Teoria do Futebol

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Princípio da Alternância horizontal em Especificidade

Todos nós sabemos que o exercício físico implica esforço ao nosso organismo, e por isso vários autores defendem que os atletas devem estar fisicamente bem treinados. Sim, a lógica da ideia é essa. Mas, como treinar bem um jogador de futebol? Será que fazê-lo correr mais, arrancar mais depressa, fará dele um jogador melhor? No futebol de hoje, não queremos onze jogadores, queremos uma equipa. Na periodização tática, não entendemos que devemos ter apenas jogadores fisicamente potenciados para ensinar o jogo que queremos jogar. Aquilo que entendemos é que os jogadores precisam estar frescos, tanto fisicamente como psicologicamente, para que possam aprender o máximo possível. O princípio da alternância horizontal em especificidade orienta os treinadores nesse aspeto.

Princípio da alternância horizontal em especificidade


       Segundo Gomes (2006), este princípio reconhece que operacionalizar o nosso jogar tem exigências de esforço, e portanto, consequências específicas. Para a autora, o operacionalizar do nosso jogar deve estar assente na relação desempenho-recuperação que permita a melhor adaptabilidade dos jogadores.

Treinar uma equipa a partir de um modelo de jogo, tem implicações a níveis físicos para os jogadores. Demasiado cansaço, tanto físico como psicológico, impede o jogador de treinar melhor e aprender mais. Se o nosso objetivo no treino é desenvolver um jogar, o jogador precisa de estar em condições para aprender esse jogar. Para isso, o esforço dos jogadores deve ser gerido entre ensinar e recuperar, para que os jogadores possam aprender mais hoje, mas continuarem frescos em outros aspetos para aprender amanhã.

       As contrações musculares


       Para Tamarit (2007), este princípio é encarregado de regular a relação existente entre o esforço e recuperação. Para isso, o treinador deve desenvolver o seu modelo de jogo variando a complexidade dos exercícios ao longo da semana. Tamarit (2007) afirma que é necessário que se obedeça a uma alternância horizontal ao nível do tipo de contração muscular, segundo as variantes de tensão, velocidade e duração da contração muscular.


       Sendo assim, temos três variantes de contrações musculares (tensão, velocidade e duração), nas quais devemos variar ao longo da semana, em função dos princípios que queremos treinar. Num dia, desenvolvemos exercícios cuja duração das contrações musculares e a velocidade das mesmas é baixa, mas que a contração é forte. Em outro dia, os exercícios devem apresentar-se fortes na velocidade das contrações musculares, mas estas devem ter pouca duração e baixa contração. Assim, estamos a treinar algo específico num dia, e evitamos que os jogadores se desgastem em demasia para outro dia, para que possamos treinar algo diferente, com melhor rendimento.


       Como aplicar o princípio da alternância horizontal em especificidade


       Segundo esta ideia, por exemplo se pretendemos treinar comportamentos intersectoriais , devemos desenhar exercícios em função no nosso modelo de jogo onde possamos trabalhar esses comportamentos. Para exigir o melhor dos atletas nessa situação, podemos desenhar um exercícioEsses com espaço idêntico ao da realidade do jogo. Por exemplo, se queremos treinar comportamentos na saída de jogo da nossa equipa, onde participam defesas e médios, devemos desenhar um exercício num espaço idêntico ao do jogo onde esses jogadores vão realizar as ações que pretendemos. Esses exercícios vão ter mais contactos físicos, mudanças de aceleração, travagens, saltos etc, uma vez que o espaço será mais reduzido . Por exemplo, se queremos treinar um momento ofensivo, podemos criar um exercício 5x5 em frente à baliza, para que aconteçam mais situações relacionadas com os comportamentos que queremos desenvolver nesse momento ofensivo.


       Se criarmos um exercício 9x9 num espaço maior, onde saímos a jogar, ou que demorámos algum tempo a transitar ao ataque, não só estamos a desperdiçar tempo fazendo aparecer menos situações para o momento ofensivo que queremos treinar, assim como estamos a desgastar os jogadores em outras variáveis físicas, como a duração da contração muscular, ao obrigar a movimentar os jogadores a movimentar muito mais. Ao focar num comportamento específico para uma situação do jogo, estamos a evitar sobretreino, deixando os jogadores frescos para outro tipo de exercícios no dia seguinte, onde pretendemos mais duração das contrações musculares e menos tensão das mesmas por exemplo. Podemos, assim, trabalhar um aspeto diferente do nosso jogar, uma vez que os jogadores estão menos desgastados em relação à variante física relacionada com esse aspeto.


       Conclusão


       Ao perceber isto, sabemos que devemos treinar um comportamento com uma determinada contração muscular num dia, e outro comportamento com outra contração muscular em outro dia. Assim, variamos o tipo de esforço físico, para que um dia possamos treinar um comportamento com mais rendimento com a contração muscular relacionada, e em outro dia possamos treinar outro comportamento com outra uma contração muscular relacionada diferente. Estamos, portanto, a gerir o binómio esforço/recuperação, rentabilizando os exercícios e as aprendizagens o máximo quanto possível. Ao mesmo tempo, ao trabalhar aspetos do nosso jogar a partir dessas variantes, estamos a respeitar o princípio da especificidade, e a orientar os comportamentos da equipa para aquilo que é o nosso jogar.

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