, e nunca mais nos lembramos dessa ideia. Ou então, quando nos lembramos, já é tarde, já alguém ficou à nossa frente ou já passou a oportunidade de a utilizar. Porque não andamos sempre com um bloco de notas no bolso, e anotámos as ideias que nos surgem? Por vezes, a meio de uma conversa formal, um colega nos diz algo que nos faz pensar numa ideia importante. Então podemos anotar essa ideia. Pensamos várias vezes ao dia, refletimos imenso, e ter um bloco de notas para anotar as nossas brilhantes ideias é como ter um amigo sempre ao nosso lado


     3.Tenha objetivos bem definidos invés de muitos objetivos


       Pare, e pense: quais são os seus objetivos para curto, médio e longo prazo? São muitos ou são apenas os que considera importantes? Saber trabalhar com a mente é uma caraterística que muitas pessoas não tem, logo, definir os objetivos é algo que muita gente não sabe. Qual é a sua ideia, é ter muitos objetivos, ou objetivos que considera realistas para realizar? Se tem muitos, provavelmente não irá cumprir todos, logo, sentirá fracassado e desmotivado para continuar. Ninguém consegue fazer tudo ao mesmo tempo. Seja profissional nesse aspeto.




     4.Tenha um hobbie


       Só existe uma forma de desligar do stress: ter um hobbie. Seja cozinhar, passear, escrever, navegar na net ou outra coisa qualquer, todos nós temos aquele passatempo favorito e de que gostamos muito de fazer. E de facto, de tempos a tempos, fazer algo que gostamos, sem responsabilidades, sem nada a perder, sem nada a ganhar, mas que fazemos apenas porque gostamos, é um excelente meio de relaxar a mente. E mente relaxada, trabalha mais e melhor. Se não tem um hobbie, arranje agora um, mas que seja desligado do seu trabalho do treinador. Mesmo que não encontre o seu hobbie agora, vá experimentando coisas diferentes até encontrar o que gosta de fazer.


     5.Ler, ler, ler


       Se não gosta de ler, não sabe o que está a perder, por duas razões. Em primeiro, ler é uma das melhores formas de aprender, porque quando lemos, estamos a recolher informação de alguém que já escreveu, ou seja,está a recuperar feedback de alguém com grande experiência na área. Não é por acaso que o primeiro parágrafo deste artigo, tem como títulos saiba estudar. Ler, é um excelente meio de estudar. E em segundo lugar, quem está habituado a ler, processa a informação mais rapidamente, porque tem ideias mais organizadas e é também uma pessoa mais criativa. A maior parte do conhecimento que os grandes treinadores adquirem, não vem de cursos, mas de leitura. Refiro conhecimento e não experiência.


     6.Ter material de trabalho


       Ninguém vai produzir o máximo sem ter o seu material de trabalho, seja em que profissão for. O treinador, também. Em escalões extremamente pequenos, vemos treinadores que não tem uma mala de trabalho, não anotam nada para depois, não anotam erros a corrigir nem tem uma ficha para organizar o trabalho. Com os grandes treinadores, isso não acontece com os grandes treinadores, porque tem excelente material para trabalhar. Não estou a falar das condições de treino, mas de pranchetas e dossiers de treinador. A SportsTraining por exemplo, dispõe de excelentes quadros magnéticos, adaptados a treinadores de futebol e futsal. Imagine isto: está a tentar desenhar um exercício. É mais fácil imaginá-lo a olhar para o campo, ou a olhar para uma prancheta?




     7.Converse com outros treinadores


       Sabemos que existem guerras entre treinadores, mas também sabemos que isso não trás vantagem nenhuma. Pelo contrário, falar de futebol, tem muitas mais vantagens. Cursos apenas dão bases. Livros trazem a teoria, que é a base do conhecimento. Mas apenas a experiência de outros treinadores ou a prática nos pode dar mais experiência. Por vezes, trabalhar ao longo do tempo nem sempre nos dá a experiência que precisamos, porque não somos capazes de interpretar as situações que nos surgem. Conversar com outros treinadores, trocando experiencia, é um meio bem melhor de melhorar como sábio do futebol.


     8.Seja rigoroso com o trabalho, não faça apenas por fazer


       Se não tiver paixão pelo trabalho que faz, isso é mau. Ou se preferir, péssimo. Faça com gosto, não faça por fazer. A qualidade do trabalho não é a mesma. Deixo para refletir.


     9.O dinheiro vem depois do trabalho. Antes, só no dicionário.


       Muitos treinadores escolhem o clube pelo dinheiro que o contrato lhes oferece, não pela carreira. Mas há também aqueles que preferem a carreira ao dinheiro, e acabam por ganhar bem mais, porque sobem na carreira. É como colocar o golo à frente do trabalho, ou seja, querer marcar golo sem ter uma forma de chegar perto da baliza com sucesso. Sei que por vezes, o dinheiro fala mais alto, porque há contas a pagar, mas, o conhecimento, não pode ser desvalorizado, nunca.


     10.Sem medo, asério.


       Ter medo é um excelente meio para a frustração. Não ter medo é um excelente meio para o sucesso. E ter medo para chegar ao sucesso é uma equação muito complicada de se resolver. A sociedade sempre nos fala em ter cuidado com a vida, mas são poucos que nos falam em coragem. Nascemos com medo, mas precisamos resolver esse problema. Se tem medo, enfrente desafios, cada vez mais complicados. O medo só desaparece quando se faz as coisas com rotina, como sendo tarefas normais, E realmente passam a sê-lo. Busque desafios, enfrente desafios. E o maior desafio para enfrentar é você mesmo. Comece agora.


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Reflexão acerca trabalhar em casa ou no escritório

Posted by Valter Correia on August 28, 2014 at 2:50 PM Comments comments (0)

        Se existe algo bom na profissão de treinador, é que nem sempre precisamos estar no nosso posto de trabalho para trabalhar. Do trabalho do treinador, faz parte pensar e pensar muito, em como se vai trabalhar a equipa. Nem sempre é necessário estar ao pé dos jogadores para organizar as ideias e os métodos de trabalho. Isso se torna uma vantagem em relação a outros tipos de líderes. Por exemplo, o diretor de um supermercado precisa ficar um dia inteiro na loja a trabalhar e a organizar tarefas entre todos os trabalhadores dessa loja. Já o treinador, pode trabalhar em casa ou no escritório, com espaço e sem grandes distrações para pensar.


       No entanto, trabalhar em casa ou no escritório (isto é, para os treinadores que tem um), não tem apenas vantagens, mas também tem desvantagens. Muitos departamentos de scouting por exemplo, usam os escritórios de um clube para trabalhar. Existem também empresas que tem o próprio escritório, mas há também aqueles que trabalham em casa ou fazem do seu lar, o seu escritório.


       Diferenças entre trabalhar em casa ou no escritório


       Sabemos que existem diferenças, mas importa saber quais essas diferenças. Uma das maiores vantagens que existe em trabalhar em casa, é o facto da solidão, em que ninguém incomoda, e podemos trabalhar e pensar livremente. E se temos realmente bastante trabalho para fazer, como administrar uma equipa técnica composta por uns 10 elementos por exemplo (incluindo observação), estar sozinho para organizar todo o trabalho, é uma grande vantagem.




       Por outro lado, quando se trabalha em casa, o contacto com a equipa técnica é mais complicado. Quando temos um escritório, se alguém deseja falar connosco, facilmente nos podemos reunir e debater. Em casa, isso é mais complicado, porque é no escritório onde trabalha toda gente. Mas, o escritório não tem o mesmo conforto que em casa, o que ajuda a evitar distrações a quem trabalhar no escritório. Por exemplo, precisamos levantar todos os dias à mesma hora, estar no nosso posto de trabalho a horas, o que, em casa, nem sempre vamos levantar à mesma hora nem produzir trabalho sempre da melhor forma.


       Qual o melhor?


       Se por um lado, é menos dispendioso e mais confortável estar em casa a trabalhar, por outro lado, no escritório, temos mais recursos à nossa disposição, e uma rotina de trabalho normal. E mesmo um escritório bem organizado, é possível encontrar conforto suficiente para manter a produção de trabalho a bom ritmo. Sei que este tipo de realidade é algo que não faz parte da maioria dos treinadores, e muitos deles tem até duas profissões, mas em grandes clubes, trabalhar num escritório, nas instalações do clube, é uma realidade

 

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O número 10

Posted by Valter Correia on August 28, 2014 at 1:50 PM Comments comments (1)

Marco Martins, que já nos enviou um artigo bastante interessante (Treinador e sistema de jogo: implementação vs flexibilidade), enviou mais um artigo com um assunto muito importante a ter em conta, relacionado com a evolução do futebol: a evolução do número 10. É uma importante reflexão a fazer.     

   Quando pensamos em números 10 no futebol, e não falo apenas do número mas sim da posição, aquele jogador capaz de rasgar linhas e deixar vários jogadores para trás devido a sua técnica e finta rapidamente nos vem a cabeça nomes como:


  • Maradona, Zico, Riquelme e Ronaldinho ou aqueles do nosso campeonato : Rui Costa, Deco e Aimar.


       Estes sim, eram os “puros números 10”, actualmente no futebol moderno esta posição está adaptada a outras: um “falso 9”, um jogador da “posição 8” com características mais ofensivas ou um médio ala e aquilo que me apoquenta é: porque é que o verdadeiro “número 10” deixou de existir?

       Ainda existem vários jogadores com características que um verdadeiro número 10 possui: criatividade, imprevisibilidade, passe, técnica, finta, visão de jogo, casos como, Nasri, David Silva ou Ozil. Mas se observarmos os jogos destes jogadores rapidamente percebemos que eles não jogam nessa posição, Ozil jogou a extremo esquerdo no campeonato do Mundo, Nasri e D.Silva no City jogam numa mistura de alas com médios interiores na fase defensiva.




       Quando ocorreu esta “extinção”?


       O marco deste ponto de viragem será talvez quando Pep Guardiola assumiu o comando do Barcelona, nessa altura tinha no plantel um dos melhores jogadores de sempre: Ronaldinho. De pronto Guardiola disse que não contava com ele. Ronaldinho terá sido provavelmente o último grande número 10 que vimos actuar.


       O porquê da “extinção” desta posição?


       O futebol evoluiu numa direcção em que se tornou mais táctico e físico. Se observámos jogos de grandes competições de há 20 anos atrás um dos aspectos que salta á vista é o tempo e espaço que os jogadores tinham para decidir. Jogadores criativos conseguiam desequilibrar muito maIS facilmente. Actualmente o tempo de tomada de decisão é muito mais reduzido e receber a bola com espaço entre a linha de defesa e do meio campo adversário (zona de acção do número 10) em equipas de topo é muito raro. Daí ser necessária uma adaptação dos nossos jogadores criativos. Outro dos aspectos que definia estes “mágicos” era a sua falta de atitude quando a sua equipa passava do processo ofensivo para o processo defensivo, normalmente este tipo de jogadores eram fracos a defender e a recuperar a sua posição, um verdadeiro calcanhar de Aquiles. Num futebol cada vez mais táctico, basta um jogador não cumprir que coloca em xeque todas as acções defensivas da sua própria equipa.


       Como um treinador molda um “maestro”?

 

       Antes de mais é necessário perceber quais são os seus atributos mais fortes para além daqueles que um “número 10” já possui.


       Se for razoável em processos defensivos e tiver boa capacidade física, normalmente são adaptados a número 8 (médio centro) com a tarefa de organizar o jogo em terrenos mais intermediários do campo, pois é nessa zona que lhe será possível receber a bola. No futebol actual existem jogadores que sofreram estas adaptações : Fabregas, (no Barcelona era mais um falso 9, mas agora no Chelsea joga como construtor de jogo), Rakitic, Di Maria, David Silva, Toni Kroos , Isco entre outros.

       Se possuírem velocidade e grande capacidade de 1vs1 normalmente são adaptados a extremos ou médios ala. Casos como Eden Hazard, James Rodriguez, Ozil, Juan Mata ou Ribery. Se forem fortes na finalização existe uma adaptação a “falso 9”. Casos como Messi, Totti, Rooney ou Gotze.


       Com isto verificámos que eram necessárias as adaptações do típico número 10 a uma posição que fosse mais proveitosa em prol da equipa. Não podemos dizer redundantemente que o “mágico 10” desapareceu, apenas se mascarou e colocou-se noutra zona do campo, a magia e o virtuosismo ainda o podemos observar por escassos momentos nos grandes palcos do futebol actual.


*De referir que apenas toquei em jogadores e equipas do mais alto nível, é próvavel que em campeonatos de menor dimensão os “números 10” ainda espalhem a sua classe na sua posição de origem.

 

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