Teoria do Futebol

Tudo sobre Futebol, os metodos, os conceitos, os princípios, 
os processos e toda a organização tatica do futebol!

As ações técnico-táticas como ferramenta do jogador

Existe uma grande diferença entre jogar à bola e jogar futebol. Correr, fintar, saltar, tudo isso é fácil, mas tudo isso forma um caos que precisa ser organizado. A questão importante é como organizar esse caos. Como tratar a bola de forma a diminuir a complexidade do jogo, e torná-lo simples de forma a alcançarmos a baliza adversária, que é o nosso objetivo no jogo? O jogador moderno não se distingue pela sua força ou velocidade em sprint, mas da sua capacidade em dar sequência ao jogo, seja em que situação for. Por isso, ao jogador não importa apenas saber fazer uma finta ou um passe. É necessário aliar uma boa razão para que esse gesto seja feito, produzindo uma boa decisão que aproxima a baliza do golo.

Assim, aproximar a equipa do golo exige que a equipa saiba tratar a bola, seja quando tem a sua posse, seja quando não tem a sua posse. A forma como a equipa interage sob a bola é que leva a equipa a ter mais ou menos sucesso. Por exemplo, se a bola está nos pés de um jogador com qualidade técnica horrível, segurar a bola ou levá-la para o ataque será mais difícil. Geralmente, os jogadores com técnica menos evoluída são os defesas. Todavia, a maior parte dos jogo sai dos pés deles. Para que estes possam dar sequência ao jogo, necessitam saber tratar a bola. Como? Ações técnico-táticas!


O que são ações técnico-táticas


Ações técnico-táticas são meios que os jogadores utilizam para resolver as situações de jogo (Castelo, 1996). Como um escritor usa a sua caneta e pensa cada palavra, o jogador deve usar cada pé e pensar em cada gesto. As ações técnico-táticas são as ferramentas dos jogadores como as canetas são as ferramentas dos escritores. Através destas ações, os jogadores podem interagir com os acontecimentos do jogo, seja para dar seguimento ao jogo, desenvolver o jogo da própria equipa ou para recuperar a posse de bola.


Para alcançar o golo, é necessário ter condições para tratar a bola em função daquilo que o jogo pede no momento. Se pede um passe a um colega de equipa mais adiantado, tanto o portador da bola precisa saber passar a bola assim como o seu colega precisa saber receber a bola. Se um defesa centro sair a jogar, a sua qualidade de passe ajudará imenso na qualidade da saída de jogo de toda a equipa.


Todavia, os gestos praticados pelos jogadores da relação com bola devem ser comuns a todos os jogadores, para que todos possam sequência ao jogo. Passar, receber, combinar, desarmar, todas estas ações devem ser comuns aos jogadores, porque todos vão ter a bola no pé em algum momento do jogo. Um atacante não basta apenas saber rematar. A sua função no campo pede que esse atacante seja excecional no remate. Porém, haverá momentos do jogo em que a bola lhe vai cair nos pés e ele precisa dar continuidade à jogada. Por exemplo, vamos supor que a equipa acaba de recuperar a bola no seu meio-campo defensivo, e a bola sobra para um atacante que ajudava a defender. Nesta situação, o remate não serve para nada, nem sequer é uma opção. Nesta situação, pedimos ao atacante que progrida com a bola ou que passe a mesma a um colega em condições de progredir. Pedimos gestos técnicos em função da situação do momento.


As categorias das ações técnico-táticas


Sabendo que o futebol se enfrenta por duas equipas, haverá momentos em que a nossa equipa ataca e outros em que a nossa equipa defende. Por isso, as ações técnico-táticas dividem-se em defensivas e ofensivas. Mas, sabendo que os jogadores não jogam sozinhos, e que por vezes vão realizar ações sozinhos e outras vezes vão realizar ações de conjunto, podemos também caraterizar as ações técnico-táticas como individuais e coletivas. Assim, temos quatro categorias de ações técnico-táticas: individuais ofensivas; individuais defensivas; coletivas ofensivas; coletivas defensivas.

Quais são as ações técnico-táticas


A tabela seguinte representa as ações técnico-táticas, divididas nas suas diferentes categorias:

Qualquer ação técnico-tática sucede uma decisão, isto é, qualquer ação técnico-tática acontece depois de determinado jogador a decidir realizar. Logo, sabendo que a decisão pode levar o jogador a realizar um mau gesto técnico, não podemos dissociar decisões e ações técnico-táticas. Por exemplo, independentemente da posição do campo, um jogador tem a posse de bola e decide realizar um passe. Tem duas opções: um colega que está marcado, e um colega sem marcação adversária. Qual é que ele deve escolher? Obviamente o colega sem marcação. Não pode fazer um passe à toa.



Outro exemplo: o portador está em frente da baliza, e tem duas opções: passar a um colega melhor posicionado ou rematar à baliza. Neste caso, não vai decidir entre para quem passar a bola, mas qual a ação que vai realizar. A partir destes dois exemplos, sabemos que decisões antecedem gestos técnicos, onde é tão importante decidir como fazer (primeiro exemplo) como decidir o que fazer (segundo exemplo).


Decisões vs Gestos técnicos ou Decisões & Gestos técnicos?


No futebol, como na vida, não vale apenas fazer por fazer. Não faz sentido algum. Cada ação que realizamos precisa ter uma razão para a realizarmos. Não importa fazer um passe porque no futebol se faz passes. Muitas vezes, vemos jogadores a iniciar um contra-ataque e a trocar a bola entre eles meia dúzia de vezes, embora desnecessariamente. Outras vezes, vemos jogadores a ir à linha e cruzam, e a equipa perde a posse da bola porque ninguém estava presente para finalizar. Isso é futebol de qualidade? Não. Isso é jogar sem pensar, e consequentemente, conseguir pouco ou nada daquilo que podia ser feito.


É tão importante realizar uma ação com eficácia como realizá-la com uma razão para o fazer. Por vezes, pode até existir mais do que uma opção, mas uma delas será a melhor. No exemplo de há pouco, o portador deve escolher entre passar ou rematar. Uma das duas será a melhor decisão. Não podemos dizer que apenas uma será sempre a melhor opção, porque nem todas as situações são iguais. O colega que está bem posicionado pode até nem ter competência suficiente para rematar e o mais certo é perder a bola, sendo neste caso melhor rematar que passar. Se o colega de equipa tiver competências suficientes para o golo, a melhor opção será passar a bola.


Assim, o gesto técnico será sempre acompanhado de uma decisão. Realizar um desses gestos técnicos, como uma finta, uma interceção, uma desmarcação ou qualquer outra ação técnico-tática não será suficiente se não tiver uma razão para a fazer. Pode até sair bem, mas não importa jogar sempre na sorte. Importa jogar focado, e ao jogador não basta apenas saber fintar ou passar. O jogador deve pensar naquilo que vai fazer, procurando realizar a melhor opção para a situação em causa. Unicamente não podemos dissociar gestos técnicos e decisões. Futebol!

Assine agora e receba todas as novidades por e-mail

E faça download do ebook 72 exercícios para as fases do jogo imediatamente. Clique aqui para saber mais
endereço de email
*
campayn